10 de junho de 2026

TVGGN: O que será da Síria após a queda de Assad?

Situação ainda é imprevisível, mas representa vitória para Israel e Turquia, além de provável derrota de Zelensky na guerra da Ucrânia
Crédito: Reprodução/ TVGGN

O programa TVGGN da última segunda-feira (9) recebeu o cientista político Pedro Costa Jr. e o professor de Geopolítica James Onnig para comentar o principal assunto do final de semana, que foi a queda do ditador Bashar al-Assad, ex-presidente da Síria. 

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Questionado sobre o que esperar da Síria, Onnig afirmou que a situação é muito complexa, tendo em vista uma série de variáveis muito sutis. No entanto, ele adianta que a tomada do governo pelos rebeldes sírios foi uma vitória da dupla Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Recep Erdoğan, presidente da Turquia.

“Eles conseguiram, através de uma movimentação geopolítica muito intensa, aproveitando situações tanto na região do sul do Líbano quanto na região da Ucrânia, polarizar as forças chamadas rebeldes, muitos deles mercenários que estão atuando hoje na Síria, e empurraram então o exército sírio para uma sinuca de bico”, explica o professor de Geopolítica.

As forças armadas da Síria já estavam debilitadas em função dos custos da guerra civil que se arrastava desde 2011, além das deserções das últimas semanas, tendo em vista o anúncio violento de que haveria um derramamento de sangue se Assad continuasse no governo. 

Para Costa Jr., a situação ainda parece imprevisível, tendo em vista que os rebeldes são “uma espécie de jihadistas salafistas de aluguel” e que Assad era visto como um moderado quando ascendeu ao poder, em 2000, comprometendo-se com os Estados Unidos a não usar armas químicas.  

O cientista político também explica a relação entre a Síria e a Rússia a partir de 2015, quando o presidente russo, Vladimir Putin, passou a apoiar oficialmente a Síria, junto com o Irã e o Hezbollah.

“É esse é o contexto geral: nos últimos anos, o que que nós vemos são dois fenômenos. Nós temos a guerra na Ucrânia, que vai enfraquecer a manutenção militar russa na Síria, o principal parceiro do Assad, que hoje está refugiado em Moscou, e depois a guerra na Palestina, na Cisjordânia, em Gaza e depois no Líbano. É um projeto de Netanyahu. Isso vai ser decisivo para retirar também o apoio do Irã, das forças iranianas e do Hezbollah. O chamado eixo da resistência então isso enfraqueceu”, explica o também apresentador da TVGGN.

Neste cenário, saem vencedores da queda de Assad o eixo composto pela Turquia, EUA e Otan, enquanto Rússia, Irã e Hezbollah saem enfraquecidos e tornam o cenário completamente imprevisível. 

No entanto, como o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deve retirar a retaguarda americana da Ucrânia, é provável que a Rússia consiga anexar territórios ucranianos e tenha uma vitória nos próximos meses. 

“Trump está construindo, através dos seus discursos antes da posse, uma ideia de que alguma solução precisa ser organizada para a Ucrânia. Essa solução parece que tem que satisfazer principalmente o Putin, que tem força naquela região, está muito bem armado, as suas bases são muito bem guarnecidas ele pode estender essa guerra não ad aeternum, mas ele pode estender essa guerra. A grande transformação que eu vejo nas próximas semanas ou meses é que, se entregaram a cabeça do Assad de um lado, vão entregar a cabeça do Zelensky do outro”, continua Onnig. 

Confira o debate na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Douglas da Mata

    10 de dezembro de 2024 6:38 pm

    Nassif.

    Uma coisa me intriga e talvez seja respondido pelos convidados.

    A posição da Rússia (leia-se China).

    O suposto afrouxamento do apoio de Putin ao Assad não tem causas logístico militares, penso eu.

    Rússia tem cacife para operar na Ucrânia e na Síria.

    Eu tenho comigo uma suspeita.

    A China, malandra que é, sabedora de que a fragmentação da Síria em mil pedaços lhe é favorável, “soprou” a dica para Putin.

    Resultado, Irã vai ter que desovar seu petróleo para os chineses, pelo resultado óbvio das dificuldades em transporte pela região.

    Ao mesmo tempo, no resto do planeta sobe o preço, aumentando a tensão inflacionária nos EUA, ao mesmo tempo que os chineses aumentam suas reservas a preço baixo.

    Tirei essas conclusões a partir do ótimo texto do Escobar, sobre sino-russos e a reinvenção da mitologia grega.

    Também acho que os efeitos dessa fragmentação atingem EUA e Israel no médio prazo.

    E sim, a Turquía, de inicio se fortalece, mas não sei quanto tempo de dura essa vantagem, porque instabilidade vizinha sempre é um risco.

  2. Douglas da Mata

    10 de dezembro de 2024 7:47 pm

    Em tempo, curdos apoiados pela Turquía combatem hoje curdos apoiados pelos EUA.

    Ou seja…

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