Em entrevistas concedidas nesta segunda-feira (25), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, demonstrou apoio ao boicote dos frigoríficos brasileiros, que decidiram suspender o fornecimento de carne ao grupo Carrefour no Brasil após a decisão da matriz em suspender a compra de carnes do Mercosul.
A decisão da rede de supermercados francesa foi anunciada na última quarta-feira (20), pelo CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard. Ele justificou a medida a partir do “o risco de inundação do mercado francês com carne que não atende às suas exigências e normas”.
“Não é pelo boicote econômico. O problema é a forma com que o CEO do Carrefour tratou, o primeiro parágrafo da carta, da manifestação dele, que fala com relação à qualidade sanitária das carnes brasileiras, que é inadmissível falar”, defendeu Fávaro em entrevista à Globonews.
O ministro ressaltou ainda que a França compra a carne brasileira há 40 anos. No entanto, apenas agora tentou colocar uma barreira comercial.
“Estou feliz com a atitude dos nossos fornecedores. Se para o povo francês, o Carrefour não serve para comprar carne brasileira, o Carrefour também não compre carne brasileira para colocar nas suas lojas aqui no Brasil”, continuou o ministro.
Carlos Fávaro destacou ainda que o boicote tem o apoio da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que reúne 43 empresas responsáveis por 98% da carne negociada em mercados internacionais.
Atualmente, a França responde por 0.5 da venda internacional de carne o Brasil.
Em entrevista à Folha, Fávaro classificou como inadmissível o questionamento sobre a qualidade da carne brasileira, tendo em vista que o país hoje exporta para 170 países.
“Quando a França começa a falar e duvidar da nossa carne, querendo fazer embargo econômico através de pretextos sanitários e ambientais, nós vamos ter a altivez de responder”, emenda.
Resposta
Após a polêmica, o Carrefour França informou que a decisão de deixar de comprar carne do Mercosul se aplica apenas às lojas francesas, mas que os demais países onde a rede tem operação não precisam seguir a medida.
Mesmo assim, além dos fornecedores de carne bovina, os de frango também aderiram ao boicote. Em nota, também divulgada nesta segunda-feira (25), a filial brasileira lamentou a situação e reafirmou confiança na agropecuária do Brasil.
“Infelizmente, a decisão pela suspensão do fornecimento de carne impacta nossos clientes, especialmente aqueles que confiam em nós para abastecer suas casas com produtos de qualidade e responsabilidade”, continuou a empresa em nota.
Opinião pública
A formalização do acordo entre Mercosul e União Europeia criaria um mercado comum estimado em R$ 274 bilhões em produtos manufaturados e agrícolas. Mas o povo francês, no entanto, é contrário à proposta e realizou protestos ao longo de novembro depois que os parlamentares demonstraram esforço para concluir o novo acordo comercial.
Os produtores franceses afirmam que a importação de carnes brasileiras cria uma concorrência desleal e que os produtos não cumprem regras ambientais exigidas pelo mercado europeu.
*Com informações do G1 e Folha.
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Lucas Reis
25 de novembro de 2024 4:05 pmCarrefour nos últimos anos ficou envolvido em uma série de escândalos que poderiam sim, justificar boicotes e sanções, alguns casos: perseguição de mulher negra no PR (a mesma se despiu como forma de protesto), morte de uma pessoa dentro do estabelecimento, onde cobriram seu corpo com um pedaço de lona e mantiveram as atividades como se nada tivesse acontecido e, por fim, o mais marcante deles; a morte de um usuario pelos seguranças do local. Daí, quando os franceses boicotam as exportações e, lembremos, a exortação agropecuária no Brasil e extremamente prejudicial ao mercado doméstico, daí decide-se boicotar a rede. Os Franceses tem seus motivos para não aderir a esse acordo, mas os moldes deste acordo vão diametralmente contra a própria ideia de industrializacao no país e, sobretudo e mais importante, vai encarecer ainda mais os produtos dentro do mercado nacional, já que a maioria de nossa produção, que e primaria, estara saindo do país. Estou um pouco preocupado com o editorial da ggn que poderia fazer menção de maneira mais contudente o significado desse acordo para a Franca e para o Brasil.
Fábio de Oliveira Ribeiro
25 de novembro de 2024 5:01 pmO truque usado por Emmanuel Macron (proibir informalmente a importação de carne brasileira) não vai obrigar o Brasil a entrar na guerra. O mais provável é que a França deixará de vender queijos e vinhos no Brasil.
Douglas da Mata
26 de novembro de 2024 9:16 amUm amigo meu da UENF escreveu, e eu assino embaixo:
https://blogdopedlowski.com/2024/11/26/no-boicote-ao-carrefour-latifundiarios-mostram-que-carne-vermelha-vale-muito-mais-do-que-o-direito-a-vida-dos-negros-brasileiros/
“A carne mais barata do mercado é a carne negra.”
As potências europeias “c*gam” na cabeça dos brasileiros há pelo menos 520 anos, e o que une a elite nacional é 0.5% do mercado francês de carne.
Ulá-lá…