Jair Bolsonaro negou envolvimento e disse que não pediu ao então diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, para fazer campanha eleitoral em 2022. Vasques é acusado de favorecer Jair Bolsonaro nas eleições, ao divulgar apoio nas redes sociais, participar de entrevistas e eventos e uso da Polícia para bloquear estradas em redutos eleitorais de Lula, no domingo eleitoral.
O ex-diretor da Polícia, que havia sido nomeado por Jair Bolsonaro ao cargo, chegou a ser preso preventivamente em 2023, pelas acusações de beneficiar Bolsonaro na então campanha eleitoral.
No depoimento, apesar de caminhar na linha da defesa de Vasques de que ele não teria solicitado votos ao então mandatário para reeleição, Bolsonaro não o protegeu completamente das acusações, afirmando somente que não solicitou a ele que cometesse as irregularidades das quais é acusado.
Ele foi solto em agosto deste ano, após quase um ano de prisão, mas continuou a usar tornozeleira eletrônica. Para a sua soltura, Vasques não foi inocentado: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, considerou que ele não oferecia mais risco às investigações em andamento.
As investigações apontam para o uso político da Polícia Federal Rodoviária e improbidade administrativa. Vasques participou de eventos oficiais, defendeu abertamente a reeleição de Jair Bolsonaro e realizou operações de fiscalização de veículos, no segundo turno das eleições, com carros da Polícia Rodoviária paralisando motoristas em estradas que davam acesso a locais de votação com alto apoio eleitoral do presidente Lula.
O caso culminou na abertura de uma investigação na Controladoria-Geral da União (CGU), que levanta oito irregularidades, e que pode resultar na cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques. Inicialmente apontado de riscos de interferência às investigações, ele foi preso preventivamente.
Mas entre as testemunhas chamadas a depor para fazer a sua defesa, Bolsonaro participou presencialmente, nesta terça-feira (05), e afirmou que não pediu que o ex-diretor da PRF fizesse campanha eleitoral para ele.
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