19 de junho de 2026

Faltou o Garrincha na Ucrânia, por Percival Maricato

Os leitores e telespectadores dos jornais brasileiros estão cada vez mais confusos com respeito à Ucrânia.

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Não foram poucas as manifestações pela deposição do presidente eleito,mas apresentadas como  sendo de toda a população, unida na causa comum de levar o país a alinhar-se com o Ocidente. Já era difícil entender, pois como explicar essa unanimidade no país se havia um presidente eleito pelo voto universal, defendendo outra opção? Bem, ante a avalanche de manchetes, fotos, filmes, notícias, não poderia haver dúvida. Pode ser que os eleitores do tal presidente tivessem se arrependido.

Com tanta revolta atualmente, mais parece que faltou alguém como o Garrincha nessa confusão toda. Uma estória famosa diz que o craque do Botafogo ouvia o Feola explicar como os brasileiros deveriam atacar no jogo contra os russos, priorizando a ponta esquerda, atraindo a defesa russa para lá, para depois atacar pela direita, que estaria mais livre de defensores e etc. Ao final , intrigado, perguntou Garrincha:  “puxa seu Feola, o Sr combinou tudo isso com os russos?”

Os ucranianos deviam ter combinado com os russos. É isso que o presidente  eleito e deposto queria. O fato é que agora se vê que cada vez mais províncias e cidades se revoltando contra o novo governo, que por sua vez é resultado de um golpe típico, que seria denunciado em manchetes por pelo menos uns trinta dias, se fosse dado por forças anti-ocidente.

Na Criméia, uma consulta a população, com comparecimento de 92%, revelou que mais de 80% repeliam o golpe e preferiam se juntar aos russos. Será que nossos jornais não descobriram isso antes?

Obama e Cia esperneiam, mas até o governo golpista da Ucrânia já  vem cedendo e reconhecendo a situação de fato.  Quando interessa, os EUA pregam a autodeterminação dos povos (foi assim com todas as províncias que quiseram se separar da Servia). No caso só os ucranianos teriam esse direito, segundo Obama.

Interessante lembrar que na década de sessenta do século passado, a província francesa de Quebec, no Canadá tentava obter sua independência política. Houve uma consulta entre os eleitores e o resultado foi  uma vitória pela manutenção da integração ao Canadá, pela diferença de 1%. O governo do Canadá, mesmo vitorioso, consultou a Suprema Corte. Queria saber se  Quebec tinha direito de proclamar a independência. Os juízes decidiram que se houvesse uma maioria expressiva nesse sentido, defendendo uma proposta clara junto a população, teria sim, esse direito. Os crimenianos tem pois, esse direito, até juridicamente.

Evidente que povos de formação diferente deveriam todos ter direito a autodeterminação, se assim desejassem. Assim deveria ser com catalães, bascos e tantos outros. A própria Inglaterra já teve que ceder e permitir um plebiscito entre os escoceses.  Se estes, irlandeses, galeses, se tornarem independente, a Inglaterra tende a ficar com as dimensões de Sergipe. Merece.

Percival Maricato

Percival Maricato é sócio do Maricato Advogados e membro da Coordenação do PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais

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4 Comentários
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  1. C. Acácio

    15 de abril de 2014 5:40 pm

    A mídia ocidental é pró

    A mídia ocidental é pró americana , principalmente , em questões de geopolítica. Mas , mesmo entre si , há divisões na maneira como repercutem as notícias que interessam a Washington. Essa divisão pode ser resumida em três classes de ideologias : a dos poodles , dos doberman e dos vira latas. Com excessão dos doberman , os outros negociam até o destino dos povos que representam …

  2. Anarquista Lúcida

    15 de abril de 2014 8:11 pm

    Uma correçao sobre ponto lateral

    Na verdade, embora a expressao que tenha sobrado do episódio com Garrincha seja “é preciso antes combinar com os russos”, ou variantes disso, o episódio ocorreu num jogo contra a Tchecoslováquia. Ou pelo menos foi isso que correu na época. 

  3. junior50

    15 de abril de 2014 11:20 pm

    “Fait accompli”

      Como diplomatas adoram frases em frances: ” fato consumado” ou guerra civil.

       O Ocidente ” cagou “, errou na analise, uma crise que deveria ter ficado circunscrita a órbita européia, extrapolou para a ignorancia obamistica ( Nuland – Kerry – Madame Clinton ), pois qualquer europeu oriental, incluindo alemães, excluindo-se poloneses ( são burros), sem pre tiveram pela consciencia, que “mexer” com a Ucrania, é encher o saco da Russia.

        Quem conhece o leste ucraniano, de Zaporozhie em direção a Russia, e lá ja esteve, SABE: É RUSSO, não apenas na lingua – já escrevi neste sitio, de Kharkov ( Kharki’v) para Rostov-on-Don, de van coreana para 15 pax., 8 ucranianos tinham passaportes russos e identidades ucranianas, eram 12 pax na Hyundai.

         Vão dar voltas e mais voltas, afinal ninguem quer posar de derrotado, mas as opções são poucas:

         1. Federalizar o leste

         2. Guerra civil

         3. Guerra civil, intervenção militar “humanitária” russa em defesa de seus cidadãos.

         4. NATO: Europeus são ótimos em discursos e press-releases, vão espernear, gritar, e não fazer nada – e os americanos não irão encarar o risco de confrontação aberta com a Russia.

         5. Sanções: Nem com paises pobres funcionam corretamente, com ricos, só matéria de jornal

  4. Marcos K

    16 de abril de 2014 8:51 am

    Grande novidade estar o

    Grande novidade estar o público confuso. A imprensa ocidental, brasileira fortemente inclusa, não deu uma única informação isenta e correta sobre o que realmente ocorria. Na verdade estava fazendo uma torcida anti-rússia. Deu no que deu. O ocidente está tendo que fugir da Ucrânia com o rabo entre as pernas.

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