O bilionário Elon Musk anunciou, em 28 de maio, a saída do governo de Donald Trump, em que exerceu o cargo de conselheiro especial e líder do Departamento de Eficiência Governamental (Doge).
Desde então, o então apoiador e financiador de Trump deu início a uma série de críticas ao presidente dos Estados Unidos, entre elas uma abominação repugnante que seria a proposta tributária de Trump.
Para comentar as rusgas, o programa TVGGN 20H contou com a participação do sociólogo Sergio Amadeu, que observou que as big techs deixaram de ser apenas gigantes empresariais da tecnologia para se tornarem estruturas geopolíticas, com influência direta nas estruturas de poder dos Estados Unidos e impactos globais em soberania, política e democracia.
E o coroamento dessa influência dos donos de big techs ocorreu na posse do presidente norte-americano em janeiro, que escolheu tais pessoas para compor a linha de frente do seu mandato.
“O Trump, por sua vez, acreditava que o Elon Musk era um gênio e que conseguiria domar esses grandes grupos que têm disputas dentro dos Estados Unidos e no mundo inteiro, por partes de mercados, por segmentos e tal. Mas eles atuam conjuntamente em várias áreas, em muitas áreas. Então, eles estão decididos a criar um clima internacional favorável ao avanço do trumpismo”, afirma Amadeu.
Segundo o entrevistado, empresas como Google (Alphabet), Meta, Microsoft, Amazon e Oracle estão cada vez mais integradas ao chamado “Estado Profundo” norte-americano — conceito que remete a estruturas permanentes de poder que operam para além dos governos eleitos. O envolvimento das big techs em decisões estratégicas do Estado americano ficou evidente até mesmo em cerimônias oficiais, como a posse presidencial de Donald Trump.
O sociólogo argumenta que o trumpismo não é irracional, mas sim parte de uma estratégia bem articulada de reinvenção do Estado, baseada em ideais defendidos por pensadores como Curtis Yarvin, conhecido por seu ativismo tecnológico e vínculos com a extrema-direita americana.
“Então, a ideia de explodir por dentro. Eles estão bem articulados nisso e me assusta quem acredita que essas plataformas que, no caso das redes sociais online, são todas ligadas a essas corporações. As big techs ali, principalmente, dois grandes grupos, Alphabet e Meta, eles estão intrinsecamente ligados à política trumpista.”
Nesse contexto, as Big Techs atuam não só em rede, mas de forma coordenada, com interesses comuns na manutenção da hegemonia tecnológica e da influência política dos EUA. Um dos exemplos citados é o Projeto Stargate, anunciado ainda sob Trump, com investimentos milionários para garantir a liderança americana em inteligência artificial (IA), tendo empresas como Oracle e OpenAI (parceira da Microsoft) como protagonistas.
Brasil na mira
Amadeu manifesta preocupação com os rumos do Brasil diante desse cenário. A entrada massiva de data centers de empresas americanas no país — anunciada pelo Ministério da Fazenda como uma iniciativa positiva — é vista por ele como uma extensão da soberania dos EUA em solo brasileiro.
Ele destaca que, mesmo que fisicamente localizados no Brasil, data centers de empresas norte-americanas continuam sujeitos à legislação dos EUA, como o Cloud Act, que permite que autoridades americanas acessem dados armazenados por empresas sediadas nos EUA, independentemente da localização física desses dados.
“Essas empresas não só com redes sociais online, mas também agora com esses clientes de IA generativa, vão interferir na formação da opinião pública, estão interferindo e ninguém, vamos dizer assim, pode achar, não sei como, a grande ingenuidade que vai conseguir se dar bem dentro desse cenário da plataformização. Então, eu acho muito perigoso o que está acontecendo e os ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, é uma prova que eles vão fazer em breve mais uma extensão da soberania norte-americana”, continua o sociólogo.
Militarização
Outro ponto central da entrevista é a militarização crescente das big techs. Amazon, Microsoft, Google e Oracle possuem contratos diretos com o Pentágono e participam de projetos de “ponta tática”, como o desenvolvimento de satélites, conectividade para zonas de combate e articulação de drones.
A Palantir Technologies, empresa criada com fundos da CIA e liderada por Peter Thiel — ex-sócio de Elon Musk e figura central da extrema-direita americana — também é citada como exemplo de como empresas privadas operam com lógica militar e ambições geopolíticas. “A Palantir venceu uma licitação para desenvolver a plataforma de dados do sistema de saúde do Reino Unido, mesmo sendo contrária ao serviço público de saúde”, ressalta Amadeu.
Ignorância estratégica
Ao discutir a falta de estratégias digitais no Brasil, o entrevistado aponta uma resistência histórica da classe política, especialmente da esquerda, em compreender a centralidade da tecnologia para o desenvolvimento nacional. “Há uma ignorância ativa. Eles fazem questão de não entender de tecnologia, e isso é grave.”
Segundo o sociólogo, o Brasil perdeu oportunidades de desenvolver infraestrutura digital própria e de investir em software livre — movimento que foi abandonado apesar de seu potencial de soberania tecnológica.
Hoje, até mesmo projetos universitários de IA acabam sendo subcontratados para nuvens da Amazon ou Microsoft, por falta de infraestrutura nacional.
Inspirando-se na China, Sergio Amadeu defende que dados devem ser tratados como um dos principais fatores de produção — ao lado de capital, trabalho e terra.
Ele argumenta que o Estado brasileiro deveria liderar iniciativas para criar grandes centros públicos de dados, garantindo acesso e infraestrutura para universidades e centros de pesquisa. “Um projeto nacional de IA deveria ter começado no início do governo. Sem isso, vamos continuar pagando para as big techs nos ensinarem como pensar.”
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Paulo Dantas
5 de junho de 2025 7:35 pmSugestão de pesquiss.
Duas perguntas.
1 As Redes Sociais alteram a opinião pública ? Sim() Não ()
2 As Redes Sociais alteram a sua opinião ? Sim() Não ()
O resultado seria incoerente.
Rui Ribeiro
6 de junho de 2025 8:46 amA sua conclusão está fundamentada numa premissa falsa: a de que todo mundo é igual.
A maioria das pessoas não se atreve a pular de pára-quedas? Sim ( ) Não ( )
Os pára-quedistas se atrevem a pular de pára-quedas? Sim ( ) Não ( )
O resultado seria incoerente? Não. A sua conclusão é falsa. O Pa$tor Bostonarista não me influencia, mas influencia muitos fiéis.
Paulo Dantas
6 de junho de 2025 12:13 pmQuero dizer que a maioria acha que as Redes só influenciam os outros.
Eu sou esperto…
Assim sendo não influenciaria ninguém.
Mas influenciam.
Rui Ribeiro
7 de junho de 2025 9:28 amA maioria esmagadora nem sequer sabe que redes sociais influenciam ou deixam de influenciar comportamentos e ações
Rui Ribeiro
6 de junho de 2025 6:24 amMu$k saiu do governo mas foi infectado pelo germe do arrego/chicken out. Ontem ia descomissionar a Dragon. Hoje não vai mais.
Antes era meu bem pra lá, meu bem pra cá. Agora é meus bens pra cá e os teus também. Interesseiros
Rui Ribeiro
6 de junho de 2025 7:08 amUm eleitor com muito inheiro faz a democracia:
“Sem mim, Trump teria perdido a eleição, os democratas controlariam a Câmara e os republicanos estariam em desvantagem de 51 a 49 no Senado. Quanta ingratidão”. – Musketeer
Rui Ribeiro
6 de junho de 2025 11:59 amEm janeiro eu escrevi aqui nesse site:
Durante a campanha eleitoral, o Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas:
“Se os preços do petróleo caírem, a guerra da Rússia contra Ucrânia acabará rapidamente”. – Trump
Ele acabou com o incentivo à produção de carros elétricos, preferindo carros que utilizam combustíveis fósseis, e isso prejudica o dono da Tesla, Elon Musk. Mas com esse incentivo à produção de carros que utilizam combustíveis fósseis, a tendência da demanda por tais combustíveis é aumentar, elevando os preços do petróleo”.
À época, o Douglas da Mata replicou:
“Ouso discordar, amigo Rui.
Musk tem fábrica carros de tomada, mas, com certeza, deve estar atolado de grana dos fundos do mercado de petróleo e gás.
No longo prazo, todo mundo estará morto, é verdade, mas ele vai vender um monte de carro no exterior aos EUA, justamente porque um monte de imbecil vai pagar muito caro para dizer que é eco-politicamente correto, ou que quer cumprir acordos climáticos caracu, países ricos com a cara, e os pobres…bem, você sabe…
E quer saber mais, assim como aconteceu com as placas solares, governos cretinos, como Milei, e de imbecis, como o de Lula, vão torrar dinheiro em subsídios e isenções fiscais para patrocinar economia de energia para ricos.
É a minha conta de luz que paga a economia nas mansões.
É o meu IPVA de 4% que pagará a isenção de carros de tomada.
Quem pode pagar 200 mil em um carro?
Lá na frente, depois de lucrar horrores com o mercado do petróleo, e de vender carros de tomada para fora, e subtrair rendas públicas dos países pobres (que justificam, dizendo que desejam reduzir emissões), Musk e Trump voam para Marte”.
Pois bem. Agora, quando o Trump se voltou contra o “mandato do carro elétrico, ameaçando os negócios do Elon Musk, este escreveu:
“Whatever. Keep the EV/solar incentive cuts in the bill, even though no oil & gas subsidies are touched (very unfair!!), but ditch the MOUNTAIN of DISGUSTING PORK in the bill.”
Musk só se prejudicou entrando na política e debandando descaradamente para o fascismo.
Marconi Cavalcante Benck
6 de junho de 2025 12:34 pmAs big techs são braços do Estado americano e cumprem a função de manipular, distorcer, omitir ou negar informações verdadeiras, aquelas baseadas em fatos e evidências verificáveis. Há censura nos algoritmos e vieses que multiplicam determinadas ideologias e fantasias e não promovem a verdade, mas a vontade e interesses de alguns poucos. A desinformação que grandes grupos de mídia sempre produziram para a opinião pública brasileira, as big techs oferecem para a opinião pública do Brasil e do mundo. É urgente a responsabilização civil e penal das plataformas pelos contéudos falsos e ofensivos que veiculam.
Rui Ribeiro
7 de junho de 2025 9:30 amAo contrário, Sr. Marconi, o Estado é que é um braço das Big Techs.
Lênin and The Ulianovs
6 de junho de 2025 3:31 pmNassif, me permita.
O que as big techs são para o estado capitalista hoje, foram todos os oligopólios industriais e financeiros no século passado todo.
O estado, no modo de produção capitalista, não existe senão para funcionar como uma aparência de que as instituições estão fora das sócio reproduções do modo produtivo, e de fato estão, ao menos, formalmente, ao contrário do feudalismo, onde tudo se confundia, a partir da posse da terra, e das relações imutáveis (sociais) de servidão/nobres/clero, imanentes às relações econômicas.
Mas essa “separação de poderes”, digamos assim, não se sustenta por muito tempo, primeiro porque é o Estado o instrumento de controle político das classes em conflito, e depois porque a própria concepção de capitalismo só faz sentido com esse tipo de relação promíscua entre o capital (classes dominantes) e a burocracia estatal.
A questão crucial é que com as big techs temos uma nova etapa (a última?) de acumulação, onde se reúnem os meios e os fins, sendo pouco visível a distinção entre essas instâncias.
A produção de dados e metadados, a transmissão de ativos, a criação de sistemas de validação de trocas, fora das competências e soberanias estatais (criptomoedas), enfim, a captura e difusão de informações seletivas e arbitradas por algoritmos, e por seus donos, é sim, algo assustador.
Mas não é diferente do susto do controle do telégrafo ou das ferrovias, as expansões coloniais genocidas patrocinadas por empresas.
Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de junho de 2025 8:39 amA questão na verdade é muito simples. No passado os gringos precisavam gastar muito dinheiro, esforço e tempo para construir redes de influência que permitissem interferir nas eleições de um país ou para provocar golpes de estado e guerras civis. Tudo se tornou mais fácil e barato agora que bolhas de ódio podem ser criadas e sopradas com ajuda de algoritmos das plataformas de internet, isso para não mencionar que as Big Techs auferem lucro com o frenético compartilhamento de fake news e campanhas de ódio desenhadas para produzir o efeito eleitoral e político desestabilizador desejado. Se não aprisionar o cramulhão matemático norte-americano numa garrafa, a democracia brasileira será destruída em menos de uma década.
José de Almeida Bispo
7 de junho de 2025 8:44 amA criatura engolindo o criador. BigTechs foram criadas PELO GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS, para destruir qualquer defesa por parte de estado estrangeiro; não pela obrigatoriamente dogmática religião (por mais bagunçada que seja a seita); mas por algo quase inalcançável, porque a mente humana, devidamente estudada e manipulada por algoritmos, mas com toda a flexibilidade que o poder pelo poder necessita. E ESSE PODER SE VIROU CONTRA OS PRÓPRIOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Contra a própria essência. O capital e sua imprensa matou os políticos; agora a IA mata o capital, como poder mediante o domínio da opinião… pela imprensa. E, a menos que o Sr. Bannon estabeleça um federação, minimamente administrável da sua aposta religiosa, elas, as múltiplas religiões estão fadadas a também cair.
Paulo Dantas
7 de junho de 2025 11:23 amNasceram nas universidades de elite americanas, iniciativas individuais, incorporadas ao Estado e Poder americanos.
Muita grana alí, Trump erra feio ao comprar brigas com as univerdades, parte de softpower americano vem das elites estrangeiras que ali estudam e levam a simpátia aos EUA aos seus países.
Posso estar errado mas não vejo este poder todo de manipulação, vejo poder de informação pois muita coisa por passa elas.