10 de junho de 2026

Entre Trump, drogas e delírios: os bastidores de Elon Musk expostos pelo NYT

Enquanto se aproximava da Casa Branca, bilionário enfrentava crise pessoal com uso de entorpecentes, conflitos familiares e episódios públicos de instabilidade
Foto: Getty Images

Enquanto consolidava sua influência na campanha de Donald Trump, Elon Musk enfrentava uma espiral de crises pessoais: uso abusivo de drogas, conflitos familiares e episódios públicos marcados por declarações desconexas, gestos ofensivos e teorias conspiratórias. É o que revela uma ampla investigação publicada nesta sexta-feira (30) pelo The New York Times.

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Na noite de quarta-feira (28), Musk anunciou a saída da chefia do Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos, o Doge. Nem ele, nem seu advogado, no entanto, responderam aos pedidos de comentário do New York Times sobre o uso de drogas e os episódios que indicam instabilidade pessoal.

Uso de drogas e instabilidade emocional

Segundo a reportagem, Musk, hoje com 53 anos, fazia uso frequente de cetamina, ecstasy e cogumelos psicodélicos, muitas vezes combinando substâncias. Carregava ainda uma caixa com cerca de 20 comprimidos, incluindo Adderall, medicamento usado no tratamento de TDAH.

Pessoas próximas relataram que os efeitos colaterais, como dores e inflamações na bexiga, se intensificaram com o uso crônico do anestésico, que Musk declarou utilizar como alternativa a antidepressivos.

Elon Musk admitiu o uso de substâncias ilícitas durante o período em que atuou informalmente como conselheiro na transição presidencial de Donald Trump. No entanto, ele era classificado como “funcionário especial do governo”, o que o isentava de algumas normas federais.

A cetamina, embora tenha uso médico permitido, é controlada e seu uso recreativo viola regras de conduta. Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Musk fazia uso quase diário da substância, em contraste com o que declarou publicamente em 2024, quando disse consumir apenas pequenas doses: “Se você usou cetamina demais, não consegue trabalhar, e eu tenho muito trabalho”.

“Há algo seriamente errado com sua bússola moral, senão com sua percepção da realidade”

Em aparições públicas, o bilionário exibiu gestos considerados ofensivos, confundiu respostas em entrevistas e fez declarações desconexas. Em uma conversa específica com um amigo que não se identificou, falou sobre “lasers do espaço” e uma “anomalia na matriz”, após aparecer pela primeira vez com Trump em um comício.

“Elon tem ultrapassado cada vez mais os limites de seu mau comportamento”, afirmou o neurocientista Philip Low, amigo de longa data do empresário, ao comentar um episódio em que Musk fez um gesto nazista durante um comício.

O filósofo e ex-amigo Sam Harris também expressou preocupação com os rumos tomados por Musk, como o uso de sua plataforma, a rede X, para promover desinformação e ataques pessoais. “Há algo seriamente errado com sua bússola moral, senão com sua percepção da realidade”, escreveu Harris em um boletim informativo publicado em janeiro.

Além dos sinais de instabilidade emocional, o fundador da Tesla e da SpaceX se viu envolvido em uma série de disputas judiciais relativas à guarda de filhos e a relacionamentos simultâneos com diversas mulheres, entre elas a artista Claire Boucher, a executiva Shivon Zilis e a escritora Ashley St. Clair, mãe de seu 14º filho.

O menino levado por Musk ao Salão Oval — e que, diante de Trump, declarou “eu quero que você cale a sua boca” — tornou-se motivo de desentendimento com Boucher. A artista, em mensagens privadas, afirmou que a exposição pública da criança violava o acordo de custódia firmado entre os dois, que previa manter os filhos fora dos holofotes.

A apuração do New York Times aponta ainda que Musk tentou manter em sigilo a paternidade mais recente oferecendo a Ashley St. Clair até US$ 15 milhões em troca do silêncio. Ela recusou o acordo e recorreu à Justiça solicitando pensão emergencial.

Outro ponto levantado pela reportagem envolve os protocolos internos da SpaceX, empresa contratada pelo governo norte-americano. Apesar das normas que exigem abstinência de substâncias ilícitas, Musk era avisado com antecedência sobre os testes de drogas — uma prática que contraria as diretrizes de controle impostas a qualquer contratado federal. Procuradas, nem a Casa Branca nem a empresa responderam às perguntas do jornal.

No epicentro dessa narrativa, o homem mais rico do mundo parece ter perdido o equilíbrio entre poder e responsabilidade. E, enquanto avança no campo político ao lado de Trump, as revelações do New York Times expõem um personagem mais vulnerável e controverso do que o mito que ajudou a construir.

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6 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    31 de maio de 2025 3:07 pm

    O herói da Folha de S.Paulo é um nóia bilionário que poderia muito bem estar rolando na sarjeta da cracolandia em São Paulo, caso em que ele seria morto a tiros pela PM de Tarcísio de Freitas. Um incidente desse tipo exporia as limitações do jornalismo laudatório neoliberal. Seria impossível a Folha elogiar o drogado Elon Musk sem condenar a polícia nazista assassina do governador paulista ou condenar o bilionário nóia para salvar a imagem de Tarcísio de Freitas sem condenar o próprio culto neoliberal aos bilionários. 😂😂😂😂😂😂😂

  2. Lênin and The Ulianovs

    31 de maio de 2025 3:27 pm

    A riqueza dele é muito mais obscena que seu comportamento.

    Aliás, é esse comportamento o símbolo dessa riqueza.

    Inatingível, acima das leis, amoral.

    Ora, que coisa horrorosa essa matéria, o que nos interessa com quem o cretino dorme ou o que ele toma?

    A questão é um homem deter uma riqueza maior que o PIB de vários países.

  3. José de Almeida Bispo

    31 de maio de 2025 10:38 pm

    Roma produzindo seus calígulas, neros… e crassos. Loucos, poderosos e furiosos pra todos os (des)gostos.
    “Tudo posso!”
    Porque, “Se quero, posso; e se posso, faço”.

  4. Rui Ribeiro

    1 de junho de 2025 1:30 pm

    Por falar em drogas, o Nikolas Ferreira disse:

    “É no mínimo curioso que pessoas de uma ideologia que defende a descriminalização das drogas, de repente, estejam preocupadas com isso. (…) Valeu a tentativa, mas tentem na próxima”. – Nikolas Ferreira

    A esquerda defende o uso de drogas, não o tráfico. Porque o Nikolas quer que a esquerda defenda não só os usuários de drogas, mas também os traficantes? Suspeitíssima

  5. +almeida

    1 de junho de 2025 2:25 pm

    Talvez o povo norte americano seja muito mais afetado do que se imagina, pela ansiedade, stress, depressão e medo. Grande parte deles causados por boa parte por temor de retaliações de outros espalhados pelo mundo e que são vitimas sofridas das guerras, brigas, invasões, interferências, espionagens e todo tipo de jogo sujo que criou, alimentou e reproduziu, nas incubadoras férteis da gananciosoa adoração ao poder único e soberano do planeta.
    Então, não dá nem para imaginar até onde poderá se expandir esses terríveis e incontroláveis sintomas, sabendo que dois perigosíssimos vulcões do apocalipse de unem e se convivem lado a lado.
    A exclusividade que o povo norte americano detém,pela liderança do sofrimento causado por ansiedade, stress, depressão e medo, está ameaçada de ser dividida com quase todo o planeta. Existem muitos povos que também repelem bruxos, bestas feras, desequilibrados humanos e mentais.
    Há perigos nas esquinas do mundo.

  6. Rui Ribeiro

    2 de junho de 2025 8:51 am

    O Musk confirmou que usou ketamina mas não usa mais. Nada obstante ele disse que o NYT mentiu descaradamente. FHC fumou maconha mas não tragou.

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