10 de junho de 2026

Pesquisa aponta que brasileiros veem falta de apoio emocional a adolescentes nas redes

Estudo foi motivado pela repercussão da série “Adolescência”, da Netflix, que retrata os impactos psicológicos da hiperconexão na juventude
Foto de dole777 na Unsplash

Uma pesquisa realizada em abril aponta que 90% dos brasileiros com mais de 18 anos e acesso à internet acreditam que os adolescentes não recebem apoio emocional e social suficiente para lidar com o ambiente digital, especialmente nas redes sociais. O levantamento ouviu mil pessoas de todas as regiões e classes sociais do país e tem margem de erro de três pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O estudo, conduzido pelo Porto Digital em parceria com a empresa de pesquisa Offerwise, foi motivado pela repercussão da série “Adolescência”, da Netflix, que retrata os impactos psicológicos da hiperconexão na juventude e o distanciamento entre pais e filhos.

De acordo com o levantamento, sete em cada dez entrevistados defendem a presença de psicólogos nas escolas como medida essencial para enfrentar os desafios emocionais enfrentados pelos jovens. Para 57% dos respondentes, o bullying e a violência escolar estão entre os principais problemas de saúde mental. Já a depressão e a ansiedade foram citadas por 48%, e a pressão estética, por 32%.

Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, a pesquisa revela a urgência de se repensar a relação entre tecnologia e bem-estar social. “O futuro da inovação está diretamente ligado à forma como cuidamos dos nossos jovens. Não basta impulsionar avanços tecnológicos — é fundamental criar pontes entre a tecnologia e a transformação social real”, afirmou.

Supervisão digital limitada

O estudo também investigou o comportamento dos pais em relação ao uso da internet pelos filhos. Entre crianças de até 12 anos, o controle tende a ser mais rigoroso, com uso de mecanismos de monitoramento. Apesar disso, apenas 20% dos pais afirmaram que pretendem utilizar ferramentas de controle no futuro. Já entre adolescentes de 13 a 17 anos, a supervisão diminui, dando lugar a maior autonomia.

Para Julio Calil, diretor-geral da Offerwise, os dados revelam a necessidade de criar espaços de acolhimento para pais e filhos. “A população enxerga a necessidade de um esforço conjunto para criar ambientes seguros nas escolas, principalmente diante do uso precoce e intenso das redes sociais”, pontuou.

Regulação

Enquanto cresce a preocupação com a exposição de crianças e adolescentes no ambiente virtual, plataformas digitais têm revisto suas políticas de moderação de conteúdo, o que pode dificultar a identificação de postagens e perfis com material considerado nocivo.

O professor Luciano Meira, da Universidade Federal de Pernambuco, alerta para os riscos da desregulamentação. “A decisão de reduzir a moderação parece priorizar interesses comerciais das big techs. Isso enfraquece a responsabilidade social dessas empresas e aumenta a exposição de jovens a conteúdos prejudiciais”, afirmou.

Meira também defende uma revisão do Artigo 19 do Marco Civil da Internet, que limita a responsabilização de plataformas por conteúdos publicados por usuários. Segundo ele, a ausência de uma decisão clara sobre o tema pode levar à sobrecarga do Judiciário. “É possível preservar a liberdade de expressão com moderação responsável”, afirmou.

Paralelamente, o Projeto de Lei 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News, aguarda votação na Câmara dos Deputados após já ter sido aprovado no Senado. A proposta visa regular as plataformas digitais e prevenir a disseminação de conteúdos ilegais.

Diálogo

Além de políticas públicas, o professor Luciano Meira destaca a importância de um diálogo aberto entre pais e filhos sobre o uso da internet. “A confiança é a base para conversas sobre riscos online e construção de senso crítico. A simples proibição, sem diálogo, tende a ser ineficaz”, explicou.

Ele também sugere o uso de tecnologias de monitoramento participativo como ferramentas auxiliares na supervisão. “Softwares instalados nos dispositivos podem ajudar os pais a entenderem o que seus filhos acessam, sem recorrer a práticas autoritárias”, disse.

Por fim, Meira ressalta a importância de equilibrar o mundo digital com experiências presenciais, como forma de fortalecer vínculos sociais reais. “Proibir celulares nas escolas, por exemplo, pode ajudar a reconstruir relações no mundo físico. É preciso promover a convivência offline como um complemento saudável à vida digital”, concluiu.

*Com informações da Agência Brasil.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados