4 de junho de 2026

Brasil racista e Alemanha nazista, um caso de amor nos anos 1930

Ao comentar um texto de minha autoria o cidadão que usa o pseudônimo A. Araujo aqui no GGN disse o seguinte

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“As Forças Armadas brasileiras lutaram na Segunda Guerra CONTRA a Alemanha nazista, não lhe informaram sobre isso?

Há uma evidente diferença entre a História do Brasil e esta ideologia que A. Araujo  aprendeu e divulgou e que provavelmente tem sido ensinada nos Quartéis do Exército aos soldadinhos brasileiros. Como não gosto de ideologias deste tipo, resolvi expor aqui alguns fatos incontestáveis:

 

1)  A segunda metade do século XIX viu o desenvolvimento de teorias racistas, segundo as quais a “raça branca” era superior e, portanto, predestinada a conduzir os povos à civilização. Neste período foram publicados:- o “Ensaio sobre a Desigualdade das Raças”, de Arthur Gobineau (1855); a  “História da Civilização na Inglaterra”, de Thomas Buckle (1857/1861);  e a “Viagem ao Brasil”, de Louis Agassiz (1868). A presença física de dois destes autores no país (Gobineau  desembarcou  no Rio de Janeiro em 1869 na qualidade de diplomata francês, e Louis Agassiz  veio ao Brasil coletar material para sua pesquisa), são um indicativo da influência que teriam sobre os intelectuais brasileiros. Aqui, a obra destes autores encontraria solo fértil em virtude do recrudescimento das posições de escravocratas e abolicionistas. 

O programa brasileiro de incentivo a imigração de colonos pobres alemães, ucranianos, poloneses, espanhóis, italianos, etc… partiu do pressuposto de que o Brasil, cuja população era predominantemente indígena, negra e mulata, estava fadado a ser sempre um país incivilizado e pobre. O branqueamento do Brasil foi, sem dúvida alguma, um programa de eugenia que partia do pressuposto de que europeu branco e pobre era um elemento humano melhor do que o que predominava no Brasil.

A teoria de Tomas Buckle  se fez muito presente  na obra de Sílvio Romero, que chega a citá-lo textualmente em sua “História da Literatura Brasileira” (1889). Nesta obra  o crítico e historiador literário brasileiro defendeu  a tese de que a raça era importantíssima para a compreensão da criação artística. A obra de Sílvio Romero, obviamente, foi convenientemente esquecida após o fim da II Guerra Mundial

2) Durante toda a década de 1930, a Alemanha Nazista foi o maior parceiro comercial do Brasil. E o Brasil foi o maior parceiro comercial da Alemanha fora da Europa. O comércio entre os dois países era feito em marcos de redesconto, moeda convênio que dava ao Brasil vantagens no comércio bilateral com os nazistas. Os marcos de redesconto  foram intensamente criticados pela diplomacia dos EUA, que acusava Brasil e Alemanha de estarem usando uma prática comercial desonesta. Segundo os norte-americanos a moeda convênio violava as regras internacionais do comércio da época porque nenhum outro país poderia concorrer com as condições bilateralmente estipuladas.  Sobre este assunto vide o capítulo II do livro O MILAGRE ALEMÃO E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL, Moniz Bandeira, editora ensaio, 1994

3) Antes da II Guerra Mundial as Forças Armadas brasileiras eram intensamente pró-nazistas. O programa de modernização das mesmas previa a aquisição de material bélico moderno da Alemanha Nazista. Uma grande compra foi efetuada na Alemanha e paga pelo Brasil, mas a embarcação que vinha trazendo dezenas de toneladas em armas nazistas para nosso país foi  interceptado no Mar do Norte pela Marinha Inglesa e obrigado a aportar na Inglaterra. O material bélico nazista comprado pelo Brasil foi apreendido pelos ingleses (e a Marinha de Guerra brasileira nada fez apesar do evidente ato de guerra cometido pela Inglaterra).

4) O Brasil somente entrou na guerra depois que a Alemanha estava tecnicamente derrotada. A decisão de ir à guerra contra os nazistas foi tomada por Getúlio Vargas sob ameaças militares e pressões diplomáticas norte-americanas. O Brasil mandou para a Itália um punhado de caipiras desarmados e sem treinamento, os quais foram equipados com armas inglesas e norte-americanas. Após receberem algumas semanas de treinamento os pracinhas da FEB foram transformados em bucha de canhão dos Aliados em operações militares sem muita importância (nossas Forças Armadas, porém, contam esta história de outra maneira, enfatizando uma suposta glória militar conquistada com sangue brasileiro nos campos de batalha italianos). Ao final da II Guerra Mundial, o Brasil vitorioso foi esquecido pelos EUA e Inglaterra e a França derrotada (cujo regime de Vichy colaborou com a Alemanha Nazista) ganhou uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU

Estes são os fatos, bem diferentes da ideologia que tem sido ensinada aos brasileiros pelas Forças Armadas e divulgadas por cidadãos como o A. Araujo. Pronto, agora já posso dizer como o personagem narrador de Dostoiévski que “… uma consciência muito perspicaz é uma doença, uma doença autêntica, completa. Pra o uso cotidiano, será mais do que suficiente a consciência humana comum, isto é, a metade, um quarto a menos da porção que cabe a um homem instruído do nosso infeliz século…” (MEMÓRIAS DO SUBSOLO, editora 34, 2009, p. 18).

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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56 Comentários
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  1. nilccemar

    19 de março de 2014 10:38 pm

    Fábio, não sei se você é

    Fábio, não sei se você é jornalista, mas seu texto é justamente uma ilustração do que o jornalismo deveria ser. Parabéns ! Esclareceu, lembrou, desmistificou, ensinou, e ainda arrematou com Dostoiewski.

  2. morallis

    19 de março de 2014 10:39 pm

    Matou ” a pau..mas realmente

    Matou ” a pau..mas realmente não entendo como o A.Araújo não conhecia esses

    detalhes que até  o mundo mineral é sabedor a decadas, salientando que militares  

    de gerações seguintes cansaram de debater inclusive de forma aberta as questões

     abordadas. Por essas e por outras que é bom ficar antenado com textos formatados para

    dar a impressão de absolutos e incontestáveis,  90% deles tem carater ideológico  tendo

    em comum o fato de que julgam  estar atingindo  a  incautos ou alienados, felizmente

     funcionam menos já que a net  democratiza e os blogs destrincham.

     

    1. Motta Araujo

      20 de março de 2014 12:14 am

      “”Não sabia desses

      “”Não sabia desses detalhes””, que coisa. Compro livros desde os 14 anos, aos 15 já tinha uma parede de meu quarto totalmente tomada

      com estantes de livros, hoje passads 60 anos tenho quatro bibliotecas em lugares diferentes com 16 mil livros, sobre o Brasil e a Segunda Guerra tenho algumas centenas de titulos, um dos mais recentes e interessantes é ” Missão em Berlim”,

      escrito pelo oficial do Exercito brasileiro que se mudou com toda a familia, quatro filhos, sogra, cunhada, babás,  para chefiar a missão de oficiais fiscalizadores da encomenda feita à Krupp, a maior até então recebida de um Pais estrangeiro pela grande empresa alemã.  Para a sequencia desse tema, vista por outro lado, sugiro um classico ” “Aliança Brasil – EUA 1937/1945”, de Frank D.McCann, Jr. editora Biblioteca do Exercito.

      O tema é infinitamente mais complexo do que o posteiro coloca em cultura de almanaque. O Governo Vargas NÃO TORNOU-SE NAZISTA porque a partir de 1936 a 1939 tornou-se o segundo maior parceiro comercial da Alemanha, usando o sistema de marcos de compensação, criado por Hjalmar Schacht, então presidente do Reichsbank. Getulio era eminentemente pragmatico e tentou desovar na Alemanha estoques de algodão, café, sisal, borrahca, cacau encalhados por causa da recessão mundial, trocando esses estoques por produtos que a industria alemã tinha então para oferecer. O otimo Stanley Hilton tem dois livros sobre esse comercio, não me lembro dos titulos.

      Isso em nenhum momento significou adesão ao nazismo. Tampouco a adesão ao bloco dos Aliados foi de graça, o Brasil ganhou muito com isso, Getulio praticou realtolitik no mais alto grau, pulou fora da ligação com a Alemanha quando os EUA entraram na guerra em 8 de dezembro de 1941, a partir dai a Alemanha não tinha como ganhar e Getulio reagiu a partir desse reaciocinio.

      Tampouco a Alemanha estava técnicamente derrotada em 1942, quando o Brasil declarou guerra (28 de janeiro de 1942), a guerra era então absolutamente indefinida, um mes e meio antes os japoneses destruiram a Esquadra do Pacifico em Pearl Harbor.

      A Historia é bem mais complicada do que slogans e frases feitas, mil variaveis criam contextos que no momento são indecifraveis, não é tão “certinho””, facil de advinhar o que vai acontecer, tudo isso é primitivo, quanto mais se estudo Historia mais se vê como ela é cambiante e imprevisivel a cada momento.

      1. Lucinei

        20 de março de 2014 3:20 am

        Sabichão é assim: acha que o

        Sabichão é assim: acha que o que ele sabe só ele sabe; o que ele não sabe ninguém mais sabe.

        De que adianta ficar falando que “comprou” um montão de livros se a IDEOLOGIA impediu de entendê-los (talvez até de lê-los, afinal, impressiona visitas do mesmo círculo).

        Só falta agora descrever a lei da gravidade pra dizer que fala alguma coisa certa.

        1. Fábio de Oliveira Ribeiro

          20 de março de 2014 9:09 am

          O oficial comenta e o

          O oficial comenta e o soldadinho aplaude. Tudo como se o Brasil fosse o Quartel deles. Ha, ha, ha… você já lustrou as botas de seu comandante hoje. O que mais você fará por ele? Um boquete verde e amarelo?

          1. whoever

            20 de março de 2014 9:57 am

            É curioso como uma discussão

            É curioso como uma discussão que começou tão inofensiva descamba para argumentos da 5ª série. Em tempo, não discordo da existência do pró-nazismo de Vargas, basta lembrar o que ele fez com a Olga e a filha dela. 

          2. whoever

            20 de março de 2014 2:52 pm

            Gracias pela estrelinha

            Gracias pela estrelinha solitária. Pelo menos alguém leu o que escrevi. Argumentar que é bom…

          3. Lucinei

            21 de março de 2014 2:35 am

            Whoever,
            eu li, sim. De fato:

            Whoever,

            eu li, sim. De fato: é um problema: qualquer debate regride aos 14 anos ou à 5ª série (para os mais atrasados) por pura grosseria.

            Realmente, o que foi feito com Olga Benario não foi uma “maldadezinha”, não. Foi ato pensado; político; para agradar algum séquito; para agradar alguns áulicos. Mais uma vez: ato político.

          4. Lucinei

            20 de março de 2014 3:08 pm

            Você está nervoso. Meu

            Você está nervoso. Meu comentário foi dirigido diretamente ao metidão que perguntou se “sabia que o Brasil tinha ido à guerra contra a Alemenha…”

            As grosserias e chacrinhas ideológicas desse comentarista são conhecidas. Não acrescente as suas. Pega mal pra você.

      2. Fábio de Oliveira Ribeiro

        20 de março de 2014 9:07 am

        O “posteiro… em cultura de

        O “posteiro… em cultura de almanaque” não viu aqui nenhum grande arrazoado sobre o tema escrito pelo batuta metidão que diz ter milhares de livros e faz de seu ofício o ócio dos mesmos na estante. Verdade, o tema é complexo. Bem mais complexo do que o que disse o cometarista no início do meu texto criticado, que resumiu a História com a singela idéia de que “o Brasil lutou contra os nazistas.” E você defendendo o tal. Que feio heim… você fez isto por corporativismo ou porque ele é seu superior hierarquico?

    2. IV AVATAR

      20 de março de 2014 8:48 am

      No Brasil, a eugenia foi amor à primeira vista

      O que podemos constatar é que,  apesar do  nazismo ser visto como normal nas décadas de 30 e 40,  o certo é que a elite tupiniquim abraçou a eugenia bem antes que Hitler viesse à tona,  esta coisa de se anular e massacrar o outro a qualquer custo para evitar a “contaminação” , déficit civilizatório, basta ver o julgamento do “mensalão”, o uso do “domínio de fato”(sem provas), as excentricidades na aplicação da pena, a vontade de esquartejar petistas e jogar os pedaços do corpo em praça pública, vejo isso como parte dessa mentalidade nazi da elite tupiniquim. Segue link para texto pesquisa sobre a eugenia no Brasil, muito interessante, vc já ouviu falar na Sociedade Eugênica de São Paulo, criada em 1918? Boa leitura

       http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.1587.pdf

       

      1. Fábio de Oliveira Ribeiro

        20 de março de 2014 9:14 am

        Grato pelo comentário

        Grato pelo comentário elucidativo e pelo link. Eu não conhecia nada sobre a tal Sociedade Eugênica de São Paulo. O tema parece interessante. Vou perguntar ao batuta metidão que diz ter milhares de livros e que postou um comentário com a finalidade de me humilhar (em razão de minha suposta cultura de almanaque)  o que ele tem a dizer sobre este assunto. Talves ele tenha os livros de atas desta sociedade e possa nos fornecer informações privilegiadas sobre o tema. 

  3. Sergio Saraiva

    19 de março de 2014 10:42 pm

    Como vovó já dizia.

    O cara se compara a Dostoiévski.

    De pretensão e água benta cada serve-se do quanto quiser.

    1. Karl MA

      19 de março de 2014 11:19 pm

      Acalmate Cabrón

      No máximo o cara se permitiu repetir um personagem de Dostoiévski. Aliás, muito bem.

      Numa contestação bastante construtiva.

      1. Sergio Saraiva

        20 de março de 2014 1:47 am

        Construtiva em que?Pura alma

        Construtiva em quê?

        Pura alma de vira-latas rodriguiano.

        A eugenia foi uma idéia forte em todo o ocidente, nos EEUU foi quase política de Estado, o racismo era institucional, Hitler tinha admiradores nos EEUU e na Europa. Os EEUU não estavam nada interessados em se envolver na guerra, Pearl Harbor os empurrou. Qual a diferença entre os “caipiras” brasileiros que foram “bucha de canhão” e os rednecks americanos que também foram?

        Militarismo é militarismo. Pergunte a um militar americano se eles perderam a Guerra do Vietnam.

        O Canada e a Austrália lutaram na II Guerra, por acaso têm acento permanente no Conselho de Segurança da ONU?

        Vê? Tudo que foi colocado a respeito do Brasil pode ser dito de outros países. Mas não, para o Brasil é demérito. Ou como disse Nelson Rodrigues: o brasileiro é um Édipo às avessas, cospe na própria imagem.

         

        1. Karl Ma Maiza Inda

          20 de março de 2014 3:30 am

          Cabrón continua nervoso!

          Construtiva com resposta, que agregou fatos, argumentos e opiniões, sem desancar o contestado.

          O post discordou construtivamente, colocando mais fichas na mesa. Para apostar ou sair. Este é o jogo.

          Mas pelo menos agora vc trouxe algo mais (e melhor) do que considerar o “cara” metido a Dostoievski.

          Para sua surpresa, eu até concordo com algumas coisas deste seu comentário.

          O que não desmerece o post.

           

           

        2. Fábio de Oliveira Ribeiro

          20 de março de 2014 9:27 am

          O “vira latas

          O “vira latas rodriguiano” não escreveu o texto para lhe fazer um ataque pessoal. Digo isto sem saber se você é um “nazistinha de merda que se esconde porque tem medo de levar porrada caso ostente a suástica”. Mas se for este o caso, sinta-se sim atacado, seu nazista bunda-mole de meia-pataca. 

          1. Sergio Saraiva

            20 de março de 2014 10:09 am

            Há, que falta faz Voltaire.

            O que dizer da intolerância, da baixa capacidade de conviver com o contrário, com o contraditório?

            Que no mais das vezes é ridícula e sempre lamentável.

          2. Fábio de Oliveira Ribeiro

            20 de março de 2014 1:23 pm

            Ha, ha, ha… o babaca ofende

            Ha, ha, ha… o babaca ofende e, depois, se mostra suspreso porque foi igualmente ofendido. Cara, você é um canalha de meia-pataca bem chinfrim. Faria melhor se fosse tão irônico quanto Voltaire ao invez de ficar apenas arrotando o nome dele. 

             

            Responda-me uma pergunta: é difícil para você digitar e andar de quatro ao mesmo tempo? 

             

        3. Formiga2

          22 de março de 2014 11:48 am

          Tecnicamente o Canadá e a
          Tecnicamente o Canadá e a Australia estão no conselho de segurança pois o chefe de estado ainda é a rainha da Inglaterra.

    2. Galvão

      20 de março de 2014 12:21 am

      Minha vó também dizia…

      apressado come cru. Onde está a comparação com o Dostoievsky? Ele apenas citou uma frase do autor Russo.

    3. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:17 am

      Não é a primeira vez que você

      Não é a primeira vez que você demonstra aqui alguma dificuldade para interpretar textos. Eu  não me comparei ao autor russo, apenas o citei para comparar os russos aos brasileiros. Você entendeu agora?

      1. Sergio Saraiva

        20 de março de 2014 9:52 am

        Gênio da raça

        Não, eu não entendo de nada, sou muito burro.

        Aliás, por aqui só quem entende de alguma coisa é você, o senhor “consciência muito perspicaz”. Quanto a mim, detenho “a metade, um quarto a menos da porção que cabe a um homem instruído do nosso infeliz século”. 

        Mesmo assim, ou talvez por isso, mantenho o que disse: de pretensão e água benta cada um se serve do quanto quiser.

  4. Carlos FM

    19 de março de 2014 10:48 pm

    A delícia dos fatos!

    Fatos são uma coisa deliciosa!

  5. Toni

    19 de março de 2014 10:58 pm

    RE

    Eu posso estar metendo o nariz onde não devo e com certeza a pessoa referida dará sua resposta ao texto mas, pelo que sei, A. Araújo não é pseudônimo. Trata-se de nosso AA, antigo e estimado colaborador deste blog. Ele é muito conservador,  talvez reacionário, mas jamais percebi qualquer tendência nazista em seus textos. Apenas dou meu testemunho, porque em tempos de caça às bruxas e volta de marchas golpistas e fascistas, não devemos ser omissos diante de possiveis injustiças.

    1. Karl MA

      19 de março de 2014 11:34 pm

      Sem bruxas a caçar (nessa)

      O bom post do colega Fabio (talvez ele não conheça o A(M)A e apenas o tenha referenciado educadamente) não acusa o AA de nazista, apenas esclarece a visão declarada por AA, que costuma conhecer história, mas não parece conseguir interpretá-la muito bem, exatamente pelas suas paixões que envenenam seu senso histórico;.

      Mais ou menos como qualquer torcedor fanático, daqueles que “ganham porque são melhores” e perdem porque “foram roubados”.

      Não vi bruxas voando, gostaria que os debates fossem sempre fundamentados e sem paixõesexacerbadas, como nunca acontece com alguns Pen Taylors do blog. AA, além de ser patrimônio do blog, tem a vantagem de não ser dissimulado, como alguns ou desparafusado, como outros. 

      Estes dois últimos, chamo-os “paratrolls”.

      1. Lucinei

        20 de março de 2014 3:27 am

        O que é subalterno, mesquinho

        O que é subalterno, mesquinho mesmo, coisa de gente grosseira e mal criada é a pretensão de querer “dar lição” para quem não pediu. O que dizer da frase “você não sabia que o Brasil foi à guerra contra a Alemanha?”

  6. alexis

    19 de março de 2014 11:39 pm

    Não vejo demérito

    Não vejo nenhum demérito que o Brasil tenha tido bom relacionamento com Alemanha na época citada. Alemanha se erguia como potência mundial e, naturalmente, tinha ascendência sobre o comércio do mundo ocidental (e se tivessem ganhado a guerra?).

    O uniforme “prusiano” era referencia nas FFAA de diversos países sul-americanos, não apenas o Brasil. A cor verde oliva dos EUA foi adotado depois de finalizada a guerra. Um ganhou e o outro perdeu; e nós, países “colônia” e periféricos, apenas seguimos a corrente, ou seja, o “voto do relator”. Também, na época, Brasil recebeu a visita de Walt Disney e outras grandes personalidades época e acabamos virando o jogo em favor dos EUA, entregando minério de ferro a preço subsidiado aos nossos novos parceiros, enviando pracinhas e etc.

    Agora, um país que manteve por séculos a escravidão, não tem o direito de questionar movimentos racistas, na conduta dos outros. Aconteceu a libertação dos escravos porque era caro manter, dar comida e hospedagem a tanta gente. Para os fazendeiros locais, era melhor pegar um italiano terceirizado, barato, fugindo de uma Europa em crise. Branqueamento não houve, houve esperteza ao trocar o escravo morando na fazenda por um peão terceirizado recebendo uma merreca e se virando sozinho.

    Hoje, cada um de nós parece ter a sua própria história, e essa desconfiança nos historiadores e livros oficiais é muito justificada, pois entoam hinos heróicos aos vencedores e demonizam aos derrotados, numa pressão midiática nunca vista, transformando bolinhas de papel em tijolo (como o Serra).

    1. Cafezá

      20 de março de 2014 12:42 am

      O fato é que a elite

      O fato é que a elite tupiniquim sempre nutriu uma paixão arrasadora pela cultura europeia, tanto que a Semana de Arte Moderna de 22 tratou sobre esse tema.  No período em tela, foi a Alemanha, mas se o proeminência fosse da França, da Holanda, ou de qualquer outro país europeu, a nossa elite desceria as calças para estes do mesmo modo. Hoje, as calças da nossa elite estão arriadas para os EUA. Ela acha gotoso.

      1. Lucinei

        20 de março de 2014 3:59 am

        …E mais, Cafezá: negar o

        …E mais, Cafezá: negar o racismo no Brasil é algo que beira o infantilismo dos “sinhozinhos” muito antes de se “desasnarem”.

        Recentemente, o tambem recente no clube, o Ali Kamel, por ser filho de imigrante, entrou nessa de negacionismo só porque ele não enxergava por aqui o que via ou ouvia de viagens.

        Mas negar que existiu no Brasil uma ideologia de embranquecimento…. Só comprando mais e mais livros, mesmo. Mas tem que ler, meu deus! Se ficar lendo só as mesmas coisas vai ficar repetindo as mesmas coisas por séculos, ora, ora!

  7. Diogo Costa

    19 de março de 2014 11:51 pm

    Mitos sobre Getúlio Vargas e o nazismo

    As raízes políticas de Getúlio Vargas vem de três vertentes principais, uma delas a forte tradição militar de sua família (seu pai foi um general condecorado pelo exército brasileiro por sua destacada ação na Guerra do Paraguai). O próprio Getúlio chegou até o posto de sargento do exército, quando abdicou da vida militar para entrar de cabeça na vida política.

     

    Outra parte da formação política de Getúlio Vargas é oriunda do positivismo republicano chefiado pelo Patriarca do Rio Grande do Sul, dr. Júlio de Castilhos. Com a abolição da monarquia em 1889, em praticamente todo o Brasil houve apenas a “troca de tabuleta”, como muito bem observou à época o escritor Machado de Assis. No Rio Grande do Sul foi diferente. Houve uma terrível guerra civil (Revolta Federalista) opondo militantes do PRR (Partido Republicano Riograndense), chefiados por Júlio de Castilhos, aos maragatos monarquistas. Os republicanos eram abolicionistas, positivistas e adeptos de um executivo centralizado e forte. Do outro lado estavam os maragatos chefiados por Gaspar Silveira Martins, antigos estancieiros escravocratas, latifundiários e monarquistas. Os republicanos esmagaram os maragatos. Getúlio Vargas foi membro da juventude castilhista (era estudante de direito) e foi um dos oradores quando do falecimento prematuro de Júlio de Castilhos, em 1903.

     

    Quando da fundação do antigo PTB, em 1945, surge a terceira e decisiva influência ideológica na vida de Getúlio Vargas. A idéia era criar o PTB nos moldes do partido trabalhista inglês. O maior expoente ideológico do PTB à época era Alberto Pasqualini, que influenciou decisivamente o pensamento do trabalhismo brasileiro e, por extensão, o pensamento de figuras como Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola.

     

    Foram, portanto, três as raízes ideológicas que conformaram a esfinge política do dr. Getúlio Vargas. Repetindo-as, o positivismo republicano sul-riograndense, a tradição militar e o trabalhismo inglês adaptado à realidade brasileira da época.

     

    Getúlio Vargas se utilizou do fracasso do Levante Comunista de 35 para aumentar sobremaneira seu poder. Cumpre destacar que Getúlio teve de se equilibrar entre a “ameaça” comunista – falsa, diga-se de passagem, pois os comunistas tinham pouco apoio popular e tinham força localizada em algumas poucas praças – e entre a ameaça fascista real, representada pelos Integralistas de Plínio Salgado. 

     

    Uma das primeiras medidas de Getúlio Vargas, logo após a implementação do Estado Novo, foi tornar ilegais todos os partidos e, óbviamente, a Ação Integralista Brasileira. Isto deixou os fascistas brasileiros furiosos. Outra consequência do Estado Novo foi a criminalização e subsequente fechamento de TODAS as seções do Partido Nazista. Estas seções do Partido Nazista operavam livres, leves e soltas em todo o território nacional (o Brasil era, ao lado da Argentina, o país com o maior número de seções e militantes do Partido Nazista fora da Alemanha na época). Isso causou um profundo mal estar entre os nazistas e o incidente diplomático com Adolf Hitler culminou num ato que poucas pessoas conhecem nos dias de hoje. Qual seja, o Brasil foi o PRIMEIRO e ÚNICO país do globo terrestre que expulsou um embaixador da Alemanha Nazista de Hitler ANTES do início da II Guerra Mundial.

     

    A prova cabal de que Getúlio Vargas se utilizou da pseudo ameaça comunista de Luiz Carlos Prestes para, na verdade, barrar o fascismo e o nazismo no Brasil foi a frustrada tentativa de golpe que os Integralistas desfecharam contra Getúlio Vargas no Palácio da Guanabara (residência oficial), em 1938. O objetivo dos fascistas verdes era assassinar Getúlio e implantar de fato e de direito o fascismo no país. Invadiram os jardins do Palácio, assassinaram inúmeros dos seguranças presidenciais e chegaram às portas do Palácio, que estava cercado e onde o presidente se defendia, de armas na mão, contra o intento fascista. A luta durou a madrugada inteira e a situação só foi dominada com a chegada de reforços policiais na manhã seguinte.

     

    A repressão do Estado Novo foi igual ou pior do que a repressão da Ditadura Militar, isso não é novidade para quem conhece um pouco que seja da história do Brasil. Outra coisa, o Getúlio Vargas eleito em 1950, com o apoio de Luiz Carlos Prestes, é o que entrou para a história, justamente por se contrapor aos interesses dos fascistas que ele tão bem conhecia…

     

    E, mais ainda, hoje se louva a “revolução constitucionalista” de 32, que na verdade não passou de um intento fracassado daqueles que perderam poder com a Revolução de 30. As eleições para a Assembléia Nacional Constituinte já estavam marcadas DOIS meses antes da Intentona de 32, feita pelos saudosistas da República Velha do Café com Leite, mas essa é outra história. O curioso é notar que os “democratas” de 32 apoiáram efusivamente a implantação do Estado Novo, apenas 05 anos depois!

     

    Enfim, essas são pequenas partes da história do Brasil, cheia de contradições, cheia de mitos e que merecem ser lidas e estudadas por todos nós.

    1. Motta Araujo

      20 de março de 2014 12:25 am

      Meu caro Diogo, concordo com

      Meu caro Diogo, concordo com boa parte de sua narrativa, Getulio nunca foi nazista e sim um oportunista, negociou com a Alemanha por razões comerciais, Getulio foi durissimo com os alemães de Santa Catarina bem antes da Guerra, proibiu se falar alemão na rua e obrigou as escolas a alfabetizarem as crianças em português.

      Quanto às teses de que o Brasil abrigava pensamento racista, é falso. O Brasil, dentro os paises que tiveram escravidão, foi muito mais moderno que outros, inclusive os EUA. Negros chegaram a altas posios no Brasil da Republica Velha, quando os negros americanos eram sub-classe social. Aqui tivemos um Machado de Assis, um André Rebouças, um Luiz Gama, um Nilo Peçanha, Domicio da gama foi Embaixador em Washington e Ministro das Relações Exteriores, dois negros foram Ministos do Supremo (Joaquim Barbosa não foi o primeiro, como dizia Lula), Hermenegildo de Barros e Pedro Lessa,

      o racismo brasileiro é economico e social, não é da cor da pele. Se tivemos autores racistas é irrelevante, eles não pautaram o Pais, o Brasil não seguiu seus preceitos. E o incentivo à imigração de colonos europeus não foi para branquear e sim para suprir mão de obra para a lavoura, a documentação sobre o tema é abundante.

       

      1. l carlos

        20 de março de 2014 1:48 am

        Racismo à brasileira

        Seguindo a linha editorial da FSP, no Brasil tivemos um racismo “brando”, de acordo com vc.

        1. Marco St.

          20 de março de 2014 2:05 am

          Ou segundo a linha editorial

          Ou segundo a linha editorial da Globo, não somos racistas…

      2. Pinguinho

        20 de março de 2014 2:45 am

        Um cadim de cadaum (Fabio, Diogo, AA)

        O que me surpreendeu no (bom) post foi ele atribuir as simpatias nazistas e racismos, não a GV pessoa, mas ao país (ou melhor, à sua elite), o que é raro, incomum.

        Para desconstruir GV, os pertinazes herdeiros da oligarquias apeados em 1930* (e seus papagaios) usam qualquer coisa, de “nazismo” a “assassinato” de Olga!

        Pouco se fala que muita gente, até nos EUA e Inglaterra, simpatizava com o nazismo, como até o próprio rei inglês!

        No mínimo observavam admirados ou curiosos a visível recuperação alemã (infelizmente pilotada por um louco).

        Quando AA diz que GV era “oportunista” (sempre elogiando depreciativamente) eu diria que era um hábil político estadista (pensava no seu país e seu povo), que soube usar autoritário poder para estancar a bandalha oligárquica.

        A diferença dele para Lula, outro fantástico político e estadista é que ele, GV, teve que ser ditador para assumir e tirar as carrapáticas oligarquias “na marra”.

        Lula pegou uma fase democrática: as oligarquias, preconceituosas, relaxaram por não “botar fé” num “operário analfa”.

        Mas quem amadureceu mesmo foi o povo, que sabendo-se sempre ferrado e aproveitando a deixa do voto, resolveu experimentar o novo. E está dando certo … no mínimo bem melhor do que com as oligarquias!

        Que não deixam o país andar. Curiosamente, pensam que quanto mais atrasado for o (resto do) país, melhor para eles!

        Não é bizarro?! Seria gozado, se não fosse patético… e nefasto (para o país “deles”, não para eles, que são uma “parte à parte”).

        Aí chegamos no racismo, que uns dizem que tem, outros que não, etc. Eu diria o seguinte: a elite brasileira é fortemente racista. O povo brasileiro, meio que decrescentemente do Rio pra cima (sim, há zelites no Rio e em todos os demais), é pouco racista. O povo mais ao sul, com uma zelite uma influência européia maior (europeu em geral é racista) tem um povo mais segregado, mais afastados dos indios, negros e da pobreza.

        O racismo pouco existe nos morros, nas favelas, na pobreza, no grande povo bahiano e norte/nordestino. Nas camadas mais misturadas é um tal de meu neguinho pra cá e minha branquinha pra lá, que dá gosto! Eu, branquelo, cresci e pratiquei este gosto no vice-versa como muitos em meu meio classe média (hoje suspeito até de uma piora). Ou não somos um país famoso pelas mulatas?

        Portanto, racismo não é “do Brasil”, mas de partes (embora mais poderosas, influentes ou relevantes) da matriz do seu povo. Concordo porém que, surpreendentemente, o racismo institucional no Brasil, fora a tardia abolição, se adiantou aos EUA, que(por ex.) ainda nos 1980 segregava negros e brancos nos transportes de … NY (a cidade “mais cosmopolita” dos estêites!!!).

        Portanto, que sejam estes os meus pitacos sobre os comentários.

        O negócio é apurar o tempero!

         

         

        (*) tentativamente fracassados em 32, mas que voltam de vez em quando, como em 94, aproveitando para fazer uma blitzkrieg de entrega e destruição de >60 anos de país, para tentar retornar aos “velhos” tempos … (de 30).

      3. Tadeu Silva

        20 de março de 2014 3:38 am

        racismo

        Caro Motta,

         

        O esforço para branquear a população brasileira continua. Seu empenho em demonstrar o contrário é parte dele, isto porque é exatamente como funcionou, desde sempre, a ideologia da democracia racial. O que assusta é que a negativa fica entre dois desastres, a boa intenção ingênua, como a sua, acho, e o cinismo dissimulador, de toda forma mais honesto, a partir do pressuposto do enfrentamento, pano de fundo nunca assumido. è o jogo que esta sendo jogado, ainda. 

      4. Fábio de Oliveira Ribeiro

        20 de março de 2014 9:28 am

        Fale-me mais sobre a

        Fale-me mais sobre a inexistência de racismo científico na obra de Silvio Romero. Ha, ha, ha…

      5. André Oliveira

        20 de março de 2014 6:15 pm

        Meu caro xará.O incentivo à

        Meu caro xará.

        O incentivo à imigração européia serviu de fato para suprir de mão de obra principalmente a lavoura, mas o projeto de branquear a população trazendo europeus também foi real. Há, igualmente, muita literatura acadêmica tratando do assunto. Os dois objetivos não eram mutuamente excludentes, ao contrário. Matavam dois coelhos com uma só cajadada. 

    2. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:23 am

      Eu não disse  que Getulio

      Eu não disse  que Getulio Vargas era nazista. Disse que o Brasil racista tinha um caso de amor com a Alemanha nazista nos anos 1930. Os fatos estão aí para comprovar o que foi dito.  

  8. Callegari

    20 de março de 2014 12:26 am

    o Brasil declarou guerra a

    o Brasil declarou guerra a Alemanha em agosto de 42, e a alemanha ainda estava longe de estar derrotada!  a demora para enviar tropas para a Italia se deveu ao nosso despreparo para uma guerra moderna!

    sobre enviar caipiras, um claro desrespeito pelos homens que foram a guerra, lembro, que essa guerra foi travada por cidadãos, não por soldados profissionais, foram caipiras americanos, franceses, sovieticos e brasileiros que lutaram.

     

    a Alemanha era bem vista pelo Brasil e boa parte da america latina, porque representava um contra-ponto ao Imperio Britanico e aos EUA,  não porque era um regime anti-semita ou racista, e era um governo anti-comunista, o que agradava a boa parte dos paises do ocidente!

     

    o texto mostra um despreparo intelectual para ver os fatos dissociados da sua ideologia!  o desprezo as forças brasileiras que lutaram contra a Alemanha, e um ranço patetico da esquerda dos anos 60/70 que odiavam qualquer feito do exercito brasileiro, e da mesma epoca a mediocre transformação do Paraguai e pais moderno perseguido pelos lacaios do imperio britanico!

     

     

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:39 am

      A guerra era mecanizada e,

      A guerra era mecanizada e, portanto, o petróleo pode ser considerado o principal insumo do qual dependia o desempenho dos exércitos em conflito. Os norte-americanos tinham seu petróleo nos EUA e os russos também tinham o seu petróleo na URSS. Os alemães precisavam desesperadamente conquistar campos petrolíferos para dar seguimento a guerra, mas eles se atolaram em Stalingrado e no norte da África. É fato: os nazistas não conseguiram conquistar os campos petrolíferos soviéticos ou Oriente Médio antes do Brasil entrar na guerra.

       

      Portanto, meu caro, quanto o Brasil entrou na guerra a Alemanha estava tecnicamente derrotada. Ela não tinha petróleo e os inimigos dela tinham o petróleo necessário para seguir até Berlim.  

  9. Marco St.

    20 de março de 2014 12:28 am

    Há que se contextualizar que,

    Há que se contextualizar que, na época do nazismo ainda no poder, ninguém (ou muito poucos, mesmo na Alemanha) sabia exatamente as atrocidades cometidas pelo governo de Hitler contra os judeus, católicos, ciganos, homossexuais, poloneses, russos e etc nos campos de concentração.

    Era muito fácil esconder as informações naquele tempo, ainda mais em plena guerra (de informações também…).

    O nazismo que  a gente conhece integralmente hoje, com todos os detalhes escabrosos e seus personagens doentios, não era o mesmo que se conhecia naquela época.

    Como acontece em toda a guerra, a verdade foi a primeira vítima.

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:44 am

      Você se esqueceu de finalizar

      Você se esqueceu de finalizar seu comentário com um Sieg Heil, Sieg Heil, Sieg Heil.

  10. Paulo F.

    20 de março de 2014 12:40 am

    Menos emoção

    Quanto ao ítem 01 o racismo dito científico surgiu como uma justificativa ao colonialismo.  Aplicado pela Inglaterra Vitoriana ( O Fardo do Homem Branco, de Kipling é, para mim, o ápice deste movimento). Foi usado por todos os países europeus, sem exceção. Pela Itália na Etiópia, pelos alemães pelos belgas, franceses na África, bem como pelos portugueses e espanhóis na Ásia e África. É essa vertente do racismo o pano de fundo do projeto de branqueamento brasileiro, que aliado ao passado escravocrata brasileiro que em processo desigual e combinado resulta na nossa realidade de exclusão socioeconômica que ainda permeia a sociedade brasileira.
    Mesmo para essa sociedade , o ingresso nas  FA eram forma de ascenção social para muitos.
    No ítem 02 e 03: Toma-se as Forças Armadas como se fossem um bloco monolítico  e cristalino. Não eram e não o são ainda hoje.
    Houve diversos expurgos nas FA  ao longo da História Brasileira. Maria Celina Araujo, pesquisadora da FGV-RJ  tem vasta literatura sobre o assunto. Desde as divergências entre monarquistas e republicanos  do sec. XIX , como a diversidade do grupo tenentista ( o próprio Prestes , arquetipo do comunista brasileiro era militar), ou os envolvidos na Intentona Comunista. Ou ainda os expurgados em meados da década de 1960.
    Nos anos 30  o Brasil arruinado pela crise cambial que se arrastava desde a virada do século XX e tornada aguda com a crise de 1929 tentava qualquer coisa para manter-se a tona. Não havia divisas para manter o comercio exterior atuando e o comercio compensado com a Alemanha , que vinha sendo feito desde a República de Weimar (que iniciou o rearmamento alemão, vide o tratado de Rapallo) era uma solução . A mesma Alemanha que pouco antes da I Guerra Mundial disputava  com o Reino Unido a condição de segunda economia do globo. O EUA após a arrancada dada após a Guerra Hispano Americana era de forma inconteste a primeira.
    No ítem 04: Chamar os pracinhas de “um punhado de caipiras desarmados e sem treinamento” é extremamente desrespeitoso para com estes e para com a memória brasileira. Vale lembra que parte significativa da tropa era formada por oriundos dos centros de formação de oficiais da reserva, e desta maneira , eram bem diferentes daqueles que foram para a Campanha de Canudos e devido à soberba, foram escorraçados em suas primeiras incursões. Não era propriamente um exercito moderno.  O EB era hipomóvel quando da eclosão do conflito. Mas o soldado brasileiro é lembrado por sua criatividade, tenacidade e capacidade de improvisação (como o é o povo brasileiro).
    Há vários níveis de participação do Brasil na II Guerra Mundial. Quando os tomamos de forma simplista há o risco de resvalarmos em uma injustiça.
    Para ter-se uma dimensão disso recomendo “Crônica de Uma Guerra Secreta” do diplomata Sérgio Corrêa da Costa, Ed. Record , 2004. Vê-se a necessidade estadunidense de haver na América do Sul um contraponto à presença nazista no subcontinente, principalmente em terras portenhas. E ainda no assunto se havia um local onde os métodos alemães eram particularmente bem acolhidos era no Exército Chileno.
    Quanto a GV e a importância brasileira, foi FDR que veio ao Brasil, não? Dispensa comentários. A presença brasileira na II Guerra possibilitou que o retorno dos aliados  ao continente europeu fosse mais rápida.  E deve-se agradecer à União Soviética e ao povo russo, pois sem eles  não haveria um 8 de maio de 1945.
    E a França deve o tratamento pós-IIGuerra  em boa parte à atitude de DeGaulle, a quem os estadunidenses detestavam.

     

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:50 am

      “Chamar os pracinhas de “um

      “Chamar os pracinhas de “um punhado de caipiras desarmados e sem treinamento” é extremamente desrespeitoso para com estes e para com a memória brasileira.”

       

      O Brasil era um país predominantemente rural e, portanto, os pracinhas eram sim um punhado de caipiras (aqueles que moram na roça). Os armamentos utilizados por eles eram norte-americanos e ingleses.

       

      Não tenho nenhuma obrigação de respeitar a tropa, o Exército ou a memória brasileira tal como você a defende. A CF/88 me garante o direito à liberdade de consciência e de expressão. Minha casa foi invadida por soldados da Ditadura Militar em 1967 quando eu tinha 3 anos de idade. Portanto, em se tratando dos militares e da história deles eu serei sempre desrespeitoso. Quero que os militares brasileiros e sua história se fodam. Você é capaz de entender isto? 

      1. Paulo F.

        20 de março de 2014 10:59 pm

        De novo : mais razão

        Não estou na defesa da tropa ou do EB mas daqueles (homens comuns) que foram à Europa e combateram o nazi-facismo. Da mesma forma dos que foram a Espanha lutar contar o franquismo (versão local do facismo).

        Apesar do Brasil a época ser um pais rural a maioria dos pracinhas era originária da zona urbana.

        Entre as tantas coisas que sou capaz de entender uma é que argumentar com razão é melhor do que faze-lo com o fígado.

         

  11. Muzius

    20 de março de 2014 1:00 am

    Não entendi o contexto. Mas,

    Não entendi o contexto. Mas, parece que a resposta é meio desproporcional.

    Além disso, o racismo e o preconceito não são fatos exclusivamente brasileiros. Há racismo na Europa, há racismo nos EUA, há racismo na Rússia…

    Não foram os nazistas que inventaram isso, assim como não foram os citados estudiosos do século XIX.

    Talvez esse seja um traço que nos liga os nossos antepassados que tinham lutas de vida e morte por um lugar em alguma caverna. Qualquer diferente, para eles, deveria ser eliminado.

    No fim, se queremos a pluralidade, que A. Araujo possa fazer os seus comentários e apresentar as suas ideias. Afinal, este é um blog civilizado.

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 1:25 pm

      Se não entendeu, porque

      Se não entendeu, porque comentou. “Nenhuma condição é mais aprazivel do que a satisfação consigo mesmo?”

  12. Pedro Luiz

    20 de março de 2014 1:40 am

    Brasil na Guerra

    Caro Fabio:

    Sinto em contestá-lo  mas sua hipótese é totalmenbte infantil e fora de qualquer  contexto histórico.

    Abraços

    Pedro Luiz Moreira Lima

  13. jc.pompeu

    20 de março de 2014 3:17 am

    Histórias que AA “não sabe” da Krupp nazista no Brasil

    O Estado Eugênico

    A Primeira Guerra Mundial rompeu o tênue e tenso equilíbrio entre as potências industriais e seus impérios imperialistas. Entre 1918 e 1929, criou-se uma nova correlação de forças e interesses capitalistas que penderam favorável e fortemente para os Estados Unidos. Ficou para os impérios capitalistas europeus a crise, a destruição em diferentes intensidades, maior na derrotada Alemanha, além de uma nova geopolítica trazida pelo surgimento da URSS.

    Essa tendência a uma hegemonia estadunidense no capitalismo internacional foi interrompida pela econômica a partir de 1929. Ela atingiu a Europa e favoreceu a chegada dos nazistas ao poder na Alemanha. O nazismo e a ruptura do Tratado de Versalhes (1919) criaram a empresários alemães e brasileiros oportunidades de restabelecerem antigos laços de negócios, anteriores a 1914, ou de criarem novas possibilidades de acumulação. Em particular na área bélica e siderúrgica, com destaque às empresas Krupp, suas vendas de armas para as forças armadas brasileiras (Silva, 1998) e seus interesses na compra de carvão mineral e instalação de siderurgia, envolvendo a Carbonífera Próspera (Criciúma-SC), sob direção de Renato Rocha Miranda (Belloli, 2002).

    Os interesses macroeconômicos, no período de 1929 até a declaração de Guerra do Brasil à Alemanha em 1942 e as formas de inserção dos dois países neste contexto tenso não podem ser percebidas de forma determinista, automática, nem linear. A existência, porém, destas relações não pode ser negada. Entre os dois países houve um forte trânsito econômico e ideológico naquele período, pelo tão intenso quanto às relações com os EUA, com a Inglaterra e com a França.

    O envolvimento do Estado Nacional brasileiro com Alemanha nazista, com o nazismo e com o pensamento eugenista deve ser compreendido dentro de uma perspectiva ampla. Deu-se através da aproximação de organizações políticas nacionais (como a AIB), pela diplomacia com o Estado Nacional alemão e pelos interesses de associação, concorrência ou dependência do capitalismo brasileiro com o capitalismo germânico.

    A aproximação do governo brasileiro pós-1930, com os Estados de comum ideologia corporativista, cada vez mais óbvia no regime de Vargas no transcorrer da década, foi intensa. As relações com a Itália de Mussolini, a Alemanha de Hitler, a Espanha de Franco e Portugal de Salazar acentuaram-se no transcorrer da década. Essa aproximação se fez notar na política externa e também na política interna. O projeto contra golpista da oligarquia cafeeira falhou em 1932, mas culminou na Assembléia Nacional Constituinte de 1933-34. Nela houve cooptação de muitos dos desafetos paulistas ao executivo federal, com o apoio de vários constituintes paulistas para propostas nascidas no Executivo Federal da República, como ficou demonstrado na força do anteprojeto governista para a educação eugênica, com forte adesão da bancada paulista, como por exemplo, de Pacheco e Silva, de Abreu Sodré e de Carlota P. de Queiróz, a primeira deputada federal da história do Brasil e ativista da Revolução Constitucionalista de 1932.

    A condução da dinâmica constituinte ficou nas mãos de um grupo muito diversificado formado por oligarquias agrárias e regionais, burguesia extrativista, industrial e financeira, setores médios urbanos e a bancada católica. Foram grupos que se organizaram em torno da nova estrutura de Estado. O processo histórico transcorrido de 1930 até a imposição e a consolidação do Estado Novo (1937) agregou no poder um espectro ideológico amplo, que tendeu ao autoritarismo, ao nacionalismo e ao racismo com a aproximação da ditadura.

    O tratamento que a governança getulista deu aos considerados por ela como inconvenientes provou que a ideologia hegemônica no poder era, mesmo antes do golpe de Estado, a política corporativista assemelhada a outras governanças do período (nazismo, fascismo, franquismo, salazarismo).O Golpe de 1937 foi um “fato histório” de muitos significados dentro um processo mais amplo que começou anos antes. O golpe do Estado Novo revelou o projeto político repressivo, anticomunista e antisemita, contidos na farsa do “Plano Cohen” que serviu de justificativa golpista. Há algum tempo se dava, principalmente a partir de 1935, a perseguição de lideranças partidárias e sindicais, de intelectuais de oposição, a identificação do anarquismo como insanidade mental, a reação massacrante aos movimentos da esquerda ligados ao Partido Comunista, a permissividade às ações fascistas, o esgotamento e posterior proibição aos sindicatos independentes e de oposição, o policiamento político da sociedade comandado por Filinto Müller e suas prisões arbitrárias, torturas e assassinatos.

     

    […]

     

    No Brasil, até fins da década de 1920, a propagação de teorias eugenistas e higienistas construiu uma situação favorável à entrada de europeus. Na década de 1930, cresce a restrição aos movimentos migratórios. As proibições começaram pelos asiáticos e africanos. A queda na entrada de imigrantes passou a servir também de justificativa para a promoção ou imposição de deslocamentos de brasileiros de uma região para outra, servindo aos interesses da exploração econômica do trabalhador ou da simples desocupação e concentração fundiária.

    As teorias da superioridade da brancura (e suas fórmulas de “embranquecimento” do indivíduo e da sociedade), associadas a teoria do arianismo (da pretensa superioridade da pressuposta raça ariana), desvalorizaram o trabalhador nacional, economica e “racialmente” chegou a ser visto como incapaz ao trabalho fabril.

    A introdução de mão de obra barata, quase sempre formada por excluídos econômicos e

    sociais de outros continentes, colaborou para a diminuição das tensões sociais explosivas em suas regiões, além de ter perpetuado e acentuado a desvalorização do trabalho braçal no Brasil.

    As teorias e políticas de “embranquecimento” da sociedade brasileira do século XIX modernizaram-se nas três primeiras décadas do século XX. As concepções de eugenia estadunidense, francesa, inglesa, italiana e alemã disputaram e compuseram, nas escolas e arcadas, nos quartéis, nos tribunais e nas tipografias as justificativas para a superioridade e inferioridade raciais. Davenportismos, lamarquismos, spencerismos, mendelismos e darwinismos sociais, lambrosianismos e assemelhados (a biologização da sociologia, a naturalização dos comportamentos, o biopsiquismo, a antropometria, a criminologia) produziram embates nas sociedades de eugenia, mas não ficaram a elas circunscritos.

     

    […]

     

    Com a ampliação do atrelamento econômico do Brasil ao mundo nazifascista europeu e aos EUA anteriores à equidade de direitos civis, acentuaram-se por aqui as práticas da segregação. As relações de poder material e simbólico estruturaram-se de maneira ainda mais excludente para aqueles cujas historias eram vinculadas à base do processo de expropriação que acompanhou a conquista portuguesa.

     

    […]

     

    A proximidade e o envolvimento de grupos importantes da burguesia, do poder estatal brasileiro e do integralismo com empresários, políticos e ideólogos da Alemanha nazistas ficaram evidentes nesta pesquisa. Além dos negócios das empresas Krupp com o Estado brasileiro e com a Cia Próspera, há outro fato relevante: Gustav Krupp von Bohlen und Halbach e seu filho e sucessor Alfried Krupp von Bohlen und Halbach, donos do conglomerado de empresas “Krupp” (ambos condenados pelo Tribunal de Nuremberg por exploração de trabalho escravo de judeus sendo que Alfried foi Ministro da Economia de Guerra de Hitler) escolheram Campina do Monte Alegre – SP e a Fazenda Retiro Feliz, adquirida de Otávio Rocha Miranda,como refúgio depois da Guerra para o único herdeiro do império empresarial: Arndt von Bohlen Krupp und Halbach, filho de Alfried com Annelise von Bohlen Krupp and Halbach. Em Campina do Monte Alegre, ela ficou conhecida como a “Madame Krupp”, mesmo sendo divorciada de Alfried desde 1938, e o filho Arndt, era conhecido na região, como o “Barãozinho”.

    Os negócios dos Krupp com o Estado brasileiro eram antigos: canhões usados pelo exército para massacrar Belo Monte (Guerra de Canudos – 1894-1897) foram fabricados pelos Krupp. Os negócios arrefeceram como conseqüência da Primeira Guerra Mundial e do “Tratado de Versalhes”, mas na década de trinta voltaram com vigor. Ressurgiu o comércio bélico e surgiram novas possibilidades de negócios, como o interesse de estabelecer a primeira grande siderúrgica no Brasil. Renato Rocha Miranda, irmão de Otávio e também empresário na capital nacional, durante o período que dirigiu a Companhia Carbonífera Próspera e suas jazidas em Criciúma-SC (direção que se estendeu até 1938), manteve negócios com os Krupp. Ele intermediou negociações de fornecimento de carvão para a futura siderúrgica Krupp no Brasil. Nesse momento, o Estado brasileiro ainda buscava capital e tecnologia estrangeira para o feito.

    A empresa Krupp, além de fabricantes de armas da qual o Ministério da Guerra do Estado Brasileiro era cliente e devedor em 1939, figurava internacionalmente como uma das maiores empresas do mundo na área siderúrgica. Tal negócio chocou-se ao projeto da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que foi reforçado com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    1. Motta Araujo

      20 de março de 2014 4:29 am

      http://strangeflowers.wordpre

      http://strangeflowers.wordpress.com/2011/05/08/the-last-krupp/

      Strange Flowers, biografia do ultimo Krupp, que morreu aos 46 anos sem deixar descendencia.

      Hoje a Thyssen Krupp, com 65.000 empregados e faturamento de 25 bilhões de Euros, é controlada pela Fundação Krupp,

      instituida por Arndt.

  14. Itamar Branco

    20 de março de 2014 4:08 am

    Fabio versus AA ou MA….

    Um bate-tecla interessante. Como o Fábio não “lincou” o texto comentado, fiquei a ver navios. Então não vou dar razão nem a ele nem a seu desafeto, o AA ou MA, que acostumei ler e admirar. O texto do Fábio é consistente, mas peca ao chamar nossos pracinhas de “caipiras”. Há 70 anos éramos assim; subúrbio da periferia. Hoje um pouco menos; nossos avanços e nossos escândalos acabaram nos globalizando. O Fábio se esqueceu de que vivemos na época do politicamente correto ou, resignadamente, na mais doce hipocrisia, de braços com o discurso patético.

    Fico imaginando outra coisa: a tal da eugenia. Talvez tenha sido pensada, mas foi acidental. Após a proclamação da escravatura (a tal abolição, no entender do crioulo do Stanislaw Ponte Preta), precisávamos de mão de obra. Remunerada, assalariada, é  claro. Os ingleses andavam aborrecidos com custo marginal e virtual do nosso acuçar. 

    Então importamos, não reprodutores, mas trabalhadores braçais que estavam com a vida complicada no velho mundo. Ainda no Império se suspeitava que nosso imbroglio etnico-geográfico jamais nos levaria a ser um imenso Portugal. 

    A coisa se corrigiu, ainda bem, e escapamos das fêmeas de buço farto e de sermos um Haiti, uma Jamaica, uma Republica Dominicana, uma Guiana, um Suriname ou outros assemelhados. A miscigenação foi a grande sacada. Melhor que o projeto americano que inventou a Libéria que deu no que deu.

    ET: Dizem que na Jamaica o negócio e reggae e rum. Não dá para criticar se aqui é samba-pagode e cachaça.

     

  15. Alessandre de Argolo

    20 de março de 2014 4:41 am

    Tudo clichê, fatos conhecidos

    O texto não muda nada do que foi dito corretamente pelo Motta Araujo. É só embromação brasileira manjada.

    Tenta, por meio da descrição de fatos objetivos (racismo brasileiro, embranquecimento do Brasil, cooperação entre Vargas e os nazistas etc), mudar um fato objetivo tão verdadeiro quanto: o Brasil rompeu com as potências do Eixo depois de uma certa altura. Se houve pressão americana, isso não muda a verdade da afirmação.

    Naquela época, o racismo era padrão na sociedade. Não era só o Brasil: quase todo o mundo, atualmente dito civilizado, era racista. Até os que lutaram contra os nazistas eram racistas.

    E, a propósito, o Brasil continua racista até hoje. Quais as conclusões sobre isso, diante das premissas do post? O Brasil é exatamente o mesmo país de sempre?

    Aliás, a Europa Ocidental e os EUA também sofrem com o racismo. EUA e Alemanha nazista são substancialmente iguais?

    Esquece que outras questões influenciaram o cenário político e que mudar uma variável, muda muita coisa.

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      20 de março de 2014 9:42 am

      Não me parece que eu tenha

      Não me parece que eu tenha escrito o texto para contestar um comentário seu. E ao contrário de você eu não presumo que todos conhecem todos os fatos que foram enunciados. Ha, ha, ha…

  16. josé adailton

    20 de março de 2014 10:49 am

    E como fica o ESTADISTA GV nesta história?

    Com estes fatos realmente verossímeis fica decoberta mais uma mancha na biogrtafia do idolatrado (pelas esquerda e  direita) ditador Getúlio Vargas

  17. Juliano Santos

    20 de março de 2014 4:59 pm

    Sinceramente, caro Fabio,

    Sinceramente, caro Fabio, porque precisa ser tão agressivo? O A.Araújo não é pseudônimo, é o AA, conservador “sócio honorário” do blog do Nassif. 

    Discordo muito dele, mas o respeito, e ele se interessa pelo bom debate. Com seu jeito grosseiro, voce tira o foco das coisas interessantes “out of the box” que diz. Ainda mais que cita “Memórias do sub-solo” talvez o melhor conto que eu li na vida.  

    É isso aí, o personagem do livro é radicalmente anti-indulgente, não consegue jogar nada para debaixo do tapete. Isso que voce fala, dos caras que flertaram com o nazismo, a eugenia, o racismo, são sujeiras jogadas para debaixo do tapete da nossa história. 

    No meio da poeirada, tem curiosidades irrelevantes como o fato do famoso Bar Luiz (o melhor chopp do Rio) se chamar Bar Adolfo antes de 45, e teorias de “supremacia branca” “cientificamente” sustentadas por “respeitáveis” intelectuais. O que ridicularmente persiste até hoje. Gostaria de lembrar que não faz muito tempo um grupo neonazista de SP tentou entrar em contato com o núcleo alemão. Este os rechaçou dizendo que não fala com “subraça latino-americana”. Bem feito.

    O próprio AA, que de forma alguma é facista, muito menos nazista, deixa seu conhecido elitismo ficar perigosamente parecido com esses discursos. Seu desdém por gafieiras e pagodes, ele certamente compartilha com os nazi-facistas. Mas para por aí!

    PS: Sem dúvida alguma existe o pré-45 e pós-45. Por exemplo, nada se fala sobe o fato do patriarca dos Kennedy, a família símbolo do liberalismo democrata americano, ter sido um tremendo simpatizante do nazismo. E por aí vai 

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