24 de junho de 2026

O primeiro avistamento a gente nunca esquece, por Heraldo Campos

A tendência é que vai acabar sobrando para contemplação somente algumas placas com informações, avisos e alertas. E olhe lá!
Foto de placa na beirada da calçada na Praia do Perequê-Açú, em Ubatuba, Litoral Norte do Estado de São Paulo, informando os tipos de cetáceos que podem, eventualmente, serem avistados no mar. Autor: Heraldo Campos em 06/03/2025.

O primeiro avistamento a gente nunca esquece

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por Heraldo Campos

Parafraseando, logo de cara, uma conhecida propaganda de sutiã dos anos 80 do século passado, o primeiro avistamento a gente nunca esquece. O primeiro avistamento foi de uma baleia no ano de 1977, embarcado numa plataforma marítima da Petrobrás que perfurava um poço pioneiro na Bacia de Campos (Pós Sal), dezenas de quilômetros de quilômetros da costa do litoral do Estado do Rio de Janeiro.

Uns cinco anos depois, remando um caique próximo da faixa de areia na Praia Martim de Sá, em Caraguatauba, Litoral Norte do Estado de São Paulo, tive a honra de poder navegar, em paralelo, por alguns minutos, ao lado de um bando de golfinhos.

Como um dos meus livros de cabeceira, desde os tempos da escola, é o “História Geológica da Vida” [1], nunca é demais lembrar que esses animais são mamíferos aquáticos da Classe Mammalia, podendo ser observados na região costeira do Estado de São Paulo e em outras porções no litoral brasileiro.  

As arraias, peixes da Classe Chondrichhyes (a mesma dos tubarões), nadando em pequenos cardumes, também puderam ser vistas, cerca de uns dez anos atrás, nas proximidades do Cais do Porto [2], em Ubatuba e, mais recentemente, no ano de 2024, uma solitária tartaruga (Classe Reptilia) pode ser vista na desembocadura do Rio Grande Ubatuba. Nesse dia foi constatado que a “(…) “tonta” da tartaruga, coitada, que estava tendo que driblar manchas de óleo, plásticos, pneus, entre outras tranqueiras, (…) não deve ter observado a bandeira vermelha do órgão ambiental estadual que, por semanas, vinha indicando que a água do mar desse trecho de praia estava poluída.” [3]  

Pelo exposto, pode-se dizer que para o cidadão comum e para o turista que caminham pela orla das praias, sem a condição de poder sair num barco, mar adentro, para a observação desses bichos (muitos deles em processo de extinção), certamente estarão  sujeitos, num breve espaço de tempo, de não ter como desfrutar desses belíssimos avistamentos, que a gente nunca mais esquece na vida. A tendência é que vai acabar sobrando para contemplação somente algumas placas com informações, avisos e alertas. E olhe lá!

“Apenas uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção.” – Isaac Asimov.

Fontes:

[1] Livro “História Geológica da Vida” de A. Lee McAlester. Editora Edgard Blücher Ltda. de 1969 (174 páginas).

[2] Artigo “Cais do Porto” de 10/07/2020.

https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2020/07/cais-do-porto-cronicade-heraldo-campos.html

[3] Artigo “Tartaruga nadando de braçada”  de 03/05/2024.

https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2024/05/tartaruga-nadando-de-bracada.html

Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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