19 de junho de 2026

As tarifas de Trump e o Brasil, por Luís Nassif

Depois de um período maior de déficit comercial para o Brasil, nos últimos anos a balança comercial com os EUA se equilibrou.
Shutterstock

Vamos a um pequeno exercício em torno dos principais produtos das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Os EUA respondem por 16,36% das exportações brasileiras, com um total de US$ 21,8 bilhões no acumulado de 12 meses até março de 2021, para US$ 40,3 bilhões em março passado. Mesmo com esse crescimento, aumentou pouco na pauta de exportações brasileiras: passou de 10,08% para 11,97%;

No mesmo período, as importações dos Estados Unidos passaram de US$ 26,7 bilhões para US$ 41,9 bilhões. E o saldo comercial saiu de US$ 4,9 bilhões negativos para US$ 1,7 bilhão negativos.

Depois de um período maior de déficit comercial para o Brasil, nos últimos anos a balança comercial com os EUA se equilibrou.

Mesmo assim, a dinâmica de exportações brasileiras para a China é bem mais forte.

Dos Produtos exportados para os Estados Unidos, o maior grupo é de Bens Industriais Elaborados, com US$ 15,5 bilhões, respondendo por 29,29% do total do grupo.

Há um peso grande no grupo Equipamentos de Transporte Industrial, de 40,34%, mas em um volume menos expressivo, de US$ 2,6 bilhões.

Vamos ao grupo de maior peso, Insumos Industriais Elaborados.

Entram nesse grupo:

  1. Maquinário e Equipamentos Industriais:
    • Tornos, prensas, compressores, sistemas de esteiras automatizadas.
  2. Veículos e Componentes Automotivos:
    • Motores, transmissões, chassis, automóveis, caminhões.
  3. Equipamentos Eletrônicos Industriais:
    • Controladores Lógicos Programáveis (CLPs), sensores de aplicação industrial, inversores de frequência.
  4. Equipamentos de Informática e Telecomunicações:
    • Servidores, roteadores para uso industrial, sistemas de automação industrial.
  5. Produtos Químicos Complexos:
    • Fertilizantes de formulação específica, resinas sintéticas, tintas para uso industrial.
  6. Materiais de Construção Processados:
    • Cimento, produtos cerâmicos industriais, estruturas metálicas pré-fabricadas.
  7. Produtos Metalúrgicos Avançados:
    • Ligas metálicas especiais, peças usinadas de precisão, chapas galvanizadas.
  8. Instrumentos de Precisão e Equipamentos Médicos:
    • Equipamentos de diagnóstico médico, instrumentos de medição eletrônicos, balanças de uso industrial.

Mas quando se analisa o desempenho dessas exportações, nos últimos 48 meses, nota-se que o maior crescimento (em US$) foi para os Estados Unidos, seguido da China e da Holanda.

Em termos percentuais, a maior variação também foi para os EUA.

Em desempenho, percebe-se uma linha de tendência positiva para EUA, China e Holanda.

No grupo Combustíveis e Lubrificantes Básicos, a China lidera, mas os EUA adquirem um volume expressivo, de US$ 5 bilhões no acumulado de 12 meses.

No gráfico de linha, nota-se crescimento em alta das exportações para EUA, Holanda e China e estagnação para a Argentina.

Outro ítem é Alimentos e Bebidas Elaborados, destinados principalmente à indústria. Mas os EUA respondem pela compra de apenas 6,6%.

Mas adquirem US$ 3,1 bilhões em Bens de Capital

Entram aí Máquinas e equipamentos industriais, como máquinas de engenharia civil, como escavadeiras e carregadeiras; Aeronaves e peças aeroespaciais; Produtos siderúrgicos semi acabados, como ferro e aço semiacabados; e Equipamentos elétricos e eletrônicos: Incluem-se motores elétricos, geradores e outros equipamentos utilizados em diversas indústrias. Finalmente, Instrumentos médicos e de precisão: Equipamentos utilizados na área médica e em processos industriais que exigem alta precisão.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Carioca

    9 de abril de 2025 10:00 am

    Poderia explicar (explicitar?) para os alunos do 1° grau o que realmente significará o aumento das tarifas Trump para os produtos exportados daqui pra lá.

    1. José Evailton

      10 de abril de 2025 8:41 am

      O que ele está tentando dizer é o seguinte: o comércio entre Brasil e EUA é bem mais equilibrado do que com a China, pois para os EUA as empresas brasileiras exportam em sua maioria produtos industrializados, de maior valor agregado, e também importa bem de maior valor agregado. Logo, a relação é bem mais “equilibrada”. Já com a China a relação comercial é bem mais desequilibrada, pois as empresas brasileiras exportam basicamente “commodities”, embora as exportações para a China sejam bem maiores, a relação comercial não é tão equilibrada como é com o EUA. Produtos industriais tendem a gerar melhores empregos mais qualificados, pagam impostos, além de dinamizar a economia, diferentemente dos produtos agrícolas exportados para a China, que em sua maioria degradam o meio ambiente com agrotóxicos, devastação, não geram empregos de qualidade e não pagam impostos. Com o aumento das tarifas do Trump pode ser que haja um crescimento nas exportações de bens industrializados para os EUA, uma vez que as alíquotas aplicadas aos produtos chineses são maiores que as aplicadas aos produtos brasileiros.

      1. Carioca

        10 de abril de 2025 7:36 pm

        Grato. Certamente passarei de ano com essa explicação

        Simplificou legal para um leigo …

  2. grevista

    9 de abril de 2025 12:10 pm

    Nassif, frente a esse quadro, qual é a resposta que dá a elite empresarial brasileira, através de sua principal entidade de representação? Peço, por favor, que comente o fato que, nesse contexto, essa elite escolheu Paulo Skaf, o industrial sem indústria, como candidato único para a eleição da FIESP, apoiado por todos os ditos grandes empresários. OS EUA são o principal mercado para a indústria brasileira. Nossa dita elite industrial não tem mais Antônio Ermírio de Morais. Tem Paulo Skaf.

  3. Rui Ribeiro

    9 de abril de 2025 12:59 pm

    “As tarifas do Trump fazem tanto sentido quanto se um dono de pizzaria quisesse punir o feirante porque compra mais tomates deste do que lhe vende pizzas”. – Bernardo Guimarães

  4. fabricio coyote

    9 de abril de 2025 2:42 pm

    https://en.wikipedia.org/wiki/Nixon_shock

  5. Jotaxaacimadetudotaxaacimadetodos

    9 de abril de 2025 4:31 pm

    CHINA VC PEDE PAR OU ÍMPAR PRA VER QUEM GANHA?NASSIF SE EU RESOLVER TAXAR O GGN O Q VC FARIA ???

Recomendados para você

Recomendados