5 de junho de 2026

Nova Economia: Como a indústria da desinformação ataca a ciência brasileira?

Extrema-direita prioriza ataques a pesquisadoras porque, além de subjulgá-las, elas trazem à tona dados que contrariam interesses de grupos econômicos
Crédito: Reprodução/ TVGGN

A coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Luciana Gatti, relatou que sofre uma série de represálias pelo seu trabalho, que consiste em ressaltar como o agronegócio é o maior responsável pela devastação do meio ambiente. 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Consequentemente, a pesquisadora está sofrendo represálias de figuras da extrema-direita, fato que ela atribui ao fato de ser mulher, mas também por falar, a partir de dados e estudos, o óbvio em relação ao meio ambiente. Ao afirmar, em uma entrevista, que os incêndios em todo o país foram provocados para atender aos interesses do agronegócio. 

Em vez de apoio ou influenciar políticas públicas, Gatti foi advertida pelo secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, que considerou suas falas criminosas e pediu explicações ao Ministério da Ciência e Tecnologia. 

“Você não vê a extrema-direita ir assim para o lado de homem. A extrema-direita é covarde. Covarde, porque quem vai em cima de mulher com toda essa agressividade é covarde. Vamos começar pelo secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. O cara é secretário da Agricultura e vê as lavouras do Estado de São Paulo queimando com fogo provocado. O cara está furioso atrás dos criminosos que tacaram fogo na lavoura que ele tem que cuidar? Não, ele chama de criminosa a cientista que afirma que aquilo tem por trás uma organização que não é pequena, porque em um único dia quase 1.900 focos de incêndio no Estado de São Paulo”, comenta a entrevistada do programa Nova Economia, da última quinta-feira (11).

Além da represália, Luciana afirmou ainda que já era monitorada e, durante uma entrevista em que abordava os incêndios criminosos, sua ligação caiu e ela demorou um tempo até conseguir se reconectar.

“No dia seguinte, de manhã, os senadores da extrema direita já tinham convocado a ministra, com ofício de dois sindicatos, de pessoal ligado à produção de cana-de-açúcar”, continua.

Desinformação

Também convidada do programa Nova Economia, a fundadora do Netlab Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marie Santini, explicou que os ataques são resultantes de dois fatores específicos. Além de confrontar interesses econômicos, a exemplo do agronegócio, a produção científica no Brasil e no mundo nunca avançou a passos tão largos, tanto que a ciência foi capaz de desenvolver, em dois anos, uma vacina para conter uma pandemia global. 

“Então tudo está extremo, tudo está realmente muito sobressalente, o ódio está mais explícito, a violência está mais explícita, esses grupos estão aparecendo mais porque a gente está na véspera do fim do mundo”, afirma Marie.

A docente da UFRJ também acrescentou que a desinformação é uma indústria lucrativa, que se tornou um mercado paralelo sem regulação que cresceu de tal forma que é difícil para governos impor regras. Tanto que a União Europeia só teve êxito neste sentido por se tratar de um bloco econômico. 

“A eleição é o laboratório perfeito, em que pode entender causa e efeito, pois quando a eleição termina, há um ganhador. Fica mais fácil tentar entender o que funciona para manipular, quais são as táticas que influenciam determinados segmentos. Você consegue produzir estatística sobre esses experimento”, continua Marie Santini. 

Além da política, o mercado de informação é expressivo também na área da saúde, em que são vendidos todo tipo de produto praticamente sem fiscalização, pois enquanto a Anvisa não regula medicamentos e tratamentos na internet, é neste canal que as pessoas buscam cada vez mais informação sobre produtos que, muitas vezes, sequer são regulamentados. 

Veja o debate completo na TVGGN:

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    12 de outubro de 2024 10:41 pm

    O agro pop ou melhor o agro toxi é a velha oligarquia dos coronéis que os publicitarios deram o nome moderno “pop”. Coronéis iguais a 2, 3 ou mais séculos atrás que não sabiam nem ler e só sabiam mandar. Hoje, a ideologia feudal ainda os faz analfabetos e terraplanistas e em São Paulo elegeram um capataz debgovernador

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    13 de outubro de 2024 8:04 am

    Excelente live. O único erro dos e das participantes dela é acreditar que o Judiciário não mergulhará na orgia da Fake Law e da Fake Justice, duas evoluções das Fake News sobre as quais já falei algumas coisas no GGN. De fato, o Mensalão e o filhote dele mais venenoso (refiro-me à Lava Jato) demonstraram que os sistema de justiça está mais do que preparado para esvaziar o conteúdo civilizatório da Constituição Cidadã a fim de transformar ficção em crime, fraude proposital em devido processo legal e abuso criminoso em sentença penal condenatória com objetivos políticos e partidários. Aliás, a utilização de “correlações aberrantes” (artifício retórico clássico da Fake Science tem sido extremamente popular no Brasil desde a Inconfidência Mineira: a sentença condenatória de Tomás Antonio Gonzaga diz textualmente que o fato dele não ter confessado o crime é irrelevante, porque sendo juiz o réu tinha condições de saber como se esquivar durante o interrogatório a que foi submetido a fim de não admitir a própria culpa e participação na conspiração. Portanto, é um erro acreditar que o sistema de justiça ajudará a sociedade a se libertar das garras das notícias falsas e da influência delas na política. O mais provável é que ocorra justamente o inverso, porque os juízes podem ser mais facilmente capturados pelo lado escuro das “correlações aberrantes” do que os cientistas.

  3. Jota.marcelomarcelo.jota

    13 de outubro de 2024 10:19 am

    Além da Industria da desinformação temos a INDÚSTRIA DA NÃO INFORMAÇÂO,peguemos o fato bemn fresco da falta de enrgia em Sampa,dois dias sem energia só q vai MUITO ALÉM,são dois dias SEM ÁGUA E SEM INTERNET TB,ng na imprensa corporativa ou independente está CITANDO isso,um caos como NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DA CIDADE ocorreu,seria incompetência ou má fé?Quantos cidadãos e empresários tendo prejuízos incalculáveis fico pensando ã época do nazismo como demoraram para “descobrir”as horrendas coisas feitas com seres humanos são os mesmos q fazen de heróis Moros,Guedes,Dorias,Bolso e Tarcísio Fritou Freitas Sabeso !!!Obs.Pl na eleição esperava mais só não elegeram mais pq Lula se sacrificou não estimulando a polarização em favor dos aliados q só apunhalam pelas costas ou seja sacrificio pessoal pelo País ng vê isso mas eu vejo afinal o meu mundo é jotamarciano !!!

  4. José de Almeida Bispo

    13 de outubro de 2024 10:27 am

    Exorcizar os demônios plantados desde 2013… tá brabo!

Recomendados para você

Recomendados