27 de junho de 2026

Carta Aberta ao Jornal O Globo, por Ricardo Gouveia

Entre os últimos dia 4 e 6 de junho o Presidente Lula cumpriu intensa, calorosa e frutífera agenda na França
Crédito: Ricardo Stuckert/ PR

Carta Aberta ao Jornal O Globo

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Por Ricardo Gouveia

E o que noticiou o jornal O Globo? Praticamente nada. Na edição do dia 5 NADA. No dia 6 uma notícia negativa e parcialíssima da visita, explorando as divergências entre os dois chefes de estado sobre a guerra da Ucrânia. Na edição do dia 7 novamente NADA.

Assim, os leitores do jornal não ficaram sabendo da calorosa recepção a Lula pelo presidente Macron, de centro direita, e pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, de centro esquerda. Que em homenagem ao Brasil a Torre Eiffel foi iluminada de verde e amarelo. Que Lula reforçou a negociação de um acordo entre União Europeia e Mercosul, que podem trazer um efeito positivo de R$ 37 bilhões ao Brasil. Que no Fórum Econômico França – Brasil, com a presença de 600 empresários dos dois países, os franceses elevaram a possibilidade de seus investimentos no Brasil para cerca de R$ 100 bilhões nos próximos 5 anos.

Os leitores também não ficaram sabendo que Lula recebeu homenagem da célebre Academia Francesa (que inspirou a criação da nossa Academia Brasileira de Letras, presidida atualmente pelo colunista de O Globo, Merval Pereira, que deve portanto saber de sua relevância), tendo a instituição francesa concedido tal deferência a apenas outros 19 chefes de estado em seus 400 anos, sendo D. Pedro II e Lula os únicos brasileiros; que recebeu o titulo de Doutor Honoris Causa da Universidade Paris 8; que visitou com Macron a exposição do artista brasileiro Ernesto Neto no prestigiado Grand Palais (matéria para o Segundo Caderno, não?), que recebeu a certificação do Brasil como país livre da febre aftosa….UFA !!!

O que teme o jornal? A fragilização de seu cego, totalitário e sem matizes anti-lulismo, pela comparação com a calorosa recepção à Lula pelos dois mandatários franceses de diferentes espectros políticos, pelos empresários, pelos mundos artístico, intelectual e universitário daquele país e até pela Torre Eiffel?

O Jornal tem todo direito de exercer seu papel opinativo, o que aliás o faz com veemência, mas não pode deixar de cumprir seu dever público de informar. Isto não é jornalismo nem aqui nem no Xihua da China, no The New York Times dos Estados Unidos, no El País da Espanha, no The Guardian do Reino Unido ou no Clarín da Argentina.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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3 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    8 de junho de 2025 10:13 pm

    Eu nem sei o que é mais patético.

    A carta a um jornal de DIREITA, golpista de todos os golpes, um instrumento de dominação ideológica capitalista, que age como tal ou…ou o ufanismo viralatas de dar uma importância danada ao “tratamento” francês ao brasileiro.

    Nem vou mencionar o aspecto simbólico desse viralatismo eurocentrista, baseado em afagos de um país europeu de segunda (ou terceira?) divisão.

    Agora, bater tambor pelo acordo Mercosul caracu é demais…

    Meu Zeus, para onde vai essa esquerda de m*rda????

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    9 de junho de 2025 6:56 am

    É o efeito Ricúpero: O que interessa para o capital improdutivo, a imprenaa PORCOATIVA, PUBLICA, o que não interessa, faz de conta que não aconteceu.

  3. Luiz

    9 de junho de 2025 8:58 pm

    Meu caro senhor: aos 100 anos O Globo é jornal irrelevante para a maioria dos brasileiros, assim como seus irmãos siameses da capital paulistana. Somos mais de 210 milhões e a tiragem (de cópias não de ‘tiras’) não alcança os maiores bairros das capitais do Rio e São Paulo, onde poucos leem jornais.

    Portanto, não faz nenhuma falta as alvíssara reservadas ao velho Lula na França, sua capital e as mais importantes cidades que o mandatário brasileiro visitou, foi recebido e teve homenagens. Para o jornal centenário, resto o mofo do que um dia foi jornalismo – se é que se pode assim apelidar o que fez desde 1925.

    Vamos deixar de buscar reconhecimento dessa imprensa mediocre, cheia de gente com opiniões preconceituosas que se diz colunista de opinião e fazer o certo: jamais deixar a trincheira do conhecimento, inteligência e da defesa dos interesses populares. Essa mídia nacional nem à elite (e há?) se interessa preocupada com as rendas da espoliação de nossa gente e também por não saber ler.

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