4 de junho de 2026

Moscou busca BRICS para compor nova ordem financeira global

País-sede da cúpula anual, Rússia tenta contornar sistema de pagamentos internacional dominado pelo dólar norte-americano
Kazan, cidade russa que irá sediar a Cúpula dos BRICS. Foto: Wikipedia

Líderes de dezenas de países emergentes vão se reunir na cidade de Kazan, ao sudoeste da Rússia, para discutir cooperação política, econômica e de segurança ao longo da próxima semana durante a cúpula dos BRICS.

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Autoridades de 24 países, incluindo China e Irã, se reunirão na cidade russa de Kazan a partir de terça-feira para sua primeira reunião do bloco desde que ele se expandiu este ano para incluir Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul são seus membros fundadores.

Cada vez mais isolada dos países ocidentais, a Rússia tem anunciado o encontro das economias emergentes como seu maior evento de política externa, mas analistas acreditam que não será fácil realizar qualquer acordo substancial.

Para analistas ouvidos pelo site South China Morning Post, a expectativa em torno do encontro dos BRICS envolve inclusive a possibilidade de se obter consenso e conquistas cooperativas, uma vez que as expectativas em torno de um grupo com mais membros, mercados e uma população maior são igualmente maiores.

Além disso, a cúpula ocorre no momento em que a governança global encontra-se “severamente enfraquecida” por conta da guerra em Gaza, e os BRICS podem ser uma “narrativa alternativa” para países asiáticos, africanos e latino-americanos que queiram se distanciar dos países ocidentais.

Os analistas destacam que, embora cada país tenha seu próprio objetivo no encontro, um ponto de união é a crença de que as principais estruturas ligadas à ordem internacional e a economia global eram “injustamente ponderadas” ante o Ocidente.

Com isso, o BRICS seria um esforço para desafiar inclusive o papel arraigado do dólar norte-americano e o peso dos países ocidentais nas instituições internacionais – das instituições de Bretton Woods ao Conselho de Segurança da ONU.

A reunião também seria uma forma de a Rússia mostrar que continua sendo um país influente em termos globais – desde a invasão à Ucrânia em 2022, a economia e o sistema financeiro da Rússia passaram por diversas sanções por parte dos Estados Unidos e de outros mercados ocidentais.

Tais medidas incluem o banimento de instituições russas do Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (Swift), sistema de mensagens de pagamento internacional, que efetivamente negou a eles acesso a mercados internacionais – e a cúpula dos BRICS pode ser a abertura que a Rússia precisa para pressionar por um sistema de pagamentos alternativo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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