A proposta do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em impor “tarifas recíprocas” aumenta as incertezas em torno do comércio internacional.
A apreensão ganhou força depois que o governo dos Estados Unidos aumentou as tarifas globais de aço e alumínio para 25% e estabeleceu um prazo de 2 de abril para implementar tarifas recíprocas — equiparando as tarifas dos EUA sobre produtos estrangeiros às taxas que esses países impõem aos produtos dos EUA.
Após a retaliação canadense e da União Europeia, Trump ameaçou os europeus com a cobrança de uma “tarifa de contra-contra” de 200% sobre produtos alcoólicos europeus.
Em linhas gerais, esse é um dos desdobramentos das medidas tarifárias anunciadas por Trump sob seu chamado “Plano Justo e Recíproco”, um memorando presidencial que ele assinou em 13 de fevereiro para abordar “desequilíbrios de longa data” no comércio global.
A proposta norte-americana estabeleceria diferentes taxas tarifárias para diferentes países com base em uma avaliação abrangente de sua abertura comercial, mas especialistas argumentam que a política comercial está minando o sistema de comércio global, criando incertezas para empresas globais e, eventualmente, saindo pela culatra para a economia dos EUA.
“Se o mundo embarcar no caminho para uma guerra comercial, isso terá um impacto extremamente negativo nas perspectivas de crescimento da economia global”, disse o vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, à agência chinesa Xinhua em uma entrevista. “Aumentos em tarifas e cotas são um choque negativo de oferta, especialmente se acompanhados de retaliação. Esse círculo vicioso deve ser evitado”, ele disse.
Fábio de Oliveira Ribeiro
18 de março de 2025 5:58 amAlgumas pessoas estão dizendo que os EUA se preparam para uma guerra cataclismica contra a China. Eu duvido muito disso, porque os motores das economias dos dois países estão intimamente ligados. Indústrias criadas na China com capital americano e empresas americanas que produzem seus produtos contratando fabricantes chineses reciclam seus lucros em Wallstreet.
A interrupção dessa sinergia arrebentaria totalmente a economia dos EUA antes do primeiro míssil ser disparado. Mas talvez a retórica de Trump contra a China tenha alguma importância, porque me parece evidente que os americanos quer muito que os europeus se distanciem dos chineses, porque isso prejudicaria mais os interesses deles do que os interesses reais dos EUA.
Além disso, não é possível construir blocos econômicos internacionais estáveis com aumentos unilaterais de tarifas e ameaças militares. É impossível criar grande coesão política interna necessária para uma guerra com aumento da exclusão social e intensificação da repressão policial contra adversários raciais, sexuais e de classe.
Os EUA implodirão antes do início da guerra contra a China que a elite branca norte-americana supostamente deseja? Who knows? Talvez numa daquelas reviravoltas irônicas da História, num futuro não imaginado pelo Pentagono vários fragmentos do ex-EUA sejam obrigados a implorar por empréstimos dos chineses. Em qualquer dos casos, a Europa perde porque o Keynesianismo militar adotado agora pelos europeus pode acabar explodindo a própria Europa.
No mundo seguro que os americanos estão criando, a Casa Branca pode ser atacada por Houthis com misseis Javelins comprados de ucranianos abandonados por Trump e introduzidos no território americano por canadenses radicalizados que rejeitam a anexação do Canadá. Europeus prejudicados pelas tarifas pagarão os mísseis e os Houthis que os dispararão? Isso é muito provável.