23 de junho de 2026

Ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques apagou rastros de plano para retirar votos de Lula em 2022

Vasques foi indiciado por instrumentalizar a PRF para fins políticos, tentando suprimir votos de forma indireta
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques — aquele acusado pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento em uma suposta “trama golpista” — aparentemente agiu para apagar os rastros do planejamento que fez na tentativa de retirar votos de Lula na disputa de segundo turno contra Jair Bolsonaro, nas eleições de 2022.

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Segundo informações do blog da jornalista Malu Gaspar, em O Globo, Vasques organizou reunião presencial para planejar operações da PRF que atrapalharam o transporte de eleitores justamente nas áreas onde Lula tinha mais apoio no segundo turno.

Para garantir que o encontro ficasse no sigilo, Vasques mandou recolher relógios e celulares, para que nenhuma gravação da reunião fosse feita. Na ata oficial do encontro, obtida pela coluna via Lei de Acesso à Informação, não informações sobre os bloqueios planejados. Curiosamente, a ata fala somente de temas triviais — como treinamento físico e escalas de serviço.

Segundo a apuração, 44 dos 49 figurões da PRF participaram do evento em clima de sigilo total. Alguns não concordaram com os bloqueios, mas a maioria anuiu com a ideia de Silvinei Vasques, e os dissidentes se comprometeram a não criticar ou comentar o plano publicamente, aponta a coluna. Apesar de não haver documentos transparentes sobre o plano, O Globo ouviu testemunhas que confirmaram o que realmente aconteceu na reunião.

Indiciado

Vasques foi indiciado por instrumentalizar a PRF para fins políticos, tentar suprimir votos de forma indireta e, supostamente, colaborar com uma tentativa de golpe institucional.

A principal acusação é que ele teria ordenado ou facilitado operações da PRF que dificultaram o transporte de eleitores, especialmente em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva tinha maior vantagem nas urnas — como no Nordeste. Essas operações teriam causado atrasos e bloqueios de ônibus e veículos, dificultando o acesso de eleitores aos locais de votação. Isso levantou sérias suspeitas de abuso de autoridade e uso indevido da máquina pública com viés político.

Além disso, Vasques também foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de participar de uma suposta articulação golpista mais ampla, que envolveria outras autoridades e tentativas de minar ou anular o resultado das eleições que elegeram Lula. O inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que ele teria atuado com intenção deliberada de favorecer o então presidente Jair Bolsonaro, violando a neutralidade e a legalidade exigidas de um servidor público em sua posição.

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