5 de junho de 2026

As estratégias de Haddad para lidar com a inflação dos alimentos

Além do aumento do plano Safra, ministro da Fazenda defende diversificação de culturas pelos estados como mecanismo para controle de preços
Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Incentivo à produção e a diversificação de culturas pelo país a partir das mudanças climáticas são algumas das ferramentas cogitadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o combate à inflação dos alimentos, um dos principais problemas enfrentados pelo governo Lula.

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Em entrevista ao jornalista Leandro Demori e à economista Deborah Magagna, do ICL Notícias, Haddad afirma que o país tem “todas as condições” de continuar ampliando sua produção de alimentos de forma adequada, e sem desmatamentos.

“Nós batemos recordes (de safra) em 2023 e 2024, e queremos fazer o mesmo em 2025. Assim que o Orçamento for aprovado, nós vamos lançar o Plano Safra para a próxima safra, e eu quero crer que o Brasil tem todas as condições de continuar ampliando a sua produção e numa forma adequada sem desmatamento (…)”, disse.

“Provavelmente, nós vamos colher uma grande safra a partir do final desse mês, começo de março. Uma grande safra, talvez a maior safra – se não for a maior, vai ser uma das maiores. E é assim que nós vamos continuar exportando muito alimento e garantindo o abastecimento interno”.

Além de destacar o ministro do Meio Ambiente, Marina Silva, no combate ao desmatamento, Haddad cita o trabalho feito pelo Ministério da Agricultura para lidar com as áreas degradadas “que estão sendo recuperadas em um programa bastante importante subsidiado para que pastagens degradadas sejam recuperadas e destinadas a da produção de alimentos”.

Diversificação para lidar com as mudanças climáticas

Outro mecanismo citado por Haddad para o controle da inflação de alimentos foi a recomposição dos estoques reguladores, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a destruição vista nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Haddad também aponta a diversificação de culturas pelo país como uma maneira de reduzir o impacto das mudanças climáticas, citando como exemplo o caso do arroz – as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 afetaram a safra de forma expressiva.

“Há uma tentativa de espalhar as culturas por vários estados. Nós estamos em um período de crise climática (…) Nós vamos ter que lidar, hoje, com a questão da mudança climática diversificando as culturas pelo território, de maneira que se um estado for afetado, os demais suprem a oferta necessária para estabilizar os preços”.

Um outro ponto que comprometeu os preços dos alimentos veio dos Estados Unidos, que mantiveram os juros em patamares muito elevados, o que impulsionou a cotação do dólar no mercado global.

“Quando o dólar está muito forte no mundo inteiro, ele causa inflação no mundo inteiro porque parte do que a gente produz a gente exporta. Então os preços internacionais acabam balizando isso”, explica o ministro, ressaltando que o ciclo de queda da moeda nos últimos dias para níveis “mais aderentes aos fundamentos da economia brasileira” pode levar a uma estabilização de preços a um patamar considerado “mais adequado” por Haddad.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Baco.

    21 de fevereiro de 2025 7:48 pm

    Olha, infelizmente, ou o ministro está enganado ou está nos enganando.

    Talvez as duas hipóteses.

    Primeiro é preciso saber, quanto da safra brasileira é dedicada a segurança alimentar nacional?

    Eu desconfio que dentre os 300 milhões de toneladas, nem 40% seja comida de gente.

    E quando é, como carne, frango, porco, ovo, boa parte corre atrás do mercado externo.

    Plano Safra?

    Mas o latifúndio exportador produz quanto dos alimentos da dieta brasileira?

    Diversificar a pauta de produção?

    Alguém avise ao ministro que alterações dessa natureza levam 3, 4, 5, 10 anos.

    Sem enfrentar os fatores que incidem sobre os preços e custos, nada feito.

    Câmbio, juros e estoques reguladores.

    A safra de exportação, todo mundo sabe, é sócia da alta cambial e um dos fatores que ajuda a encarecer os insumos para o resto da cadeia produtiva, porque fertilizante, máquinas e veneno são comprados em dólar, seja pelo latifundiário, seja pelo pequeno granjeiro ou plantador de tomates.

    E pior, esse setor que o ministro vai subsidiar, ainda não deixa nada de imposto para os estados.

    Quem deveria estar com isenção fiscal ou subsídio financeiro é quem planta arroz feijão, batata, cenoura, quem produz leite, etc.

    Eu desconfio, enfim, que Haddad está enganado, porém, está nos enganando.

  2. José Carvalho

    24 de fevereiro de 2025 5:52 pm

    O tema inflação e sempre bastante sensível e de grande repercussão. No caso da inflação dos alimentos, a repercussão é ainda maior, pois é um bem de primeira necessidade. Enfrentar essa questão com equilíbrio é muito importante, uma vez que o Brasil é exportador de alimentos, e portanto pode organizar melhor sua produção. Tanto para o consumo interno quanto àquilo que é exportável. Medidas que procurem manter uma boa estabilidade nos preços ao invés de fazer alarde sem encontrar uma solução, são positivas ao todo da economia. O País não pode viver de momentos, sobretudo momentos de terrorismo como infelizmente é tratado o tema da inflação.

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