20 de maio de 2026

Esquema de desvios bilionários teria envolvido União Brasil e emendas parlamentares

A PF apura um esquema de desvio de recursos junto a empresários e políticos do União Brasil, como ACM Neto e Ronaldo Caiado.
Polícia Federal - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Emendas parlamentares teriam alimentado lideranças políticas em 17 estados brasileiros para negociações e contratos públicos com recursos bilionários desviados.

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É o que mostra uma das maiores investigações da Polícia Federal deflagradas neste ano, a Operação Overclean, que mira uma grande organização criminosa que usava os recursos públicos de emendas e de licitações municipais.

Entre os articuladores dos desvios bilionários, a PF suspeita do empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo” e o envolvimento de importantes lideranças do União Brasil, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (2013-2021) e vice-presidente do partido, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador do Amapá pelo União Brasil Davi Alcolumbre.

Somente os contratos de Moura, conhecido como “rei do lixo”, teriam movimentado R$ 1,4 bilhão nos últimos anos. Ele é proprietário de empresas de coleta de lixo, dedetização e obras públicas, além de filiado ao União Brasil, e teria se beneficiado do esquema.

No início do mês, em Operação deflagrada na Bahia, a PF apreendeu R$ 1,5 milhão de dinheiro com suspeitos, supostamente de origem ilícita para o pagamento de propinas em Brasília. O montante foi apreendido em um voo particular, de Salvador com destino à capital federal, no dia 3 de dezembro.

O empresário Marcos Moura foi um dos presos, juntamente com documentos apreendidos, que trazem planilhas detalhadas, segundo os investigadores, que comprovariam superfaturamento, lavagem de dinheiro e manipulação de licitações públicas.

Além dos contratos e licitações irregulares, os investigadores indicam que emendas parlamentares também foram usadas para direcionar os recursos ao grupo criminoso.

Com a prisão e a apreensão dos documentos, a expectativa é que o grande esquema, que teria atuado em todo o Brasil e com a articulação de políticos, seja exposto em breve.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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