Por Lincoln Barros

O bairro de Santa Tereza é um dos primeiros bairros de Belo Horizonte, criado na década de 1920, guardando uma rica e representativa arquitetura do século XX. Como seu xará carioca, é reconhecido por ser reduto de bares e de manifestações artísticas, especialmente a música. Por isto, recebeu em 1996 a classificação de Área de Diretrizes Especiais – ADE, visando a preservação de suas características, via parâmetros especiais para as construções e atividades no bairro. Entre outros, a ADE limita a altura máxima de novas edificações em 15 metros, protege construções antigas e tombadas, limita atividades industriais e define um conjunto de atividades permitidas aos setores de serviço e comércio.
Desde o ano passado, o bairro vem sendo ameaçado por uma série de intervenções urbanas, definidas de forma autoritária pela administração municipal, afetando a qualidade de vida de seus moradores. As principais ameaças são a cessão do Mercado Distrital de Santa Tereza para a Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG para a construção de uma escola automotiva e as mudanças propostas na Operação Urbana Consorciada chamada Projeto Nova BH.
O Mercado Distrital
O Mercado Distrital de Santa Tereza foi construído entre 1969/1970, como parte do projeto municipal de regionalizar o setor de abastecimento da cidade. Devido a vários fatores, mas principalmente pelo descaso da própria prefeitura, foi fechado em 2007. Em 2013, sem consultar a população, a prefeitura cedeu o espaço, que é público, para FIEMG, uma entidade privada, para a instalação de uma Escola Técnica Automotiva de 6 mil m² para quatro mil alunos, desativando também a vizinha Escola Estadual Pedro Américo. Em Santa Tereza, de acordo com a legislação, uma escola pode ocupar até 400m². Diante disso, o Ministério Público Estadual já declarou em parecer ser ilegal este processo de cessão.
O Projeto Nova BH
O Projeto Nova BH foi elaborado quase clandestinamente pela prefeitura, que tentou aprová-lo a toque de caixa no final do ano. Prevê a reestruturação de cerca de 25 km2 ao longo das avenidas Antônio Carlos, Pedro I, dos Andradas, Tereza Cristina e da Via Expressa, alterando a vida de quase 200 mil pessoas e afetando diretamente uma parte considerável de Santa Tereza.
No contexto da Nova BH, está uma antiga proposta de abertura da Rua Conselheiro Rocha para transformá-la numa grande via de ligação dos bairros da região Leste, o que teria enorme impacto para o bairro: remoção de dezenas de famílias em toda extensão da rua e a demolição de prédios históricos tombados pelo Patrimônio como o Bar do Orlando. Esta proposta, se concretizada transformaria Santa Tereza num bairro de passagem.
O Movimento Salve Santa Tereza
O Movimento Salve Santa Tereza representa a tentativa de resistência dos moradores ao autoritarismo da administração municipal. Em meados de 2013 um grupo de moradores rearticulou o Movimento (que já atuou em 1996, na criação da ADE) para fazer frente às referidas ameaças de intervenção no bairro, com a pronta adesão da comunidade. O Movimento é horizontal, aberto à participação de todos e não tem ligação com partidos políticos. As ações do movimento são todas realizadas em conformidade com as definições das assembléias semanais. Várias ações foram e estão sendo realizadas, entre estas a divulgação via página no Facebook (https://pt-br.facebook.com/pages/Salve-Santa-Tereza/381632345284758) que já conta com cerca de 4.000 seguidores, a participação em todas as reuniões públicas que tratem do tema, a realização e coleta de 2.500 assinaturas em um abaixo-assinado de repúdio à intenção da prefeitura de realizar no bairro intervenções estruturais que desrespeitam a ADE e, mais importante para sua continuidade, a realização das assembléias que ocorrem periodicamente com a participação de centenas de moradores. Além destas, também a publicação de um informativo com 15 mil exemplares de tiragem: a versão em pdf está disponível no blog www.salvesantatereza.org.
Ivan de Union
26 de março de 2014 12:42 pm“principais ameaças são a
“principais ameaças são a cessão do Mercado Distrital de Santa Tereza para a Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG”:
Ah, mas toda prefeitura que eu conheco vive doando enormes quantidades de terra em bairros ricos…
Doando mesmo. Foi de graca. Juro.
Silvio Torres
26 de março de 2014 12:57 pmKKKKKK, tem gente que acha
KKKKKK, tem gente que acha que ainda vai salvar alguma coisa em Belo Horizonte, a nova mini São Paulo, como posto aqui há anos. O próximo passo é acabar com o água da cidade, pois praticamente tudo o que a cidade tinha de bom já foi transfigurado pelo “espírito” paulista de crescimento e progresso. BH, a outrora melhor cidade da América prá se viver, é hoje um amontoado de espigões, trânsito infernal, violência e calor. Parabéns a todos que conseguiram!
Ana Dias
26 de março de 2014 3:07 pmE eu, que sou paulistana e
E eu, que sou paulistana e vim para BH querendo fugir desse tal “espírito”… corroboro tudo o que vc diz! é lamentável o que estão fazendo com BH.
a BH que eu tinha na minha cabeça quando sonhava em SP era essa aqui (em homenagem a Santa Tereza também):
[video:http://youtu.be/T-bhxL-XbPA%5D
Athos
26 de março de 2014 1:30 pmEu tava achando que era sobre
Eu tava achando que era sobre o Rio. Tem tradição de alguma coisa em Bh, cidade planejada?
Bh a muito bem administrada pelos tucanos.
A economia mineira é cada vez mais irrelevante.
E nem dividimos ainda aqueles royalties da mineração e geração de energia hídrica. Aqueles royalties do Brasil todo que é pago só para Minas.
Luiz Faria
26 de março de 2014 1:40 pmO exemplo de resistência do
O exemplo de resistência do Movimento Salve Santa Tereza deveria ser ampliado de forma que a população de BH possa interferir em quaisquer propostas de intervenções oriundas dos poderes legislativo e executivo, tanto municipal quanto estadual. Estão aí exemplos gritantes de intervenções urbanas que só beneficiam o grande capital e exclui cinicamente a população mais carentre: Ei-los: BRT, Reforma do Mineirão, Linha Verde, Maquiagem e Faxina Geral para a Copa, etc. Salve Santa Tereza e salvemos BH se ainda der tempo.
Maurão
26 de março de 2014 8:04 pmNassif,
Quero agradecer a
Nassif,
Quero agradecer a oportunidade de publicar a matéria sobre o movimento em prol do nosso bairro!
Realmente fica muito dificil para gente ter um espaço na mídia tradicional, principalmente aqui em BH.
Concordo com os comentários em que o pessoal fala da transformação de BH; nada contra os paulistanos, mas que BH está se transformando em uma São Paulo, isso está!
E com certeza, se BH tivesse a malha metroviária que tem São Paulo hoje, creio eu que o trânsito seria melhor.
Bom, Nassif, espero que, quando vc voltar em Belo Horizonte para fazer mais um sarau, nós passamos encontrar de novo e, melhor ainda, fazer o sarau aqui em Santa Tereza!
Jose Emilio
26 de março de 2014 10:40 pmSalvemos Santé
A nossa Santa Tereza de Belo Horizonte,é a galinha dos ovos de ouro que tanto interessa aos especuladores imobilários dessa cidade, com o respaldo de muita gente da administracao municipal.
Lembro-me muito bem da preocupacao do dr Célio de Castro, ex prefeito de BH, com o bairro que ele adorava e sempre estava por aqui. Ele temia e vaticinava, com muita razao, que os especuladores um dia tomariam o bairro de assalto como fizeram com outros pela cidade afora com o apoio de vereadores,prefeitos…
Cada dia que passa, sinto que o doutor BH, como era conhecido o dr Célio, tinha razoes de sobra e o nosso bairro corre perigo diante da fúria especulativa que grassa em Belo Horizonte.
Resta-nos lutar para expulsar os ideólogos do incensato urbanismo e salvar os metroquadrados mais descentes que ainda restam na zona central de Belo Horizonte.
José Emílio Guedes Lages- Santa Tereza- BH