4 de junho de 2026

USP pode expulsar alunos por se manifestarem contra Israel

Professora denunciou alunos por informe em assembleia de greve e movimento responde exigindo fim de convênios com Israel.
Professora denunciou alunos por informe em assembleia de greve e movimento responde exigindo fim de convênios com Israel

Cinco alunos da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de serem expulsos da instituição em represália por apoio à causa palestina e o fim dos convênios com universidades israelenses envolvidas diretamente com o sistema de colonização e apartheid. Desde novembro de 2023, eles enfrentam um processo disciplinar movido pela pró-reitoria de graduação. A conclusão deve ocorrer no próximo mês. 

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O processo foi originado após intervenção durante uma assembleia do Centro Acadêmico Favo 22, do curso de Ciências Moleculares, em 23 de outubro de 2023, em que um informe do Comitê de Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino (ESPP-USP) foi distribuído em resposta às mensagens entre os estudantes do curso que pediam doações para o Exército de Israel. O texto apontava a operação militar realizada por forças da resistência palestina em 7 de outubro daquele ano como “histórica” e denunciava a política de “genocídio” por parte da ocupação israelense. 

Após a repercussão negativa, o centro acadêmico Favo 22 tentou se eximir ao reforçar que o texto pertencia à ESPP e alegando repudiar “métodos e a linha político-ideológica reforçada pelo grupo Hamas, que é categoricamente antissemita e de extrema direita”. 

A professora do curso de Ciências Moleculares, Merari de Fátima Ramires Ferrari, encaminhou um relatório sobre a assembleia, propondo punições administrativas aos estudantes envolvidos, que teriam ferido o código de ética da universidade e a Constituição Federal ao supostamente propagar discurso de ódio. O pró-reitor adjunto de graduação da USP, Marcos Garcia Neira, aceitou a justificativa de Ferrari e, em 30 de novembro, determinou a instauração de um processo contra cinco alunos. O trecho evocado por Neira foi aprovado em 1972, durante a ditadura militar, e proíbe a prática de “ato atentatório à moral ou aos bons costumes”, a perturbação dos “trabalhos escolares” e “a manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso”.

De acordo com reportagem da Adusp, a verdadeira motivação da coordenação de Ciências Moleculares em repreender os estudantes seria manter os convênios acadêmicos, apesar da estreita relação das universidades israelenses com a colonização e apartheid cometido contra o povo palestino. 

Em contrapartida, a ESPP-USP organiza uma campanha pelo  rompimento dos acordos acadêmicos da universidade com instituições israelenses, que, segundo os manifestantes, estão envolvidas no genocídio do povo palestino. Mais de 1000 estudantes, funcionários e professores da USP, assim como 25 entidade estudantis e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) promoveram um abaixo-assinado que será direcionado à Reitoria da Universidade e à Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas,seguindo os princípios do movimento internacional BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), um chamado internacional de boicote a Israel feito pela sociedade civil Palestina em semelhança ao movimento de boicote que pôs fim ao apartheid na África do Sul.

Hoje, a USP conta com um “espaço físico dedicado a Israel” na Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), o Israel Corner. Dessa forma, a universidade estabeleceu seis convênios com universidades israelenses: um com a Universidade de Haifa, dois com a Universidade de Ariel e três com a Universidade Hebraica.

O motivo que leva à campanha internacional de boicote acadêmico a algumas instituições israelenses reside em seus vínculos com a política de Estado baseada na colonização e apartheid. Por exemplo, a Universidade de Haifa abriga o departamento de Geoestratégia, fundado por Arnon Soffer, um dos ideólogos da construção dos muros que cercam Gaza e das políticas de assentamentos nas Colinas de Golã, território sírio ilegalmente ocupado por Israel.

Já a Universidade Hebraica de Jerusalém, que mantém dois convênios com a USP, possui um histórico de apoio ao Exército Israelense e ao Serviço de Segurança de Israel. Essa instituição oferece bolsas a estudantes e funcionários que serviram no exército israelense, os quais, segundo manifestos, estão diretamente envolvidos em ataques e assassinatos de civis palestinos, considerados por muitos como ferramentas de genocídio. Além disso, a Universidade Hebraica participa de programas de colaboração com a Divisão de Inteligência Militar de Israel, reforçando sua conexão com as estruturas de opressão contra os palestinos.

Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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8 Comentários
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  1. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    26 de outubro de 2024 12:46 pm

    Inacreditavel essa notícia!!! Quer dizer que a USP permite manifestações à favor de um estado genocida, expansionista e é contra palestina que está sendo dizimada pelo genocidio

    1. Ernesto

      26 de outubro de 2024 3:01 pm

      Coisas de uma academia que às vezes demonstra nâo ter critérios com base sólida e inarredável no humanismo, condição fundamental de qualquer ciência que pretenda promover humanidades e não desumanidades.

    2. Milton

      27 de outubro de 2024 9:22 am

      Inacreditável que o obscurantismo prospere numa universidade. Onde o diverso, a discussão e a multipolaridade deveriam ser acolhidos e defendidos . . .
      Será que defendem o terraplanismo ?
      Ou preferem a roda quadrada ?

  2. AMBAR

    27 de outubro de 2024 3:50 pm

    Pogrom só é crime quando é contra os judeus, quando são eles que fazem, é manifestação da justiça divina.
    Já imaginou quando eles conseguirem impor ao mundo ostensivamente o seu domínio?

    1. Rui Ribeiro

      28 de outubro de 2024 7:34 am

      O problema é QUANDO eles vão conseguir impor o seu domínio ao mundo ou SE eles vão conseguir impor seu domínio ao mundo?

  3. Rui Ribeiro

    27 de outubro de 2024 7:07 pm

    Vdd esse bilete?
    Enquanto isso, Usrael finge bombardear o Irã

  4. Anônimo

    28 de outubro de 2024 6:00 am

    É inaceitável essa punição aos estudantes. Todos os estudantes das universidades públicas devem se levantar contra essa atitude perseguidora e subserviente da cúpula da universidade aos sionistas!

  5. DRA FLÁVIA DJAHJAH

    12 de fevereiro de 2025 1:08 pm

    Esse reitor e a professora que denunciou os 5 alunos TEM QUE SER PUNIDOS!!!
    Arrecadar dinheiro para um regime GENOCIDA ainda em curso e calar as vozes de quem protesta é CRIME !!!

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