Instituições do setor privado devem investir financeiramente na economia de baixo carbono, caso contrário, possivelmente poderão enfrentar consequências de um colapso climático, de acordo com Mukhtar Babayev, presidente da COP29 e ministro do Meio Ambiente do Azerbaijão.
“O ônus não pode recair inteiramente sobre os cofres do governo. Liberar o financiamento privado para a transição dos países em desenvolvimento tem sido uma ambição das negociações climáticas há muito tempo (…) Sem o setor privado, não há solução climática. O mundo precisa de mais fundos e precisa deles mais rápido. A história mostra que podemos mobilizar os recursos necessários; agora é uma questão de vontade política”, enfatizou o presidente durante a abertura da cúpula climática da ONU em Baku.
A COP29 atualmente conta com um conjunto de quase 200 países que buscam um novo acordo para fornecer financiamento para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar aos impactos de eventos climáticos extremos.
Os países em desenvolvimento pedem que o financiamento climático aumente dos atuais US$100 bilhões anuais para pelo menos US$1 trilhão por ano até 2035.
A reunião teve sua atenção perdida após a confirmação da reeleição de Donald Trump, que anteriormente prometeu remover os EUA do acordo climático de Paris e descartar compromissos de corte de emissões de carbono.
Não tendo o apoio dos Estados Unidos, os países desenvolvidos se encontrarão em uma situação mais complicada para conseguir atingir as metas de financiamento climático, buscando assim, outras maneiras de atingir a marca.
O debate sobre o financiamento para combater as mudanças climáticas está dividido entre o apoio público e a participação privada, com muitos especialistas destacando os desafios de uma transição sustentável para os países em desenvolvimento. Babayev apontou a falta de recursos globais suficientes para financiar a transição para energia limpa nesses países, apenas com subsídios governamentais ou financiamento concessional.
Mariana Paoli, chefe global de advocacia da Christian Aid, defende que o financiamento público é essencial, pois os governos fornecem subsídios que atendem melhor às necessidades dos países em desenvolvimento, sem agravar a crise da dívida.
“O financiamento governamental é muito melhor do que o financiamento privado quando se trata de lidar com as mudanças climáticas. Os governos são os únicos capazes de fornecer financiamento na forma de subsídios, que são a única maneira de atender às crescentes necessidades dos países em desenvolvimento para lidar com a crise climática. O financiamento privado é guiado por lucros e quase sempre são empréstimos, piorando assim a crise da dívida que muitos países em desenvolvimento estão enfrentando”, disse Mariana.
Simon Stiell, chefe do clima da ONU, alertou sobre os riscos econômicos de depender de combustíveis fósseis e da falta de ação climática, frisando que todos os países devem contribuir, não por caridade, mas por interesse próprio. Ele enfatizou a necessidade de uma meta de financiamento climático ambiciosa para o benefício de todas as nações.
com informações do The Guardian
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