4 de junho de 2026

NYT: tarifação de automóveis é prova de fogo para Trump

Para economistas, efeito da cobrança é tudo menos simples: não se descarta estímulo, mas tiro pode sair pela culatra
Foto de Noah Negishi na Unsplash

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump e seus aliados têm discutido os méritos das tarifas sobre automóveis e autopeças, e agora que a medida foi efetivamente anunciada o mundo verá se a medida terá o efeito esperado.

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Segundo o jornal The New York Times, Trump tem como objetivo incentivar as empresas a moverem suas unidades fabris para os Estados Unidos, gerando assim mais emprego e circulação de riqueza no país.

Entretanto, muitos economistas afirmam que o efeito das tarifas é tudo menos simples: muito possivelmente a produção doméstica pode aumentar, mas também causarão danos colaterais nas metas de Trump para empregos, manufatura e economia em geral.

Isso acontece por conta do aumento de preço dos carros para o consumidor final, o que não só pode desencorajar a compra como desacelerar a economia, além do impacto nas cadeias de suprimentos e o aumento de custo para as montadoras que dependem de peças importadas.

As medidas do republicano derrubaram as ações de montadoras nos mercados e, enquanto prognósticos de crescimento são revisados, Trump foi criticado inclusive por aliados pela imposição de tais tarifas, afirmando que as taxas iriam desestabilizar a economia, sem contar a chance de retaliação por parte de outros mercados.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    28 de março de 2025 7:44 am

    Empresas migraram para fora dos EUA em busca de países com mão-de-obra barata. Elas só voltarão aos EUA se pagarem aos trabalhadores estadunidenses a mesma quantidade de salários que pagam nos países que estão agora. O trabalhador ianque aceitará ganhar tanto quanto um trabalhador de um país periférico dos EUA trabalhando a mesma jornada ou mesmo trabalhando uma jornada menor para compensar sua suposta maior produtividade?
    A ver.
    E mesmo que as empresas se repatriem pagando maiores salários aos trabalhadores ianques ou estes aceitem receber tanto quanto os trabalhadores dos países periféricos do capitalismo, ainda assim, esse repatriamento não acontece do dia prá noite, e essa demora vai impactar negativamente o mercado.

  2. José Carvalho

    28 de março de 2025 4:48 pm

    Os EUA já tiveram uma indústria automobilística forte e foi perdendo essa proeminência, primeiramente dentro do próprio mercado e depois em outros locais. As montadoras americanas ficaram para trás na busca por novos desafios tecnólogos, e com isso perdeu ainda mais a competitividade ; suas montadoras foram seduzidas pelos lucros do mercado financeiro. Com sofrimento algumas sobreviveram. Trump quer levar para os EUA parte da indústria que explora o mercado estadunidense, algumas montadoras e algo da cadeia produtiva. A desindustrialização causou queda na renda nacional e emagreceu a classe média. A criatividade para as soluções “made in america” veio sendo reprimida. As formas e os meios são confusos e com consequências incertas, porém ele parece querer tirar a economia estadunidense de Wall Street.

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