21 de maio de 2026

Os três pilares da doutrina Trump, por Luís Nassif

O jogo de avançar e recuar de Trump está longe de ser estratégia de aproximações sucessivas visando, em algum momento, acertar.

Em palestra ao Clube Econômico de Nova York, o Secretário do Tesouro americano Scott Bessent expôs o que ele chamou de “a base intelectual da visão econômica de Trump”.

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Os dois objetivos básicos são a restauração da prosperidade americana e a recuperação da soberania econômica.

Vamos ver o que ele entende por tal. Toda essa “base intelectual” repousa em tres alicerces:

1. Revitalização do Setor Privado: reduzindo regulamentações excessivas e transferindo o poder econômico de burocratas em Washington para empresas e trabalhadores americanos. Segundo ele, as políticas regulatórias do governo Biden sufocaram o crescimento econômico e contribuíram para instabilidades no sistema bancário, como o colapso do Silicon Valley Bank (SVB). Ele propõe, em suma, uma privatização selvagem.

2. Segurança Econômica como Segurança Nacional: argumentou que os EUA, por muito tempo, serviram como um estabilizador global sem receber compensação adequada, enquanto países como China, Alemanha e Japão manipularam suas políticas econômicas em benefício próprio. A ideia de que a inflação derrotou Biden é deixada de lado. Para Bessent, o acesso a produtos baratos não é o cerne do “Sonho Americano”, mas, sim, um sistema que promova a mobilidade ascendente e a estabilidade econômica.

3. Reorientação das Relações Comerciais Globais: argumentou que as tarifas são uma ferramenta estratégica para reequilibrar o comércio global, garantindo que o sistema recompense a inovação e a competição justa, em vez de práticas como supressão salarial e roubo de propriedade intelectual. Ele também criticou o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau por impor tarifas retaliatórias contra os EUA.

Bessent descreveu essas políticas como a base para o que Trump chamou de “Era de Ouro da América”, uma visão de longo prazo para reestruturar o comércio global, reviver a indústria americana e garantir que a política econômica dos EUA beneficie os trabalhadores americanos.

No curto prazo, começa a cair a ficha do eleitor norte-americano dos efeitos sobre a economia de ações de improviso, sem conhecimento das estruturas complexas de uma economia como a norte-americana.

O jogo de avançar e recuar de Trump está longe de ser estratégia de aproximações sucessivas visando, em algum momento, acertar. Pelo contrário, destrói um dos grandes fatores de fortalecimento da economia norte-americana – e do dólar – que é a previsibilidade.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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13 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    12 de março de 2025 7:30 am

    Eu sempre fico de olho no que eles nunca dizem. Mas fazem.
    De burra, estúpida… essa turma em torno de Trump não tem sequer o caminhado. É POLÍTICA na veia! Ao modo republicano, claro.

  2. Escuderie Le Coq

    12 de março de 2025 8:41 am

    Como boa parte dos analistas, a tese do secretário do tesouro vem impregnada pelos interesses e visões políticas que ele tem apreço.

    Isso é normal.

    O fato dele ter interesse não subtrai sua chance de acerto, diga-se.

    Porém, aqui, ele está errado.

    É difícil estar certo nesse caso, porque acertar seria entender o estágio atual do capitalismo, ou seja, seu beco sem saída.

    A visão estratégica dos EUA não os prepara para essa transição, na minha leiga opinião.

    É uma visão de curtíssimo prazo, quase um abraço de afogado.

    Não há mais como reiniciar a roda da produção industrial, com criação de emprego e renda para consumo, e assim, realimentação do sistema.

    O valor está quase extinto pelas montanhas de anti valor (rendas arbitrárias da financeirização).

    Esse dinheiro resultante de arbitragens “distributivistas”, sem qualquer relação de causa e efeito com algum mérito produtivo (mais-valia, ou lucro), inunda os eixos de decisões políticas das instituições (Estado e mercado), e estabelece dinâmicas “irracionais”.

    A corrida tarifária fazia algum sentido em circunstâncias históricas bem específicas, em estágios de desenvolvimento capitalista bem limitados.

    Hoje, a desesperada tentativa de recuperar a hegemonía na acumulação primitiva, com olhar voltado para a nova fase pós capitalismo, acaba por carregar mais a mais recursos para a nova elite econômica do sistema financeiro-digital.

    Um exemplo tosco, que não deve ser considerado ao pé da letra, pois é mera ilustração, a saber:

    É, mais ou menos, como na transição do feudalismo para o período de acumulação primitiva comercial, pré-capitalista, quando os excedentes de produção e as interações com outras rotas comerciais, permitiram a nova elite (burguesa) a derrubada do Ancien Régime.

    Não adiantou às camadas dominantes o arrocho nos tributos, ou aumentar as hostilidades nas relações com os feudos vizinhos, na busca por recursos.

    Ao contrário, essa corrida armamentista e tarifária deu mais condições para as classes emergentes derrubarem seus antecessores, porque, inclusive, boa parte do financiamento da nobreza e clero passou às mãos da emergente burguesia.

    Quem dá o pão, dá o castigo.

    A única chance que países como o Brasil teriam nesse jogo, se houvesse por aqui gente com cérebro funcionando, era aumentar seu poder militar regional, para proteção de recursos, mudar o eixo de alianças globais, e dissolver o padrão dólar, com a criação de outro tabuleiro de trocas internacionais.

    China, Índia, África do Sul(e o resto da África), Eurásia (Turquía, Rússia, China e satélites), assim como uma parte do Oriente Médio estão loucos e prontos para dar aos EUA um fim mais ou menos digno, a depender da reação do Império.

    Se os EUA vão se tornar a nova Inglaterra ou Portugal, cabe a esse novo mundo decidir.

    Nem precisa de duas guerras mundiais e 100 milhões de mortos.

    O Brasil, se não fosse essa direita estúpida, e essa esquerda indigente, poderia sair dessa como um novo Canadá, uma Austrália.

    Para Isso, cérebro e ousadia, coragem.

    Alguém precisa escrever ou pensar o nosso livro, algo do tipo, Pan-Brasil, o império gentil setentrional!

    1) Segurança pública:

    Debater seriamente um “cavalo de pau” no combate ao comércio de drogas, desmilitarização da segurança, afrouxamento da persecução, gradual liberação dos entorpecentes, com acompanhamento sério e científico das etapas.

    Acabar com as PM, unificar as polícias, acabar com os comandos de acesso externos, carreira única do piso ao topo das corporações, municipalização gradual das polícias.

    Fim da carreira estável para polícias, promotores e juízes, manter garantias dos processos administrativos disciplinares, mas demitir com mais agilidade.

    Municipalização dos judiciários, instâncias de segundo grau estaduais e residuais competências na esfera federal.

    Dotar as unidades federativas de autonomia legislativa penal (estados e municípios).

    Anistia para porte/posse de armas, com recompra pelo preço de marcado pelo Estado.

    2) FFAA/economia/tributos/mercado/
    instituições etc.

    Colocar rico para pagar imposto.

    Controlar câmbio.

    Redimensionar toda dívida pública, ou aceita ou espera para receber daqui a 10, 15, 20 anos.

    Fundo soberano do petróleo e outros minerais para inovação, tecnologia militar e civil, navios e submarinos com propulsão nucleares.

    Fim do serviço militar obrigatório, com profissionalização das forças, pagar bons salários, para permitir adesão dos pobres, um garoto que está no tráfico, por 3 mil/mês, que é a média de “vapores”/”soldados” e “gerentes, e que tivesse a perspectiva de ganhar 4 mil, com uniforme, respeito, e claro, trabalhar armado (isso é um fetiche, sim), daria um ótimo militar.

    Ali estaria uma perspectiva de futuro, renda, orgulho nacional, patriotismo que esse espaço tem reivindicado.

    O dinheiro sairia do fim da mamata das pensões de generais e oficiais, e das mordomias.

    Ter FFAA forte, com controle civil, e, deixar claro que poderemos ou não anexar vizinhos e territórios.

    Tudo vai depender da conversa.

    O presidente e sua base deveriam chamar todos os envolvidos e criar esse pacto nacional, congelar e unificar mandatos, que seriam de seis anos, sem reeleição.

    Mandatos de 12 anos, ou 18, para juízes das cortes superiores.

    Se vão ser eleitos ou indicados cabe debate, eu prefiro a saída mexicana.

    Controle social das mídias de todos os tipos.

    Fim das propiedades cruzadas dos meios de comunicação, e impedimento que donos de mídia possam investir ou controlar setores sensíveis da economia, afastando a recorrente chantagem midiática que é feita para impor interesses.

    Não tem sentido os Frias terem uma plataforma/banco de pagamentos, como o PagSeguro.

    Reforma agrária, sem imissão de posse individual, criação de fazendas coletivas, a propriedade da terra é estatal.

    No máximo arrendar essas terras para exploração de cooperativas de assentados.

    Enfim, dá para passar o dia escrevendo, meses, anos.

    1. Rui Ribeiro

      12 de março de 2025 1:02 pm

      Que os cérebros continuem hibernando, em vez de funcionar para aumentar o poder militar regional, pois como o Brasil fala fino com Washington e grosso com La Paz, como diria o Chico Buarque, o fortalecimento do poder militar servirá apenas para agredir os nossos vizinhos militar e economicamente mais fracos, como foi feito no Haiti. As nossas forças armadas não vão proteger nossos recursos, elas são entreguistas.

      Não é bom esquecer que “a guerra é travada, pelos grupos dominantes, contra os seus próprios súditos, e o seu objetivo não é conquistar territórios, nem impedir que os outros o façam, porém manter intacta a estrutura da sociedade.

    2. AMBAR

      12 de março de 2025 2:19 pm

      Pelo teor do comentário parece mais um programa de governo. Se em alguns pontos, especialmente na transição do capitalismo pela qual ora passamos, tem pontos positivos, em outros, sugestões temerárias, especialmente na parte da militarização.
      Enfim, uma panacéia controversa, sonhadora quando pretende a profissionalização das forças armadas com o aproveitamento de traficantes. Uma pérola! Outra pérola seria a tributação dos ricos “num pacto nacional”. Deixa estar que rico quer pagar imposto de boa vontade.
      A lamentar, só o pseudônimo.

      1. Escuderie Le Coq

        12 de março de 2025 7:58 pm

        Não há soberania sem FFAA forte e controlada por civis, e sem instrumentos nucleares de dissuasão.

        Gostemos ou não é assim.

        Leia de novo o texto, não defendo o reaproveitamento de traficantes nas FFAA, apesar de que esses criminosos não sejam muito diferentes dos que já estão nas fileiras e casernas, ou você acha que o tráfico de armas não tem como uma das fontes os “honestos militares”?

        Eu disse que profissionalizar as FFAA permitirá recrutar ANTES meninos e meninas pobres, antes de entrarem para o tráfico.

        Perspectiva, foi o que eu disse, carreira, estudo, status, é o que qualquer jovem quer.

        Nos EUA, as FFAA são a saida para pobres pagarem seus estudos.

        A profissionalização e modernização das FFAA, e seu enquadramento pelo poder civil estava no topo da agenda de Zé Genoíno, e foi, sem dúvidas, o que o tornou um alvo da direita.

        A lava jato atacou a Odebrecht, a mando dos EUA, não por causa das obras civis, mas pelos instrumentos de controle de armas desenvolvidos pela empresa, para submarinos e etc.

        O potencial multiplicador sa indústria bélica é assustador é velho conhecido.

        A internet que você usa tem origem militar.

        GPS idem.

        Os curativos, de última geração, para queimaduras e pés diabéticos datam das últimas guerras do Afeganistão e Iraque.

        O pacto nacional se daria antes, na verdade, uma medida de FORÇA, do tipo, ou pactua ou dane-se.

        Boa parte das alíquotas dos impostos não necessitam leis novas e/ou autorizações legislativas para que sejam aumentadas, pois os tributos já existem.

        É medida administrativa.

        Prerrogativa do poder executivo.

        Em tempo:

        O pseudônimo é uma ironia.

    3. Moacir Rodrigues de Pontes

      12 de março de 2025 9:00 pm

      Escreveu bem. Só que contra os interesses do verdadeiro Poder: o Poder que corrompe e, se necessário, “prende e arrebenta”!

  3. Carlos

    12 de março de 2025 9:13 am

    O tira&bota deste cidadão ora na presidência dos eua lembra mais um elefante solto na loja de cristais que qualquer coisa parecida com “base intelectual da visão econômica de Trump”.

  4. Antonio Uchoa Neto

    12 de março de 2025 9:20 am

    Trump é um businessman. Não é um político. Não há “doutrina” Trump. Ele sequer chega a ser um intuitivo, como poderia sugerir suas idas e vindas.
    Uma simples palavra utilizada por esse bufão ridículo – recessão – provocou urticárias nos especuladores. Isso não foi intuição – foi cálculo.
    Ainda agora, pela manhã, leio que Trump afirmou, taxativamente, que grandes corporações já estariam planejando o retorno de sua produção ao solo americano.
    O que, certamente, é mentira. Mas, e daí?
    A real expressão do Capitalismo, hoje, é a especulação. E a da especulação, é a mentira. E não de hoje.
    Toda essa retórica e farta exibição daquela assinatura que parece o resultado de um eletrocardiograma é cálculo, não político, mas de negócios.
    Todos os governos americanos são, pelo menos desde a segunda metade do século XIX, governos de homens de negócios. E homens de negócios, como se sabe, não se preocupam com as consequências, humanas ou ambientais, de suas atividades.
    O que importa é enriquecer. O resto não é da conta deles. Nós que lidemos com isso, como diz o Elon Musk.
    Um ou outro de seus acólitos – como esse tal Scott Bessent – se encarregam de dar algum verniz, intelectual ou econômico, a essa selvageria. Sem problemas: ninguém lê, de qualquer forma. Salvo, é claro, comentaristas indignados e impotentes de blogs.
    Aproveitemos, enquanto ainda nos toleram.

    1. AMBAR

      12 de março de 2025 2:23 pm

      Farlae em assinatura de Trump, estudos grafológico apresentam como exemplo máximo de personalidade “shark” a assinatura dele. Pessoas brutais, desprovidas de empatia que se alimentam dos mais fracos como o tubarão do mar. É o que se define como assinatura em forma de dentes afiados. Há que se tomar cuidado com quem assina assim.

  5. Rui Ribeiro

    12 de março de 2025 9:57 am

    Trump é o Shrek, Steve Bannon é o burro e o Elon Musk é o gato de botas.

    “Ele é um cara verdadeiramente maligno, um cara muito ruim. Fiz disso minha questão pessoal para derrubar esse cara. Antes, porque ele investiu dinheiro, eu estava disposto a tolerar. Agora, não estou mais disposto a tolerar. Farei com que Elon Musk saia daqui até o dia da posse (em 20 de janeiro). Ele não terá acesso total à Casa Branca. Ele será como qualquer outra pessoa.” – Steve Bannon

    “Musk é um imigrante ilegal parasitário. Ele quer impor seus experimentos estranhos e agir como Deus, sem respeito pela história, valores ou tradições do país”. – Steve Bannon

    “Bannon é um grande falador, mas não um grande realizador”, escreveu Musk. “O que ele conseguiu fazer esta semana? Nada.” – Elon Mu$k

    1. AMBAR

      12 de março de 2025 2:29 pm

      Será que o Trump está se divertindo em colocar o Musk contra Banon? Lembremo-nos que ele é jogador, apostador por natureza. Sabemos de uma coisa: Musk, quando menos esperar terá seu visto cancelado como qualquer imigrante sem nem um “muito obrigado”.
      Se ele pensa que a meleca que o filho dele deixou na mesa da Casa Branca na frente de todo mundo humilhando o velho Trump vai ficar barato, não vai não. Trump é vingativo.

  6. Emerson Rodrigues de Souza

    12 de março de 2025 10:27 am

    Trumpe falastrão aposta sem por fichas na mesa.
    Ganha algumas rodadas: Panamá desiste de participar da rota da seda.
    Alckimin pede penico para o aço brasileiro (vai dar algo que não é dele, em troca).
    E por ai vai.
    Perde outras. Contra o México, por ex.
    Apostar contra palavras é burrice.
    Melhor esperar o maluk por o dinheiro na mesa e só ai agir.
    -Seus 10 e mais 20!

  7. Evandro Condé

    12 de março de 2025 2:06 pm

    Vou ser mais pragmático e pensando em curto prazo. Como.leigo ouso perguntar: como ficam os planejamentos das empresas (lá e cá), quando num piscar de olhos, tua matéria prima tem um aumento substancial e vc não tem como fugir? E será que as siderúrgicas americanas possuem capacidade para este salto imediato no volume de produção? Ou mesmo querem aumentar?

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