Estupro não se justifica
por Jandira Feghali*
Pesquisas são como fotos.
Conseguem mostrar um retrato da sociedade em determinado tempo. A foto que vemos a partir da divulgação de pesquisa do IPEA sobre violência sexual e estupro é chocante. Meio milhão de cidadãos violentados ao ano no Brasil, destes 88,5% mulheres vítimas de estupro. A cada 12 segundos uma cidadã se torna vítima deste crime hediondo em nosso país, por exemplo, agora, enquanto você lê este texto.
Mais estarrecedor o que vem a seguir com o resultado à pergunta feita: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?”. Espantosos 65% dos entrevistados concordaram. Mais triste quando revela-se que dois terços das pessoas ouvidas pelo IPEA são mulheres. Mulheres que acreditam que outras mulheres são corresponsáveis pelo ato criminoso pela simples forma como se vestem. Deduz-se então que o criminoso é vítima, invertendo os papéis de vítima e réu. Parece que estamos na década de 70.
Voltemos ao número do início. Das 527 mil pessoas violentadas no Brasil ao ano, 70% são crianças e adolescentes. Ou seja, no pensamento da maioria dos entrevistados, prega-se de forma abstrata que as meninas no universo das 364 mil vítimas tenham parcela de culpa direta? Crianças, sem características sexuais, como provocadoras de um crime sexual, na maioria pelos pais ou padrastos? Realidade que, certamente, desconsidera nossos problemas culturais e socioeconômicos e comportamentos perversos e violador de direitos. É possível a interpretação de que o criminoso é, na verdade, vítima da sensualidade feminina.
O IPEA também dá luz a uma estatística que se mostra ponto-chave. Apenas 10% dos casos sobre violência sexual são informados à polícia. Mesmo com um maior número de órgãos especializados no combate e atendimento à vítima pelo Brasil, o cidadão ainda prefere se calar, talvez combalido para suportar os longos e penosos caminhos da justiça, talvez pelo peso da vergonha de ter que encarar a visão que, lamentavelmente, prevalece e coloca parcela da culpa sob os ombros da vítima.
É grave e recorrente que muitas mulheres julgam as vítimas e as acusam por responsabilidade parcial no estupro. Mulheres também mães e chefes de família e que educam seus filhos levando padrões ultrapassados e repressores, tornando-os cruéis reprodutores do ciclo de mazelas que contribuem para uma sociedade desigual e preconceituosa.
Nos últimos anos, o Brasil deu saltos significativos na construção de políticas públicas que combatem a discriminação e a violência contra a mulher. Mas é hora de darmos atenção ao que está sendo revelado por esta pesquisa. A sociedade não pode permitir se levar por ideias machistas e patriarcais que pregam a subordinação feminina e o controle de homens sobre as mulheres. Não é um vestido justo ou saia curta que determinam as chances de um estupro. É a mentalidade atrasada que persiste, que justifica a violência, por perpetuar a imagem da mulher como ser de segunda categoria e objeto de desejo. Homens e mulheres devem encarar o estupro como crime hediondo.
Estupro não se justifica, se pune.
*Médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e líder da bancada na Câmara
vera lucia venturini
31 de março de 2014 5:12 pmFalou, Jandira.
De que lugar
Falou, Jandira.
De que lugar sombrio da alma de algumas pessoas se materializa o direito ao estupro? Que sociedade é esta que revela dados tão estarrecedores? Que educação é esta que forma concepções tão deformadas das mulheres? Que mulheres são essas que aceitam o direito ao estupro?
A Secom, que gosta tanto de anunciar nos grandes orgãos de comunicação não deveria iniciar uma campanha educativa sobre este tema? Falo no governo, porque esperar que Globo, Bandeirantes, Sbt, Record etc se reunam para fazer uma campanha educativa sobre o tema é esperar demais visto que os meios de comunicação (rádios, jornais e revistas inclusive) não tem o mínimo compromisso com a nação brasileira. E esperar que o governo cobre destes meios responsabilidade sobre a exploração das concessões dadas pelo proprio governo também é fora de propósito visto que todos morrem de nos representar frente aos poderosos da mídia.
E as mulheres jornalistas, mulheres poderosas como Miriam Leitão, Monica Bérgamo, Marilia Gabriela etc porque não representam as mulheres nas empresas em que trabalham para enfrentar esta violência absurda? E as atrizes da Globo, as mulheres do cansei, as xuxas e anas marias bragas que protestam por ninharias será que não vivem neste Brasil onde se sugere o estupro porque mulheres vestem roupas delas copiadas? E as mulheres que ocupam altos cargos no Judiciário não podem articular nenhuma ação para enfrentar o direito que os homens tem ao estupro?
Ed Döer
31 de março de 2014 5:48 pmA Secom, que gosta tanto de
A Secom, que gosta tanto de anunciar nos grandes orgãos de comunicação não deveria iniciar uma campanha educativa sobre este tema?
Considerando os dados alarmantes, está mais do que na hora. Deveria ser feito algo no meio escolar também, mas aí é mais complicado avançar, pois “esbarra” no tabu que é a ideia de educação sexual para menores.
Athos
31 de março de 2014 5:16 pmSinceramente, isso não me
Sinceramente, isso não me interessa.
Gostaria de saber da Jandira qual sua proposta de reforma política?
Estou de saco cheio de debates sobre a construção de rampa de acesso à padaria da esquina.
Anarquista Lúcida
31 de março de 2014 7:17 pmClaro q nao te interessa, vc é 1 machista de carteirinha
Nao sei se chega a ser estuprador, mas, se aceita o estupro com tanta faclidade, nao deve estar muito longe disso. Argh!
Athos
31 de março de 2014 8:56 pmEu sabia que vc não iria
Eu sabia que vc não iria resistir.
vera lucia venturini
31 de março de 2014 8:58 pmAthos, não é para a Jandira
Athos, não é para a Jandira que você tem que pedir posição sobre a reforma política. Peça a posição para o FHC, a Marina Silva, o Eduardo Campos… Peça também para a grande imprensa que combateu as propostas da Presidente Dilma logo depois dos protestos de rua.
A Jandira, por ser uma deputada decente vota pela reforma. E tão importante quanto a reforma política é combater o abuso contra as mulheres. Os homens podem não entender mas o estupro deixa marcas para a vida inteira destruindo um dos mais belos aspectos da vida humana que é a confiança num relacionamento amoroso e o prazer sexual.
Não dá para brincar com a violência e o sofrimento de seres humanos. Mesmo que sejam mulheres.
Ed Döer
31 de março de 2014 5:39 pmSó fazendo uma correção, esse
Só fazendo uma correção, esse número de “1 caso a cada 12 segundos” é para TODO e QUALQUER TIPO de violência contra a mulher, pois o total resultaria em 2.628.000 casos em um ano. Ou seja, muito além dos 500 mils citados.
Fonte: Twitter da Secretaria de Políticas paras as Mulheres da Presidência da República
https://twitter.com/SPMulheres/status/365555529675837441
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Aproveitando, segue o link para a pesquisa do IPEA citada:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres.pdf
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E abaixo um “resumão” da pesquisa que tinha na matéria que postei no clipping dias atrás. Pois tem outros pontos, na maioria negativos, também dignos de discussão aqui no blog.
Achei curioso, que no meio de tanta falta de noção, aparecer que 91% acham que homem que bate NA mulher tem de ir para a cadeia e que em caso de violência, 85% acham que deve haver a separação. O que aponta para algum tipo de avanço, pelo menos nos “assuntos do lar”.
E teve um item que me surpreendeu positivamente, de que 2/3 acham que falar mentiras sobre uma mulher para os outros é uma forma de violência. Pois de forma alguma esperava tal número.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,65-dos-brasileiros-acham-que-mulher-de-roupa-curta-merece-ser-atacada,1145873,0.htm
DanielQuireza
31 de março de 2014 7:07 pmO problema deve estar na
O problema deve estar na forma da pesquisa. Feita assim “seca” pode dificultar o entendimento por parte das pessoas. Muitas devem ter interpretado as questões de outra forma, visto que algumas respostas são bastante bizarras.
Por ex: mulheres que usam roupas que mostrem o corpo merecem ser atacadas. 42% concorda totalmente, é absurdo, não faz sentido isso, até porque grande parte de quem respondeu é mulher. Então muitas gostariam de ser estupradas ou atacadas, não faz sentido. Precisaria relacionar melhor talvez e fazer a pergunta de maneira mais direta.
Callegari
31 de março de 2014 9:20 pmeu também acho que a questão
eu também acho que a questão foi mal formulada, ou intencionalmente mal formulada!
Frabeze
31 de março de 2014 6:01 pmPara estuprador
o único remédio é a castração química. Por que ainda não se faz a castração química de estuprador? É a igreja que não deixa?
Y.N. Daniel
31 de março de 2014 6:37 pmTodas as ações para diminuir
Todas as ações para diminuir o problema da violência contra a mulher têm um viés de PROTEGER A MULHER.
Algo que nunca vi veiculado em lugar nenhum é que a mulher tem o direito de se defender. Não é estranho isso? Você nunca vai ver veiculado em nenhuma propaganda governamental ou de ONG algo como MULHER VOCÊ TEM O DIREITO DE SE DEFENDER. Não parece estranho? Nem tanto.
Ao que parece, como a mulher não pode e não tem o direito de se defender, a regra é que ela sempre tem que esperar que alguém a defenda. Isso significa que se ela estiver apanhando, ela deve rezar para sobreviver à surra e só depois ir a delegacia.
Tem uma história que eu sempre achei emblemática, mas que ouço pouca gente falar.
Tina Turner apanhava regularmente do seu marido. Ao que parece ela esperava que a situação se resolvesse sozinha ou que alguém ou alguma força sobrenatural a salvasse. Mas depois de um tempo ela conclui que nenhuma dessas duas coisas ia acontecer. Então, um belo dia, quando Ike Turner achou que ia bater nela e nada ia acontecer ela lhe devolveu todos os socos e pontapés que recebera antes. O que aconteceu depois? Ela perdeu tudo. Ao que parece fazia parte do contrato tomar umas surras de vez em quando.
O que me chamou bastante atenção neste caso, é o fato de que muitas pessoas ficaram surpresas com o fato de ela ter se defendido, tanto homens como mulheres.
Essa é uma questão que sempre me confunde.
Ouço alguns e algumas me dizerem, não, a mulher não pode revidar, é perigoso, o homem é mais forte. Mas aí eu penso, mas também não é perigoso ficar apanhando? Quem garante que um homem que está batendo em uma mulher não vai matá-la? Há uma regra que eu não estou sabendo? Há uma regra que diz, “não se preocupe, vou bater em você mas não vou te matar”, quem garante? Essa lógica não está estranha?
Se não me engano, até o século dezenove, mulheres eram consideradas, perante a justiça, como incapazes. Sim, incapazes. Por exemplo alguém que tenha uma deficiência mental é considerado incapaz. Ou seja, as mulheres e as pessoas com deficiência mental, perante a justiça, eram ambas incapazes. Por exemplo, a mulher não tinha direito a herança pois era incapaz e não saberia como gerir um negócio. Votar, nem pensar, um incapaz não tem dicernimento para votar.
Existem argumentos como, a mulher é muito frágil, não tem condições de se defender. Sério? E o que elas estão fazendo no exército israelense? Dança do ventre? Oh, por favor.
Creio que o acontece é que lá no fundo, homens e mulheres, ainda carregam dentro de si as ideias do século dezenove que consideram a mulher como um ser passivo e incapaz. Em sendo um ser passivo e incapaz, ela deve SER DEFENDIDA e jamais pensar em SE DEFENDER.
Não estou com este texto pregando que a violência seja a solução para o problema da violência contra a mulher. Mas se sempre consideramos a mulher como um ser incapaz que deve SER DEFENDIDO e jamais pensar que a mulher tem o DIREITO DE SE DEFENDER, ela não acabará por introjectar em si mesma a ideia,
“Sou um ser passivo e incapaz, mas não preciso me preocupar, alguém irá me defender”,
Será que esta forma de pensar é eficaz no combate à violência contra a mulher?
Não sou o dono da verdade, talvez minha forma de pensar esteja completamente equivocada, mas espero que o debate sobre o assunto ajude na questão.
PS: Nossa esse post ficou bem longo.
Callegari
31 de março de 2014 7:08 pmantes de mais nada,
antes de mais nada, estuprador deve ser punido e nada justifica seu ato! isso é inquestionavel!
mas acho que a questão foi mal apresentada, talvez a pergunta mais correta deveria ser se uma mulher com roupas que mostram excessivamente seu corpo não acaba incentivando pessoas desequilibradas ao estupro?
pois eu como palmeirense tenho todo o direito de torcer pelo meu time no meio da torcida do corinthians, mas não vou porque sei dos perigos!
a vulgarização da mulher brasileira e nitida, e isso e defendido como se fosse uma forma de libertação feminina, quando na realidade e a realização do sonho masculino, a filha de um amigo meu, em viagem de lua de mel pela europa precisou comprar roupas lá, pois se sentia mal em função do olhares que lhe eram direcionados pelos europeus, ela reparou que mesmo italianas usavam roupas com decotes bem mais discretos, e ela se veste até de forma recata para os padrões brasileiros!
o caso não e o direito da mulher se vestir como uma vadia e não ser atacada, o estado não tem como impedir que isso ocorra, mas o estado tem sim que punir o estuprador
Davi Sensu
31 de março de 2014 7:21 pmMais um crime hediondo. Esse é o caminho?
Problema sério mas esses números inflados não contribuem. 527 mil estupros ao ano(ou 88,5% disso)? Na cultura do bom mocismo números fantasiosos são usados para que pessoas sintam-se envergonhadas com seu gênero. Nesse estudo, baseado no números de estupros reportados pelo Ministério da Saúde, que foram efetivamente 20 mil casos, o pesquisador projeta 527 mil de tentativas ou estupros baseado em um questionário sobre vitimização. Pega-se esse número, as pessoas esquecem “tentativas”, fingem que é estatística e não projeção, e temos um país com uma taxa de estupro absurda. Se temos 200 milhões de habitante, 527 mil estupros por ano dão conta de que em 20 anos temos 10 milhões de estupros, ou a grosso modo, 10% das mulheres brasileiras teriam sido estupradas em 20 anos, isso sem excluir as mulheres por faixa etária. Mais realista ainda seria como se hoje, tomando as mulheres entre 10 e 30 anos, e considerando que 70% dos casos de estupro, como diz a mesma pesquisa, vitimizam crianças e adolecentes, se fizéssemos uma pesquisa perguntando se elas já foram estupradas, 25% delas diriam que sim. Esse número é crível? 1/4 das mulheres brasileiras entre 10 e 30 anos foram estupradas? Ou repentinamente no Brasil o número de estúpros explodiu? Veja, são muitíssimos casos, é um absurdo, mas não são 527 mil ao ano, usar esse número desmerece seus argumentos. Se no Brasil são reportados cerca de 50 mil casos por ano, supõe-se também que por medo ou vergonha 90% das vítimas simplesmente não relatam o crime. Isso é um absurdo enorme, se isso é realidade a primeira ação anti-estupro é convercer 90% das pessoas que sofrem um crime como esse e ficam caladas a fazer a denúncia para termos um mapa melhor do problema. Eu particularmente não consigo acreditar que 90% das mulheres que sofram estupro ficam quietinhas com medo e/ou vergonha, não é possível isso, as mulheres não são estúpidas.
Ocorre algo similar com o número de abortos. No Uruguai, as ONGs inflaram tanto o número de abortos que quando foi legalizado não se viu a redução que supostamente seria dramática do número de óbitos de mulheres grávidas. São números usados para pedir mudanças na legislação, pedir mais ou menos punições, entendo que é uma forma de pressionar o poder público mas esses números não são reais, essas manipulações e ficções estatísticas são danosas à sociedade.
Quando você separa o número de estupros de mulheres adultas, você vê então que esse papo de “merece ser estuprada” pode ser um sinal revoltante da estupidez das pessoas mas está longe de ser a maior causa de estupros. A grande maioria das vítimas são crianças que evidentemente não sofreram violência por conta da roupa ou da atitude sensual. Então se realmente a idéia é diminuir a violência é preciso um choque de realidade na retórica feminista.
DanielQuireza
31 de março de 2014 7:44 pmÉ ideologização da pesquisa
É ideologização da pesquisa para outros interesses.
Mais fácil que propor medidas concretas para este mal – que evidentemente é muito grave.
Na minha opinião é um misto de educação com aumento de punição para crimes domésticos, que vai ajudar a melhorar o problema.
DanielQuireza
31 de março de 2014 7:39 pm“Mais estarrecedor o que vem
“Mais estarrecedor o que vem a seguir com o resultado à pergunta feita: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?”. Espantosos 65% dos entrevistados concordaram. Mais triste quando revela-se que dois terços das pessoas ouvidas pelo IPEA são mulheres. Mulheres que acreditam que outras mulheres são corresponsáveis pelo ato criminoso pela simples forma como se vestem. Deduz-se então que o criminoso é vítima, invertendo os papéis de vítima e réu. Parece que estamos na década de 70.”
Nâo faz o menor sentido. Quer dizer que, no mínimo, um terço das mulheres que respondeu a pergunta, ou só usa burca ou aprova que deva ser estuprada. Não tem lógica nenhuma. A pesquisa tem vícios. As perguntas deveriam ser feitas de maneira mais direta e claras.
Creio que o que deva ser feito é punir com mais rigor qualquer tipo de violência doméstica, principalmente contra as mulheres, é claro. Só um misto de campanhas educativas com aumento de punição vai ajudar a resolver o problema. Esse tipo de pesquisa que força a barra não creio que ajude muito.
Ed Döer
31 de março de 2014 7:51 pmDaniel,
Copiando a explicação
Daniel,
Copiando a explicação da própria pesquisa:
Essas frases foram lidas para os entrevistados, que em seguida deveriam dizer se concordavam total ou parcialmente, ou se discordavam total ou parcialmente, ou se nem concordavam nem discordavam (neutralidade).
Eu fui verificar quando vi a notícia pois cogitei também a questão de interpretação, mas as frases são exatamente as que estão no “resumão” do meu comentário anterior.
E é possível sim vislumbrar uma “explicação” para parte (sabe-se lá quantas pois a pesquisa não abre por sexo) das mulheres responderem de tal maneira. Nem todas as mulheres encaram com bons olhos roupas curtas ou provocantes, seja por conservadorismo, como por razões religiosas. Então, diante dessas realidades, até faria sentido uma mulher dizendo que a vítima do estupro tem parte da culpa ou que faz por merecer.
Outro ponto que poderia explicar esse tipo de resposta, é o possível distanciamento da realidade da violência sexual, até porque, estupro não é algo que se sai falando na maior para os outros. É um assunto delicado por diversos motivos. O que pode levar ao desenvolvimento da falta empatia com as vítimas, até pelo desconhecimento das mesmas.
DanielQuireza
31 de março de 2014 8:04 pmTem razão, pode acontecer,
Tem razão, pode acontecer, mas o que chama a atenção é que o número de mulheres que aceita é muito grande. Parece que pensam que o que, em tese, poderia chamar a atenção é sempre das outras – que seriam as “insinuantes” – e nunca delas próprias. Curioso.
Mas de qualquer forma creio que o principal problema se de no ambiente doméstico mesmo. O foco deveria ser ai. E ai não tem nada a ver com roupas que está usando. É óbvio que mulheres bonitas usando roupas sensuais vão chamar a atenção de homens, sempre. Assim como o inverso também é verdadeiro. Mas isso não tem nada ou muito pouco a ver com estupro. Se assim fosse em praias haveria um monte de estupros, o que não ocorre. Essa tentativa de vulgarizar o estupro, inflar números, criar clima de catarse, como se todo homem fosse estuprador em potencial não é verdadeira e não vai ajudar a resolver o problema.
Ed Döer
31 de março de 2014 8:42 pmSim, já vi no passado que
Sim, já vi no passado que abusos são mais comuns em ambiente familiar ou envolvendo conhecidos. Mas sem tempo agora para procurar algum dado concreto.
Só que acho, que no imaginário popular, o que prevalece, quando se fala em estupro, é a figura do “maníaco do parque” e derivados. Pois são os tipos de casos onde há maior divulgação por parte do jornalismo tradicional (excluindo aqui o policial). Poderiam ter feito algumas “perguntas” explorando esse aspecto do fenômeno.
E repensando a “pergunta” sobre merecer o ataque, a mesma não deixa claro o tipo de ataque, não que fosse justificável uma violência meramente física, mas a interpretação pode ter “falhado” aí.
Sobre os números, apontei um erro comum (já vi ser repetido aqui no blog em outro post) de tratar o 1/12 como violência sexual. Já em relação às estimativas, não sei qual foi a origem da que é usada no país, mas nos EUA falam em 60% e na Inglaterra algo entre 75% e 95% casos não reportados de estupro. Aqui, até por uma cultura de impunidade geral, não acharia estranho um número elevado de casos não relatados.
vera lucia venturini
31 de março de 2014 8:48 pmDaniel, você tem dúvida sobre
Daniel, você tem dúvida sobre a pesquisa? Que tal a realidade das mulheres atacadas no meios de transportes públicos em São Paulo. No Rio de Janeiro tiveram que colocar vagões especiais para mulheres. Hoje, aqui no blog há uma notícia sobre meninas vítimas da prostituição infantil.
Não é a pesquisa que está errada. É a sociedade brasileira. É a deficiência educacional brasileira. É a cultura machista dos nossos meios de comunicação. E é também a falta de lideranças femininas fortes que possam servir de referância no combate a violência praticada contra as mulheres.
aliancaliberal
31 de março de 2014 11:47 pmEu estava vendo TV com meu
Eu estava vendo TV com meu irmão esperando o almoço e uma matéria sobre o mesmo assunto, eu disse que em resumo o que se estava afirmando é que o criminoso é grande culpado pelo crime que comete e apostei com ele que em alguns minutos o próprio jornal falaria o contrário, dito e feito, próxima matéria um assassinato de um instrutor de auto escola e o motivo ele dava aula a noite, ou seja deu mole para bandido.
Claro que o discurso desonesto da esquerda não tem como mais ser negado, por N vezes aqui mesmo alegaram que a criminalidade é o resultado da má distribuição de renda, que a todo o crime é um fato social (coletivo) etc.
No mesmo dia as vezes na mesma hora, não mais que 15 min, o conceito se inverte de acordo com a necessidade da causa, o crime que antes era fato social(coletivo) se torna uma escolha do individuo, ou seja a má indole gera o crime..
Jandira Feghali e a representante mor da esquerda caviar, e ironicamente dona de restaurante. Se diz que a verdade de classe impede que se confie em burguês pior se ele se autoprocamar comunista , Feghali ao mesmo tempo que afirma que defende a liberdade, no mesmo discurso promove a censura.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=1H_ajcpO71Q%5D
AlvaroTadeu
1 de abril de 2014 3:00 amPrimeiro de abril de 1964: os covardes discursam.
Aliança Liberal se comporta como um louco tarado. A criminalidade tem origem, em grande parte, na pobreza, miséria e injustiça social. Mas essas mazelas sociais não justificam o crime. O criminoso é responsável pelos crimes que comete. Entre milhões de desassistidos, a maioria trabalha, ganha mal, batalha, respeita a lei e seus concidadãos.
Mas há a minoria que não respeita nada nem ninguém e comete crimes. Os crimes mais escandalosos, são praticados por semi-analfabetos, muitos deles psicopatas reconhecidos. Os crimes da classe média são mais sutis. Mas lá também ocorrem estupros, os roubos não são a mão armada e sim através de canetas e senhas de banco, concorrências e licitações públicas. Pegue-se uma grande empresa privada e veja-se se não há superfaturamento nas compras. Tudo, quando descoberto, abafado. Ninguém vai preso, apenas trocam de emprego.
Mas esse troll (ou são vários?) que usa esse apelido de Aliança Liberal, não é liberal, é fascista. TODOS os criminosos se escondem por apelidos ridículos e justificam seus crimes. Vir importunar os leitores deste blog numa data como a de hoje, é o fim do descaramento e da falta de educação. Exemplo liminar de nossa elite grosseira, desinformada, consumista e capacho dos modismos que vêm do hemisfério norte.
aliancaliberal
1 de abril de 2014 3:29 amVocês estão se tornando
Vocês estão se tornando “cacofônicos”, tudo mundo que não reza pela sua cartilha é fascista.
“O criminoso é responsável pelos crimes que comete.” quem afirma isso é a direita , quem diz o contrário e espero não ser necessário trazer aqui diversas afirmações que provam, e a esquerda.
A critica se é que não entendeu ou se fez de desentendido, é a mudança constante dos principos que regem a retórica da esquerda, denunciando a falsidade do discurso, e o cinismo.
A.A.A.
1 de abril de 2014 12:18 amÉ simplesmente absurdo o
É simplesmente absurdo o pensamento de que uma mulher deve ser ou é estuprada por causa da roupa que usa. Já seria inaceitável ouvir isso de uma pessoa ignorante qualquer, mas chega a ser preocupável que uma pesquisa mostre que esse é um pensamento da maioria, e ainda pior, da maioria feminina! Chegamos a um ponto crítico, onde os valores e a concepção de certo e errado estão totalmente invertidos. O criminoso se torna vítima, e a vítima se torna a culpada pelo crime ou mal causado a ela. Essas pessoas deveriam ter vergonha de responder que ‘sim’ à pergunta: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?”. O fato de eu, e supostamente todas as pessoas que responderam que sim à pergunta, não nos simpatizarmos muito com roupas que deixam o corpo à mostra, de maneira nenhuma justifica, e nem ao menos explica, que eu deva achar que essas mulheres estão “pedindo” para serem violentadas. Se elas se vestem assim é porque elas se sentem bem, afinal, ninguém quer ser alvo de uma violência sexual, isso é fato. O que um criminoso mais procura é uma forma de justificar seu crime para dizer que é inocente, e infelizmente uma parcela da população, que se tornou totalmente alienada, tomou como verdadeira essa falsa justificativa. Não podemos deixar esses pensamentos machistas formarem nossas opiniões, senão o estupro, por exemplo, futuramente poderá ser justificado com essa afirmação equivocada que tomou conta de 65% da população entrevistada.
Antonio C.
1 de abril de 2014 3:08 amComentário expressionista.
Inicialmente, vamos à fonte, sítio do IPEA (não faça como gente que criticou o Emicida de orelhada, arrotando clichês como ganha-pão para um público que parece adorar o seu próprio reflexo condicionado): http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21847&catid=10&Itemid=9.
Não sei, mas parece faltar alguma informação que nos permita sair um tanto da lógica do texto; afinal, causa perplexidade que mulheres aceitem o estupro.
Gente, não tenho medo de bandido, mas, sim, de “gente de bem”… O que parece é a pedagogia da violência; se a mulher “não se dá ao respeito” por bem, vai por mal. “Ah, mostrou o que não devia, bem feito!” O estupro como consequência de uma “lição moral que não foi aprendida”. Isto é realmente grave.
Infelizmente, a Jandira não nos ajuda muito, pois, em vez de descortinar os mecanismos psicossociais que favorecem o estupro como consequência da “lição moral que não foi aprendida”, ela faz uso do “é errado”. Não curo uma ferida aberta dizendo “que nojo”. Um psicólogo que conhece bem o seu ramo sabe muito bem que um impulso natural, quando frustrado, produz ansiedade, raiva e traços de caráter (até a moral mais correta pode ser fruto dos impulsos secundários, derivados da frustração, o que importa é se tais impulsos serão gratificados ou não dentro de seu contexto; o estuprador de hoje pode ser o violado de ontem). Ela foi bem ao declarar que dois terços das pessoas ouvidas pelo IPEA são mulheres, mas é uma pena que não se debruçou sobre isso com mais cuidado; acontece que, quando uma mulher “reproduz a cultura machista” ela é, sim, réu e vítima, mesmo que não perceba… O que o sub-feminismo coxinha, que quantifica relacionamentos (machismo introjetado?) e declara “feminismo” no geral (escondendo-se no genérico para ocultar diferenças entre os diversos feminismos) tem a dizer? Estou louco pra saber.
Tenho em mente que uma pessoa possa se autorregular, juntamente com seus pares, sem que haja a necessidade de apelação à Lei ou ao Direito. Mas enquanto isso não acontece, estamos em uma “panela de pressão”. Reprime-se o efeito (o estupro) mas não a causa (motivação psicossocial para a existência do estupro). Reconheço que esta é uma das tarefas mais difíceis de realizar; a minha experiência (que, acho, não é muito diferente de muita gente) mostra que a sexualidade é uma expressão das mais conflituosas. Nem sempre se ama alguém, nem sempre é o sexo em si; há motivação acessória, seja pelo fato de buscar no outro a sombra de um parente, de um amigo ou de seja lá quem for, pode ser culpa, ressentimento, desejo de poder. Pode-se querer o mal do outro por inveja, despeito, por raiva, por sentir-se, em algum momento, humilhado.
Por outro lado, quem é vítima é estimulada – ou se convence – de que não vale a pena brigar, melhor deixar pra lá. Engole tudo e segue a vida. Depois, se uma vítima aparecer, vai lhe dizer o mesmo que disse pra si – “melhor deixar pra lá”.
Fora o mecanismo sórdido de “você é culpada” pra introjetar a culpa e se identificar com o agressor! O que seria o machismo de uma mulher (sic) senão isso?
É curioso que essa forma de “chamar à responsabilidade” não é pra pessoa prestar atenção em si mesma, tomar cuidado de si, desenvolver a sua autonomia. É apenas um momento anterior para fazer o jogo da culpa.
Desconfio da ideia de que pesquisa é uma foto. Bom, até pode ser, mas o ângulo, a velocidade, a luminosidade… Insisto: o que há de oculto em uma mulher que diz que a mulher é culpada pela violência sofrida (42%!)? Uma (friso, uma) hipótese é de que a percepção das próprias mulheres não é muito favorável; que criam a própria situação (provocação?) e não medem as consequências. Porém, setenta por cento das vítimas são crianças e adolescentes; são adultos sexualizando as crianças pra não assumir a responsabilidade por elas! Claro, as crianças vão encarar adultos como eles em momentos de violência.
E essa sociedade, violenta, extremamente violenta, que culpabiliza para não se responsabilizar, pra salvar a sua própria imagem, é que também quer a redução da maioridade penal, a revisão do ECA.
“O núcleo fundamental da sociedade é a família”. Essa frase dá realmente o que pensar. Numa sociedade em que todo mundo é excelente…