8 de junho de 2026

Imigrantes, pais de Trump têm histórico que ajuda a explicar discriminação

Pais de Trump vinham de um grupo de imigrantes europeus "bem-vindos" e "desejáveis". Pai chegou a ser acusado de discriminação nos anos 70.
Donald Trump com seus pais em 1992; patriarca morreu aos 93 anos, em 1999; mãe morreu no ano seguinte, aos 88 anos. Foto: Shutterstock

Filho de imigrantes, Donald Trump é hoje colocado em xeque pelas práticas xenofóbicas e ataques contra os imigrantes nos Estados Unidos, que vem chocando o mundo. Nas redes sociais, a informação -desmentida- de que a sua mãe era uma imigrante ilegal veio à tona, juntamente com outras Fake News. O GGN buscou o verdadeiro histórico dos pais de Donald Trump, que ajuda a entender a discriminação imigratória do filho.

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Lei favoreceu imigrantes “desejáveis” nos EUA

A mãe de Donald Trump, Mary Anne MacLeod, era imigrante, mas se beneficiou de um sistema restritivo de imigração dos Estados Unidos que privilegiava estereótipos de europeus “ricos” e discriminava imigrantes de regiões associados a classes sociais mais baixas ou “pobres”.

Assim como todos os países, ao longo da história, as leis migratórias apresentaram obstáculos a entrada de imigrantes considerados “indesejáveis” para aquele país.

Assim, a Lei de Imigração de 1924 nos Estados Unidos, chamada Lei Johnson-Reed, que permitiu a entrada legal de Mary Anne MacLeod foi uma das leis mais representativas da discrimação de povos história recente, depois da chamada Lei de Exclusão Asiática, de 1917, explicitadamente racista e xenofóbica, que proibia a entrada de indianos, paquistãos, e outros povos.

Anteriormente a ela, as leis migratórias dos séculos 17 e 18 dos Estados Unidos, proibiam a entrada de negros, chineses e de outros países do Oriente.

As cotas discriminatórias

Em meio à Grande Depressão nos Estados Unidos, em 1929, a Lei Johnson-Reed havia introduzido as cotas nacionais que privilegiava certos grupos raciais e étnicos no país. Além de outros países, os imigrantes de regiões da Europa Oriental e da Europa do Sul, com origem geográfica carregada de estereótipos sociais de baixa renda, não conseguiam uma entrada fácil no país.

A maioria destes imigrantes chegavam apenas para trabalhar em indústrias ou como operários de fábricas e construções. As cotas discriminatórias variavam conforme essa necessidade de mão-de-obra considerada “não qualificada”. Estes imigrantes eram vistos como “menos civilizados” e “difíceis de assimilar” a vida urbana.

Já os imigrantes de países do Norte e Oeste da Europa, como Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Escandinávia, Escócia e França, eram bem-vindos, com a percepção de que eram “ricos” ou “dignos” da realidade norte-americana.

Neste contexto, a escocesa mãe do futuro magnata e hoje presidente dos Estados Unidos, Mary Anne MacLeod, ingressou sem dificuldades nos Estados Unidos da década de 1930.

Mãe de Trump não era pobre

Apesar de um histórico humilde, os dados levantados por historiadores e biógrafos norte-americanos mostram que Mary Anne não era pobre. Ela nasceu em Tong, uma comunidade remota nas Ilhas Hébridas Externas, na Escócia, um vilarejo extramamente humilde e dependente da pesca e agricultura.

Segundo o genealogista Bill Lawson, que fez a árvore genealógica de Mary Anne MacLeod, o pai de Mary – avô materno de Donald Trumo – administrava uma pequena loja e uma agência dos correios na cidade. Quando decidiu se mudar para os Estados Unidos, um acidente em um navio que afundou levou à morte diversos homens do vilarejo, quitando as esperanças à época de as mulheres se casarem.

A lei Johnson-Reed também trazia como exigência portar US$ 50 dólares na entrada do país, de forma a comprovar de que a pessoa conseguiria se sustentar.

Mary Anne MacLeod tinha o dinheiro quando chegou aos Estados Unidos e, segundo o historiador Barry Moreno, do Museu Nacional da Imigração de Ellis Island, ela viajou de segunda classe no navio Transilvania.

Pai de Trump: origem alemã

O histórico de imigração da família de Donald Trump também percorre a vida de seu pai, Frederick Christ Trump, filho de imigrantes alemães – Elizabeth Christ e Frederick Trump Sr.

Pela origem alemã, apesar de nascido em Nova York, o pai de Donald Trump também era filho de imigrantes à época “bem-vistos” nos EUA.

Pai de Trump foi acusado de discriminação contra imigrantes em 1970

Frederick Trump era um empresário imobiliários dos Estados Unidos nos anos de 1920, antes de conhecer Mary Anne MacLeod. Nos anos seguintes, a sua ascensão no ramo, favorecido pela apropriação de benefícios federais no setor, o tornaram conhecido como “Henry Ford da construção de casas”, legado e heranças que levou ao filho, Donald Trump.

Mas não só as riquezas e forma de fazer o negócio imobiliário que Fred Trump repassou ao filho. Um curioso episódio, nos anos 1970, reflete a discrimação e xenofobia do Trump pai com os imigrantes: ele foi acusado de impedir que negros e porto-riquenhos alugassem apartamentos que ele construia.

Ele chegou a ser acusado em um processo judicial pela prática, que foi findado após um acordo judicial, sem ter sido responsabilizado pelo caso.

Leia mais:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    28 de janeiro de 2025 7:54 am

    Estima-se que há 11 milhões de imigrantes ilegais residindo nos Estados Unidos. O Duck Donald estabeleceu uma meta diária de 1.200 a 1.500 prisões diárias. Pois bem. Dividindo 11.000.000 por 1.500 prisões diárias, serão precisos 7.333,333 dias para deportar os imigrantes ilegais que vivem nos EUA. Nesse ritmo, são necessários mais de 20 anos para os EUA devolverem os imigrantes ilegais para seus países de origem.
    Trump não vai entregar nem um quinto do que prometeu. Viva o DeepSeek

    1. evandro condé

      28 de janeiro de 2025 12:10 pm

      E não deixa de ser interessante, canso de ouvir que os EUA é uma grande porcaria (pra não dizer merda), mas me pergunto: pra quem? E se for, como viviam os 11 milhões? Ou como é onde viviam.

    2. AMBAR

      28 de janeiro de 2025 1:10 pm

      Mas ele pode continuar tentando.

  2. evandro condé

    28 de janeiro de 2025 11:08 am

    Acredito que Gangue de Nova York (Scorcese) de alguma forma apresenta o que ocorre.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de janeiro de 2025 12:20 pm

    Como todos norte-americanos (ou a maioria mais estúpida de norte-americanos), Donald Trump não se destaca por uma cultura erudita e baseada na leitura metódica de livros e interpretação meticulosa de textos. Ele pertence à geração educada por espetáculos de TV e cinema e durante toda sua carreira se esforçou para transformar a si mesmo numa celebridade, num objeto de culto televisivo. Foi isso que, aliás, o levou à posição em que ele se encontra hoje. Então não é muito difícil descobrir como ele desenvolveu a ideia estúpida de que pode renomear o mapa do mundo começando pelo golfo do México. Ele repete na presidência dos EUA o papel desempenhado por Gene Hackman no filme Superman. Mas vilão Lex Luthor também queria renomear o mapa americano e não o mapa mexicano.
    https://www.youtube.com/watch?v=ACiK6YKmIgI

  4. AMBAR

    28 de janeiro de 2025 1:23 pm

    O presidente laranja não deixa de surpreender. A foto de família que ilustra a matéria é bastante esclarecedora. O pai do Trump, o Trumpão, tem uma aparência que dispensa duas coisas: comentários e o tradicional gorro KKK, ele nem precisa de bata, gorro e máscara, é o protótipo do lider da Klan; a mãe, de olhar compreensivo e piedoso, parece daquelas senhoras que fazem caridade à la Vitória Nulan, distribuindo pãezinhos envenenados pra crianças pretas, e o Donald, o pato Donald, ostenta aquele inevitável e arrogante olhar cínico de menino mimado novo rico, tão característico em presidentes americanos.

    1. evandro condé

      28 de janeiro de 2025 7:36 pm

      Estabelecer personalidades por foto? Menas.

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