5 de junho de 2026

Ministro da Agricultura apoia boicote ao Carrefour Brasil, após francesa suspender importações de carne do Mercosul

Ministro ressaltou que França compra carne brasileira há 40 anos. No entanto, apenas agora tenta colocar barreira comercial

Em entrevistas concedidas nesta segunda-feira (25), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, demonstrou apoio ao boicote dos frigoríficos brasileiros, que decidiram suspender o fornecimento de carne ao grupo Carrefour no Brasil após a decisão da matriz em suspender a compra de carnes do Mercosul.

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A decisão da rede de supermercados francesa foi anunciada na última quarta-feira (20), pelo CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard. Ele justificou a medida a partir do “o risco de inundação do mercado francês com carne que não atende às suas exigências e normas”.

“Não é pelo boicote econômico. O problema é a forma com que o CEO do Carrefour tratou, o primeiro parágrafo da carta, da manifestação dele, que fala com relação à qualidade sanitária das carnes brasileiras, que é inadmissível falar”, defendeu Fávaro em entrevista à Globonews.

O ministro ressaltou ainda que a França compra a carne brasileira há 40 anos. No entanto, apenas agora tentou colocar uma barreira comercial.

“Estou feliz com a atitude dos nossos fornecedores. Se para o povo francês, o Carrefour não serve para comprar carne brasileira, o Carrefour também não compre carne brasileira para colocar nas suas lojas aqui no Brasil”, continuou o ministro.

Carlos Fávaro destacou ainda que o boicote tem o apoio da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que reúne 43 empresas responsáveis por 98% da carne negociada em mercados internacionais.

Atualmente, a França responde por 0.5 da venda internacional de carne o Brasil.

Em entrevista à Folha, Fávaro classificou como inadmissível o questionamento sobre a qualidade da carne brasileira, tendo em vista que o país hoje exporta para 170 países.

“Quando a França começa a falar e duvidar da nossa carne, querendo fazer embargo econômico através de pretextos sanitários e ambientais, nós vamos ter a altivez de responder”, emenda.

Resposta

Após a polêmica, o Carrefour França informou que a decisão de deixar de comprar carne do Mercosul se aplica apenas às lojas francesas, mas que os demais países onde a rede tem operação não precisam seguir a medida.

Mesmo assim, além dos fornecedores de carne bovina, os de frango também aderiram ao boicote. Em nota, também divulgada nesta segunda-feira (25), a filial brasileira lamentou a situação e reafirmou confiança na agropecuária do Brasil.

“Infelizmente, a decisão pela suspensão do fornecimento de carne impacta nossos clientes, especialmente aqueles que confiam em nós para abastecer suas casas com produtos de qualidade e responsabilidade”, continuou a empresa em nota.

Opinião pública

A formalização do acordo entre Mercosul e União Europeia criaria um mercado comum estimado em R$ 274 bilhões em produtos manufaturados e agrícolas. Mas o povo francês, no entanto, é contrário à proposta e realizou protestos ao longo de novembro depois que os parlamentares demonstraram esforço para concluir o novo acordo comercial.

Os produtores franceses afirmam que a importação de carnes brasileiras cria uma concorrência desleal e que os produtos não cumprem regras ambientais exigidas pelo mercado europeu.

*Com informações do G1 e Folha.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Lucas Reis

    25 de novembro de 2024 4:05 pm

    Carrefour nos últimos anos ficou envolvido em uma série de escândalos que poderiam sim, justificar boicotes e sanções, alguns casos: perseguição de mulher negra no PR (a mesma se despiu como forma de protesto), morte de uma pessoa dentro do estabelecimento, onde cobriram seu corpo com um pedaço de lona e mantiveram as atividades como se nada tivesse acontecido e, por fim, o mais marcante deles; a morte de um usuario pelos seguranças do local. Daí, quando os franceses boicotam as exportações e, lembremos, a exortação agropecuária no Brasil e extremamente prejudicial ao mercado doméstico, daí decide-se boicotar a rede. Os Franceses tem seus motivos para não aderir a esse acordo, mas os moldes deste acordo vão diametralmente contra a própria ideia de industrializacao no país e, sobretudo e mais importante, vai encarecer ainda mais os produtos dentro do mercado nacional, já que a maioria de nossa produção, que e primaria, estara saindo do país. Estou um pouco preocupado com o editorial da ggn que poderia fazer menção de maneira mais contudente o significado desse acordo para a Franca e para o Brasil.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    25 de novembro de 2024 5:01 pm

    O truque usado por Emmanuel Macron (proibir informalmente a importação de carne brasileira) não vai obrigar o Brasil a entrar na guerra. O mais provável é que a França deixará de vender queijos e vinhos no Brasil.

  3. Douglas da Mata

    26 de novembro de 2024 9:16 am

    Um amigo meu da UENF escreveu, e eu assino embaixo:

    https://blogdopedlowski.com/2024/11/26/no-boicote-ao-carrefour-latifundiarios-mostram-que-carne-vermelha-vale-muito-mais-do-que-o-direito-a-vida-dos-negros-brasileiros/

    “A carne mais barata do mercado é a carne negra.”

    As potências europeias “c*gam” na cabeça dos brasileiros há pelo menos 520 anos, e o que une a elite nacional é 0.5% do mercado francês de carne.

    Ulá-lá…

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