4 de junho de 2026

Síria: Rússia confirma asilo a Assad e Brasil manifesta preocupação

Entenda o conflito interno na Síria, como os ataques de Israel enfraquecem o território e o apoio de Putin
O presidente russo Vladimir Putin e o presidente sírio Bashar al-Assad - Foto: Vladimir Gerdo, TASS

A Rússia confirmou que concedeu o asilo político ao ex-presidente da Síria, Bashar al-Assad, em meio ao colapso do governo da Síria, com uma ofensiva rebelde que culminou em sua depoisção.

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Entenda o conflito interno

Os conflitos internos tiveram início na última semana de novembro, com o objetivo de depor o governo de Assad, considerado por eles um ditador. Cidades como Aleppo, Hama e Homs já estavam completamente sob o controle da oposição na última semana.

Há mais de 10 anos, o regime de Assad abriu as portas da Síria para uma cruenta guerra civil que se mantinha até hoje. Contudo, o grupo de rebeldes, Hay’at Tahrir Al-Sham (HTS), que tomou conta dos territórios, tampouco é considerado um apaziguador e pode desencadear conflitos maiores na região.

Apesar de nascer de um conflito divergente dos ataques de Israel na região, mas ocorre em meio ao enfraquecimento do Hezbollah e do Irã, com os ataques intensos das Forças de Defesa de Israel.

Anteriormente, o governo de Netanyahu já havia bombardeado as bases do governo Assad e a ofensiva do grupo ocorreu no momento cítico da Síria na mira de novos ataques.

Concomitante a ataques de Israel

Não à toa, neste domingo (08) e segunda-feira (09), Israel fez bombardeios a Síria, em uma ofensiva que teria sido descrita pelo país como “limitada e temporária” para supostamente garantir a “segurança de Israel”. Os ataques teriam sido em locais de armas químicas e foguetes de longo alcance da Síria para que não caíssem nas mãos de “extremistas”.

Mas os ataques foram interrompidos após a Rússia confirmar que o presidente Vladimir Putin concedeu o asilo a al-Assad de forma “pessoal”.

Rússia se posiciona a favor de Assad

Ainda neste domingo (08), jornais russos confirmaram que fontes do país informaram o asilo “por razões humanitárias” ao ex-líder da Síria e sua família.

Também na manhã desta segunda (09), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, desmentiu que Bashar al-Assad estava morto, uma notícia que teria sido divulgada por agências de notícias no final de semana.

“Enquanto o Ocidente afirma estar a combater a desinformação, os seus principais meios de comunicação social estão a produzi-la em massa. A realidade? Assad está são e salvo, recebido com sua família em Moscou sob a proteção da Rússia”, disse.

Brasil adota cautela e manifesta preocupação

Em meio aos gestos críticos da região, com a deposição de Assad, o apoio recebido pela Rússia e os bombardeios de Israel, outros países do mundo mantiveram a cautela para se manifestar, entre eles o Brasil.

O governo Lula decidiu não mostrar tom que favorecesse qualquer dos lados dos conflitos – Assad ou o grupo rebelde e a Rússia ou Israel, e apenas manifestou “preocupação” com a intensificação da crise na região.

“O governo brasileiro acompanha com preocupação a escalada de hostilidades na Síria”, escreveu o Itamaraty, em nota. A paste pediu, ainda, uma solução pacífica e orientou os brasileiros – há cerca de 3,5 mil na Síria – a deixar o país.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    9 de dezembro de 2024 1:59 pm

    Os maníacos democráticos cortadores de cabeças amantes da paz que ascenderam ao poder na Síria juraram solenemente fazer propaganda apenas das “made in USA” no Facebook, Twitter, Google e Amazon. Do ponto de vista deles essas são as melhores ferramentas para lidar com minorias religiosas indesejadas, eu supondo. Um vigoroso mercado de cabeças começará a se desenvolver em breve, porque qualquer interessado poderá ver vídeos sobre técnicas tradicionais de encolhimento de cabeça dos aborígenes de Papua-Nova Guiné e adquirir matéria prima fresca fornecida pelo novo regime sírio.

  2. Rui Ribeiro

    10 de dezembro de 2024 5:27 am

    Os EUA e os demais países do Ocidente aceitarão um governo da Al Qaeda?
    Ou inimigos, inimigos, negócios à parte?

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