4 de junho de 2026

Gaza: Controle biométrico dos palestinos por empresas de mercenários, por Ruben Rosenthal

A concepção do plano parece ter sido do empresário israelo-estadunidense, Mordechai Kahana, CEO da empresa Global Delivery Company (GDC)
Foto aérea mostra a vizinhança de Al Remal, que foi destruída pela aviação israelense, com mais de 50 ataques\10 out. 2023.

do Chacoalhando

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Gaza: Controle biométrico dos palestinos por empresas de mercenários

por Ruben Rosenthal

Se obtido sucesso com o programa piloto, o projeto seria ampliado, podendo levar à perda do controle político da Faixa de Gaza pelo Hamas, acreditam seus proponentes.

Israel poderá contratar mercenários de empresas privadas norte-americanas de logística e de segurança para atuarem na faixa de Gaza, sob o pretexto de promoverem a distribuição de ajuda humanitária aos palestinos. No entanto, só poderiam ter acesso a esta ajuda, a ser distribuída apenas em localidades demarcadas, aqueles que aceitassem se submeter à identificação biométrica, segundo artigo de Yaniv Cogan e Jeremy Scahill, no Drop Site News.

O termo “comunidades cercadas” está sendo utilizado em alguns veículos de mídia, para se referir a estes futuros complexos ou cantões com controle de entrada biométrico. Já o diário isralense Ynet usou o termo “bolhas humanitárias”.

A concepção do plano parece ter sido do empresário israelo-estadunidense, Mordechai Kahana, CEO da empresa Global Delivery Company (GDC), que descreveu seu negócio como “Uber para Zonas de Guerra”. A GDC atualmente emprega diversos ex-oficiais israelenses e norte-americanos de alta patente. O plano para Gaza teria sido aprovado pelo conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.

Conforme os militares israelenses removessem focos de resistência dos palestinos em algumas áreas, bolsões seriam isolados por cercas. As empresas sob contrato assumiriam então a segurança do local, e o controle biométrico para a circulação dos palestinos e distribuição de víveres. Os que recusassem a se submeter à identificação biométrica, teriam negada a ajuda humanitária. Uma verba de 90 milhões de dólares seria disponibilizada para a reconstrução das casas.

A idéia da GDC seria começar com um programa piloto, tendo como parceira, a empresa de segurança Constellis, ligada a antiga empresa de mercenários Blackwater. Esta última esteve associada ao assassinato de 17 civis iraquianos em setembro de 2007. As duas empresas já trabalharam juntas na Ucrânia. Segundo Kahana, a força de segurança a ser empregada consiste de “ex-combatentes, e veteranos de elite dos EUA, Inglaterra e Israel, todos não judeus”.  Se obtido sucesso com o programa piloto, o projeto seria ampliado, podendo levar à perda do controle político da Faixa de Gaza pelo Hamas, acreditam seus proponentes.

Para Israel, a terceirização da ocupação em Gaza, através da contratação de empresas privadas norte-americanas, poderia ser uma forma de livrar o país da pecha de nação ocupante. Entretanto, Israel e EUA podem não ter a palavra final sobre o futuro político da Faixa de Gaza, em um cenário no qual Hamas e Hezbollah estivessem militar e politicamente enfraquecidos para resistir a outros desígnios. Atores regionais, como Irã, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos têm interesses e visões próprias sobre o futuro de toda a região, que um dia foi conhecida como Palestina.

colônias judaicas em Gaza
Mapa de assentamentos de colonos judeus, conforme propostos em conferência de ultranacionalistas israelenses judeus. \ Jerusalém, janeiro 2024

Enquanto isso, colonos ultranacionalistas judeus, apoiados por vários ministros de extrema-direita do gabinete de Netanyahu, reunidos em uma conferência realizada em Jerusalém no início do ano, já divulgaram um mapa da Faixa de Gaza, mostrando a disposição de futuras colônias judaicas: “Yishai será construída nos arredores da cidade devastada de Beit Hanoun; Maoz, na costa sul de Gaza, e os Portões de Gaza, na cidade destruída de Khan Younis. Haveria também uma área dedicada de assentamento Haredi (grupo ortodoxo), chamada “Hessed La’alafim”, ao sul de Rafah”.

Está nas mãos dos palestinos, resistir à implementação de soluções e projetos que não se coadunem com a causa de autodeterminação de seu povo. O foco inicial deveria ser em um processo de reconciliação nacional, em que todas as facções, incluindo o Hamas, ficassem sob a égide da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). A partir daí uma liderança reconhecida seria escolhida para tomar decisões sobre o futuro do projeto nacional palestino, e representar o país internacionalmente.

Os obstáculos a superar são imensos, e o povo palestino precisará da solidariedade internacional para enfrentar o projeto sionista de supremacia étnica-religiosa.

Ruben Rosenthal é professor aposentado da UENF, responsável pelo blogue Chacoalhando e pelo programa de entrevistas Agenda Mundo, veiculado no canal da TV GGN e da TV Chacoalhando.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    27 de outubro de 2024 10:58 pm

    Isso está cheirando podridão! Pelo que eu saiba Gaza ainda não pertence a Israel para os sionistas planejarem construir uma cidade prisão ou neo campo de concentração!!! Governos do mundo inteiro, a maioria covardemente cúmplices de israel ACORDEM

Recomendados para você

Recomendados