18 de junho de 2026

Sindicato do Banco Central repudia PEC da autonomia e critica Galípolo

Para entidade, proposta enfraquece o controle público e ameaça o BC rompendo seu papel de órgão de Estado
Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) acendeu o sinal vermelho nesta terça-feira (27), ao reforçar sua oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende conceder autonomia financeira e administrativa ao Banco Central (BC). Em tramitação no Senado desde 2023, a medida é vista pela entidade como uma ameaça direta à natureza pública do BC e uma tentativa de transformá-lo em um ente à margem do Estado.

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A ofensiva do Sinal surge em resposta ao apelo feito pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que pediu o apoio dos senadores à proposta. Para Galípolo, a PEC é fundamental para que o banco possa gerir seus próprios recursos sem depender da burocracia do Tesouro Nacional. Já para o sindicato, o discurso do presidente não representa a vontade da categoria.

“Ameaça à Constituição”

De acordo com o presidente do Sinal, Epitácio Ribeiro, a proposta rompe com princípios constitucionais e afronta a função do Banco Central como órgão de Estado. “A PEC fragiliza o controle republicano sobre a política monetária e abre espaço para a captura da autoridade monetária por interesses privados”, alerta.

A resistência interna à proposta é clara: em abril de 2024, 74% dos 4.505 servidores que participaram de uma consulta organizada pelo sindicato rejeitaram a autonomia financeira e administrativa do BC, reforçando a posição institucional da entidade.

PEC está parada, mas tensão segue alta

Desde julho de 2024, o texto da PEC está estagnado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, aguardando parecer do relator Plínio Valério (PSDB-AM), senador autor dos recentes ataques misóginos contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Atualmente, o Banco Central já goza de autonomia operacional, prevista na Lei Complementar nº 179, de 2021. A nova proposta, porém, vai além: permitiria ao BC controlar diretamente suas entradas e saídas financeiras, na prática funcionando como uma empresa pública.

Risco de ruptura institucional

O Sinal alerta que, se aprovada, a PEC pode alterar profundamente o desenho institucional da política monetária no Brasil, aumentando o risco de interferência de interesses de mercado e fragilizando a supervisão do Sistema Financeiro Nacional. A promessa de maior eficiência pode, na avaliação dos servidores, esconder um projeto de privatização disfarçada da autoridade monetária.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de maio de 2025 12:20 pm

    Galipolo quer aumentar a subserviência do BC aos banqueiros e especuladores que auferem lucros financeiros fabulosos extorquindo juros da União. Se a proposta dele for aprovada, o governo perde autonomia, a agenda pública deixa de existir, todas empresas públicas serão privatizadas e os interesses de longo prazo da população poderão ser totalmente ignorados pelo Estado. Esse filho da puta é a continuação do golpe de 2016 por outros meios e Lula deveria meter o pé na bunda dele.

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