4 de junho de 2026

Dilma sanciona o Marco Civil da Internet

Jornal GGN – O Projeto de Lei do Marco Civil da Internet foi aprovado pela presidente Dilma Rousseff, durante o discurso de abertura para o NET Mundial, hoje (23). O anúncio foi aplaudido amplamente.

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Dilma ressaltou a importância de como o Marco Civil da Internet foi criado, com o alinhamento à discussão da população conectada, que ajudou com sugestões e opiniões. “O Marco Civil foi ainda mais valorizado pelo seu processo de construção (…), a partir do amplo processo interno de contribuições, que resultou na lei, aprovada ontem pelo Congresso Nacional, e que eu tive a honra de sancionar agora há pouco”, disse a presidente.

Desde o início do ano, os bastidores do Congresso já anunciavam a importância da aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara e no Senado antes de o Brasil receber o Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet – NET Mundial, em São Paulo.

Hoje é o primeiro dia do evento.  E a liberação do Congresso ocorreu a tempo. O projeto foi aprovado ontem (22), a noite, pelo Plenário do Senado, em meio a discussões acaloradas e pressões de todos os lados: enquanto a bancada governista pressionava pela agilidade, a oposição pedia 48 horas para o projeto ser novamente revisto.

“O Marco Civil é inovador, porque em seu processo ecoaram as vozes das ruas, das redes e das instituições”, disse Dilma. “E eu gostaria de dizer a vocês uma questão fundamental, o Brasil deu um grande passo no processo pelo qual nós incluímos e garantimos: a renda a uma parte dessa população, e tão importante quanto a renda, é o acesso a internet, tão importante quanto a renda é a garantia da liberdade dos cidadãos, que têm opiniões próprias e a expressam. Tal a importância da internet”, afirmou.

O NET Mundial está reunindo entidades internacionais de vários setores envolvidos com a governança da Internet, organizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, e se estende até amanhã (24).

“Esta reunião responde a um anseio global, pelo fortalecimento sistemático da liberdade de expressão na internet e proteção a direitos humanos básicos, como é o direito a privacidade e direito a tratamento das discussões de forma respeitosa, garantindo o caráter democrático e aberto”, confirmou Dilma.

Diante do momento de efervescência mundial de discussões sobre a liberdade da internet, a regulação dela e o direito a privacidade, a presidente defendeu que as comunicações são invioláveis, salvo por decisões judiciais específicas.

“Em 2013, as revelações sobre os mecanismos de espionagem e monitoramento coletivo provocaram indignação e repúdio. No Brasil, empresas e a presidência tiveram comunicações interceptadas. Esses fatos são inaceitáveis e continuam sendo, eles atentam contra a natureza da internet, aberta, plural e livre”, enfatizou.

Outro assunto que gerou bastante polêmica durante os processos de análise da Câmara e do Senado é a neutralidade da rede. Sobre isso, Dilma destacou: “Algo muito importante [no projeto]: consagra a neutralidade da rede, que é uma conquista que nós conseguimos, ao longo desse processo, tornar consensual. As empresas não podem bloquear, filtrar o conteúdo dos pacotes, elas devem proteger os usuários”.

Ao discursar que “o Brasil defende que a internet seja multissetorial, multilateral, democrática e transparente” e que considera “o modelo multissetorial a melhor forma de exercício da governança da internet”, Dilma foi novamente interrompida pelos aplausos.

“Esses milhões de usuários que se multiplicam a cada dia, aqui e nos países em desenvolvimento, nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais, eles enriquecem a rede com outras ideias, outras narrativas, outras visões de mundo. Essas pessoas fazem a internet mais forte e universal, e em nome delas e porcausa delas que eu agradeço a presença de todos vocês aqui. Para nós, a internet é um instrumento moderno, emancipador e transformador da nossa realidade”, concluiu a presidente, abrindo o Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet – NET Mundial.

Ouça a íntegra do discurso:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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9 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    23 de abril de 2014 4:26 pm

    Gostaria de uma comparação simples

    entre as manchetes da mídia ecoando as inúmeras “derrotas” da Dilma no Congresso, e o resultado final, i.e. as leis aprovadas e as não aprovadas.

    Tenho a impressão que essas tais manchetes são frutos dos desejos dos donos da mídia, mas tem uma ligação muito ténue com a tal de realidade.

  2. Ivan de Union

    23 de abril de 2014 4:48 pm

    Superbo!  Um brilhante

    Superbo!  Um brilhante discurso!

  3. peregrino

    23 de abril de 2014 6:58 pm

    agora sim…

    é que temos o que podemos chamar de quarto poder………….

    muito tempo acreditando que era a imprensa, e a imprensa me fazendo de bobo o tempo todo,

    atuando como partido de oposição e judiciário de esquina

     

    já temos nossa cidade do futuro, nossa internet democrática

  4. Derli

    23 de abril de 2014 7:20 pm

    Só o marco é pouco.

    Não adianta um marco civil se a banda continua ESTREITA.

  5. +almeida

    23 de abril de 2014 7:33 pm

    A aprovação do Marco Civil

    A aprovação do Marco Civil consolidou a Salvaguarda que os internautas tanto ansiavam. De agora em diante, a mídia vendida e porta voz dos rentistas e traidores da pátria terão que andar pisando em ovos para não se estreparem. De agora em diante, a mídia vendida terá vigilantes concorrentes, que denunciarão cada montagem, cada edição,cada factóide, cada mentira, cada sonegção e cada malfeito que ela está acostumada a produzir de baixo dos narizes das falidas autoridades do ministério das comunicações e do judicário. De agora em diante, a população saberá onde encontrar a verdade dos fatos, que por longos anos é varrida para baixo dos tapetes protetores da elite e dos protegidos da mídia despudorada.

    1. Ivan ricar

      23 de abril de 2014 9:34 pm

      Meu caro eu concordo
      Meu caro eu concordo plenamente!
      E te digo mais eu não conseguiria fazer um comentário melhor que este.

  6. aliancaliberal

    23 de abril de 2014 8:14 pm

    (Sem título)

    1. Alan Souza

      23 de abril de 2014 8:55 pm

      Ô vontade…

      … de ser lambaio dos EUA, hein?

  7. MarcioGM

    24 de abril de 2014 3:49 pm

    Censura
    Seus otários! Quero ver o que vão valar quando os corruptos comessarem a acionar os “juizados especiais” para antecipar a remoção de conteúdo teoricamente “contra a honra” e “de dano irreparável ou de difícil reparação”. Basta um juiz comprado, o que tem aos montes, para censurar uma denúncia. § 3º As causas que versem sobre ressarcimento por danos decorrentes de conteúdos disponibilizados na Internet relacionados à honra, à reputação ou a direitos de personalidade bem como sobre a indisponibilização desses conteúdos por provedores de aplicações de Internet poderão ser apresentadas perante os juizados especiais.§ 4º O Juiz, inclusive no procedimento previsto no § 3º, poderá antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, existindo prova inequívoca do fato e considerado o interesse da coletividade na disponibilização do conteúdo na Internet, desde que presentes os requisitos de verossimilhança da alegação do autor e de fundado receio de danoirreparável ou de difícil reparação.

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