3 de junho de 2026

Federalismo progressivo como arma contra Trump nos EUA

Como república federativa, mecanismo pode ajudar Estados e cidades controlados por democratas na resistência à nova presidência
Gavin Newsom, governador da Califórnia e apontado como um dos líderes na resistência contra Donald Trump. Foto: Wikipedia

O Partido Republicano de Donald Trump não apenas detém a presidência dos Estados Unidos, como manteve a maioria no Senado e manteve a dominância na Câmara dos Representantes, o que lhe garante poucas restrições para implementar a agenda extremista pregada pelo Project 2025.

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Contudo, é preciso ter em vista que os Estados Unidos são uma república federal, e os políticos do Partido Democrata controlam metade do país, o que pode estabelecer uma certa resistência às regras que a direita conservadora quer impor ao país via Trump.

Os estados da Costa Oeste e da Nova Inglaterra, além de Nova York, Nova Jersey e Illinois representam 32% da população dos EUA, 38% do seu PIB e 75% do investimento de capital de risco. Ao se adicionar grandes áreas metropolitanas azuis como Dallas, Washington D.C., Filadélfia, Atlanta e Phoenix, os dois primeiros números chegam perto de 50%.

“Isso significa que os estados podem resistir ao exagero de Trump usando as ferramentas do federalismo progressivo, muitas das quais foram aprimoradas durante a primeira administração (de Trump)”, explicam os economistas Laura Tyson e Lennon Mendonça em artigo publicado no site Project Syndicate.

Além das diversas medidas tomadas por Joe Biden e pelos democratas do Senado nas últimas semanas de governo, como a proibição de petróleo offshore, bloqueio da venda da US Steel para a japonesa Nippon Steel e a garantia de transferência de recursos para os estados, uma parte importante da resistência federalista virá de estados como a Califórnia, citando a sessão especial convocada pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, para “proteger o estado contra Trump”.

Tyson e Mendonça também destacam o papel que os procuradores-gerais estaduais terão na proteção de valores progressistas nos próximos anos, e a Associação de Governadores Democratas promete que “os americanos podem contar com os governadores democratas para continuar defendendo as liberdades fundamentais e nossa democracia”.

“Embora seja difícil, os governadores democratas terão a Constituição dos EUA do seu lado. A Décima Emenda — que a Suprema Corte considera tanto um escudo quanto uma espada para frustrar a invasão federal — prevê que os ‘poderes não delegados aos Estados Unidos pela Constituição, nem proibidos por ela aos Estados, são reservados aos Estados, respectivamente, ou ao povo’”, pontuam os articulistas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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