10 de junho de 2026

Frente China-UE pode conter restrições de Trump, diz Lamy

Ex-chefe da OMC pediu para diferenças sejam resolvidas e que exista um trabalho conjunto pelo comércio global no segundo mandato do americano
Foto de Wolfgang Weiser via pexels.com

A China e a União Europeia precisam abordar e resolver suas diferenças para formar uma frente unida contra um “triunfante” Donald Trump, segundo o ex-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.

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“Os 80% das potências comerciais não americanas neste planeta, presumo, ainda podem manter o comércio aberto entre si e decidir o que fazer com os EUA”, disse Lamy em entrevista ao site South China Morning Post.

O ex-diretor da OMC destacou ainda que Trump vai representar problemas não apenas para a China, mas também para a União Europeia e outros mercados que são parceiros comerciais dos Estados Unidos.

A avaliação de Lamy – atual professor honorário da China Europe International Business School e que esteve à frente da OMC entre 2005 e 2013 – ocorre no momento em que aumentam as preocupações sobre o futuro da globalização após a eleição que reconduziu Trump para um segundo mandato presidencial na última semana.

Em seu primeiro mandato, Trump não apenas paralisou as funções de apelação da OMC como lançou uma guerra comercial contra a China, onde cerca de US$ 300 bilhões em produtos foram taxados para conter o déficit norte-americano.

Ao longo da campanha eleitoral, Trump não apenas prometeu aumentar as tarifas sobre os produtos chineses para entre 60% a 100%, mas destacou que irá adotar uma tarifa geral de 10% a 20% sobre todas as outras importações norte-americanas.

“Resolver conflitos”

Enquanto Trump comemora sua vitória, o Ministério do Comércio chinês divulgou um comunicado após a divulgação do resultado afirmando que o país está buscando “resolver conflitos” com o próximo governo.

“A China está disposta a fortalecer a comunicação, expandir a cooperação e resolver conflitos com os Estados Unidos de acordo com os princípios de respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha”, disse a porta-voz do Ministério do Comércio (Mofcom), He Yongqian, em entrevista na última quinta-feira.

Na ocasião, ela destacou que o governo chinês busca “promover conjuntamente o desenvolvimento das relações econômicas e comerciais China-EUA em uma direção estável, saudável e sustentável que beneficiaria ambos os países e o mundo”.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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