10 de junho de 2026

“Para casar bem com a China, precisamos investir em pesquisa”, aponta professor

Sem centros de pesquisa de classe mundial, país continuará dependente de transferência de tecnologia, enquanto empresários buscam produtos baratos para exportar
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A última viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à China, realizada no início do mês, foi avaliada de forma bastante positiva pelos entrevistados do programa Observatório de Geopolítica desta segunda-feira (26), em que o tema foi a cooperação entre o tigre asiático e a América Latina. 

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No entanto, Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito na UFF, FGV Rio e na Universidade de Língua e Cultura de Pequim, fez uma crítica bastante contundente em relação à estratégia desenvolvimentista do Brasil nesta relação: o baixo investimento em pesquisa. 

“Para casar bem com a China, precisamos fazer um investimento para termos universidades de classe mundial ou esqueça. Centros de pesquisa de classe mundial ou esqueça. Vamos ficar sempre mendigando para que os outros nos tragam um conhecimento que eles investiram pesadamente? Ai vamos continuar com empresários brasileiros indo a Cantão atrás de produtos baratos para exportar para o Brasil”, ressaltou Carvalho, editor-chefe da revista China Hoje.

O professor observou ainda que o avanço desenvolvimentista chinês foi consequência de altos investimentos em pesquisa e inovação em universidades e centros de pesquisa, tanto do governo quanto da iniciativa privada – formando uma combinação poderosíssima.

“É preciso dizer o seguinte: nós não temos a menor possibilidade, a menor, de desenvolver uma relação que catapulte o nosso desenvolvimento para o futuro nessa parte de tecnologia com as condições que as universidades brasileiras estão. Isso não é um problema do governo atual, é um problema histórico do Brasil”, completou Carvalho. 

Outro ponto relevante na relação Brasil e China é o fator Trump, uma vez que antes da eleição do bilionário como presidente dos Estados Unidos, o governo Lula, ainda no início do mandato, não estava tão ativo nas relações comerciais com o tigre asiático. 

Apesar de tais contrapontos, Evandro Carvalho considerou a viagem de Lula como positiva, especialmente porque durante a década de 1990, a China não estava tão presente no continente latino-americano. “Hoje em dia, qualquer projeto integracionista aqui na América Latina tem de colocar a China na equação.”

O professor apontou ainda o compromisso chinês com o desenvolvimento da região, já que há 10 anos havia a promessa de aumentar o investimento em infraestrutura da região. 

Além de superar os 200 projetos, a China conseguiu ampliar o comércio com a América Latina em US$ 500 bilhões e praticamente triplicou a projeção inicial de investimentos (de US$ 215 bilhões para US$ 600 bilhões) na região, tornando-se um interlocutor necessário. 

“Então, precisamos apostar mais neste diálogo, nesta interação, mais pessoas se integrarem, se conhecerem nos diversos setores dos povos chineses e latinos, pois a possibilidade dessa parceria se incrementar é muito grande”, completou Carvalho.

Confira o programa e as demais contribuições dos especialistas convidados para o debate em:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    27 de maio de 2025 8:28 am

    O Brasil é uma periferia geográfica. ASSIM COMO toda a América do Sul. Se quisermos passar para a primeira liga, temos que continuar a produzir alimentos; mas acima de tudo, investir cada centavo de excedente em tecnologia. QUE COMEÇA PELA PESQUISA.

  2. evandro

    27 de maio de 2025 11:23 am

    Ok, em qase todo mundo o grosso de pesquisa é realizada em instituições, se não publicas, com dinheiro público. mas empresas privadas também as realizam. Como é no Brasil? Que tal vermos quanto as empresas pagam a engenheiros, químicos, físicos, biólogos, etc. e, a partir daí ver se irão atrair pesquisadores. Sem esquecer de quanto pretendem investir e em quanto tempo pretendem obtar resultados.
    Só lembrando, que tal comparar salário inicial de professor universitário com doutorado com um inicial da PF (não cito nem delegado.

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