4 de agosto de 2026

A não denúncia do Estadão, por Luís Nassif

O importante é emplacar a manchete, uma caixa tonitruante que não abriga nenhum conteúdo. E o alvo de sempre é Fábio Luiz.
Fábio Luiz Lula da Silva - Reprodução

Novo inquérito foi aberto contra Fábio Luiz, filho de Lula, sem apresentar provas concretas até o momento.
Roberta Luchsinger, ligada a Fábio Luiz, fez 42 visitas fora da agenda a órgãos do governo federal, sem irregularidades claras.
Denúncias se baseiam em supostas relações e visitas, mas não há fatos objetivos ou contratos irregulares comprovados.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Como era esperado, o eixo André Mendonça – Polícia Federal está a pleno vapor. Ontem foi aberto novo inquérito contra Fábio Luiz, filho do Lula. Elementos de prova? Nenhum. As diversas reportagens mencionam supostas visitas a Ministros ou ao Alvorada, para supostamente fazer advocacia administrativamente, para supostamente beneficiar o tal Careca do INSS. Tudo supostamente. E supostamente a imprensa finge fazer jornalismo, para repercutir as suposições.

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Hoje em dia, na barafunda que se tornou o mercado de notícias, a grande estratégia midiática consistiria em conquistar eleitores racionais de ambos os lados – centro esquerda e centro direita. Faz-se isso praticando jornalismo, mesmo sem renegar as inclinações políticas.

Mas, a exemplo do período Lava Jato, a Lava Jato 2 prescinde da objetividade jornalística. O importante é emplacar a manchete, uma caixa tonitruante que não abriga nenhum conteúdo. E o alvo de sempre é Fábio Luiz.

Ontem, circulou pelas redes um histórico significativo.

A rodada atual é significativa. Primeiro, uma saraivada de supostas denúncias. A última foi um terceiro pedido de abertura de inquérito contra ele. Depois, uma pesquisa – em geral, do BTG/Nexus – mostrando avanço de Flávio e recuo de Lula.

Além de Fábio Luiz o alvo principal é Roberta Luchsinger, uma aventureira que se apresentava falsamente como membro da família fundadora do Credit Suisse, e que trabalhava para o tal Careca do INSS, antes que explodisse o escândalo.

Todas as reportagens não apresentam um fato objetivo sequer. Limitam-se a mencionar a abertura de um novo inquérito ou então a repisar no fato de que a lobista Roberta é amiga de Fábio Luiz e bancou uma viagem dele a Portugal para conhecer um sistema de produção de cannabis.

A denúncia contra a lobista

Roberta Luchsinger é uma aventureira. Mostramos aqui desde o momento em que ela se apresentou como filha de fundadores do banco Credit Suisse e doadora de R$ 500 mil para a campanha de Lula.

Nunca foi da família do Credit Suisse e a tal doação jamais chegou a Lula. O máximo que chegou foi ser sobrinha de uma tia que se casou com um financista gaúcho, descendente de suíços. A família toda morreu na queda de seu jatinho em Troncoso, e Roberta sequestrou o pai idoso, que morava no interior fluminense, na esperança de ficar com parte da herança. Mas a herança ficou com a mãe do financista.

Depois disso, ela se casou com um delegado de visibilidade, Protógenes Queiroz, separou-se, mas firmou amizade com Fábio Luiz Lula da Silva.

Vale-se da amizade? Vale-se. Promete facilidades para os clientes? Provavelmente promete. Assim como centenas de outros lobistas que se valem de conhecimentos na máquina pública, ou de amizades pessoais, para exercitar seu negócio.

A corrupção ocorre apenas no fato consumado, no contrato que atropela as normas da licitação, na contrapartida recebida pelo contratante.

A PF levantou que Roberta Luchsinger, denominada sempre de “amiga de Lulinha” fez mais de 40 visitas “fora de agenda” a órgãos do governo. 

“Levantamento feito pelo Estadão com base na Lei de Acesso à Informação mostra que, do início do terceiro mandato de Lula até abril de 2024, a lobista esteve 42 vezes em órgãos do governo federal — 41 fora da agenda. Não há registo de visitas depois desse período. O então sócio de Lulinha, Fernando Bittar, participou de dois deles. Em outras 13 oportunidades, ela esteve acompanhada de executivos da Duosystem, do Grupo Bringel, da World Cannabis e da Unigel (nesta última, se apresentou como namorada do diretor de relações governamentais e nora do presidente do conselho de administração da companhia). Nas demais, foi sozinha”.

A notícia mostra o trabalho normal de uma lobista. Não informa sobre nenhuma irregularidade. Se conseguiu a lista de visitas recorrendo à LAI, significa que os encontros não se deram no escurinho do cinema. Em alguns casos – como na visita ao Ministro Wellington Dias – foi fotografada.

No quarto ou quinto parágrafo,a primeira informação sobre contratos fechados:

A única irregularidade explícita é o vazamento, para fins políticos, de informações que deveriam ser mantidas sob sigilo, é o atropelo de normas básicas de direito, o desrespeito a direitos individuais, por veículos que não obedecem minimamente às normas básicas de democracia.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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