10 de junho de 2026

Governo e Câmara em rota de colisão: votação relâmpago sobre IOF acirra crise

Hugo Motta antecipa pauta sobre revogação do aumento do IOF, surpreende o Planalto e escancara tensão entre Executivo e Legislativo
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), colocou em votação nesta quarta-feira (25) o projeto que revoga o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imposto cuja elevação foi determinada recentemente pelo governo Lula. O movimento, feito durante uma semana esvaziada por conta das festas de São João, pegou o Planalto de surpresa.

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Em sessão virtual? Esse é um assunto sério demais para o país“, criticou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), em publicação na rede X. O governo esperava negociar previamente a data da votação, mas a decisão de Motta foi comunicada apenas às 23h35 da véspera, também pelas redes sociais, sem aviso formal ao governo federal.

Impacto fiscal e risco ao Orçamento

A antecipação da pauta causou reação imediata do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu publicamente o aumento do IOF. Segundo ele, o decreto “corrige uma injustiça: combate a evasão de impostos dos mais ricos para equilibrar as contas públicas e garantir os direitos sociais dos trabalhadores”.

Já a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, alertou que a derrubada do decreto comprometeria a execução de programas sociais e até o pagamento de emendas parlamentares. “O decreto do IOF traz ajustes necessários para a execução do Orçamento de acordo com o arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso”, afirmou.

A expectativa inicial era que a votação ocorresse em 8 de julho, após o retorno de Motta do Fórum Lisboa, evento que conta também com participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Gilmar Mendes.

O governo também aguardava a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas, prevista para 22 de julho, que daria mais clareza sobre o cenário fiscal antes de uma decisão definitiva.

Emendas no centro do impasse

Nos bastidores, a decisão de Motta foi recebida como uma retaliação ao ritmo considerado lento na liberação de emendas parlamentares. Embora o governo sustente que vem acelerando os repasses, deputados pressionam por maior agilidade e se queixam pela influência indireta do ministro Flávio Dino, relator no STF de uma ação que questiona a transparência das emendas impositivas.

Na sexta-feira (27), Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), devem comparecer pessoalmente ao Supremo para tratar do tema com Dino.

Pautas com alto custo avançam no Congresso

A movimentação da Câmara ocorre no mesmo momento em que o Legislativo avança sobre outros projetos com elevado impacto fiscal. Em maio, foi aprovado o aumento de 18 vagas de deputados, com custo estimado em R$ 64,6 milhões por ano. E, na última semana, o Congresso deu sinal verde a uma proposta que pode elevar em 3,5% a conta de luz dos brasileiros, acumulando um impacto de R$ 197 bilhões em 25 anos.

A própria sessão remota desta quarta inclui, além do PDL do IOF, a análise de duas medidas provisórias: uma que autoriza o uso de até R$ 15 bilhões por ano do Fundo Social para habitação popular, e outra que permite o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Eu

    25 de junho de 2025 10:10 pm

    Não se pode dizer que Motta não seja um aluno aplicado. Estudou bem e está aplicando ítem por item o roteiro usado por seu mentor político, o nefasto Eduardo Cunha, para a pavorosa deposição de Dilma Rousseff. Pautas-bomba são implantadas de forma a não permitir a menor chance de bloqueio pelo governo e programadas para explodir posteriormente no colo deste, quando a banda de música da direita já estará a postos para bater os bumbos do mercado de notícias, gerando um progressivo desgaste da imagem do Estado Social e dos seus defensores junto à população que prepare terreno para a derrota eleitoral ou, caso isto não pareça viável pelo resquício da força política de Lula, para sua deposição e nova inviabilização política. Tudo isto enquanto as correntes internas do PT se digladiam para conseguir o espólio eleitoral do líder, cegos ao fato que um novo período de domínio da extrema-direita eliminará o direito de sucessão, graças à eliminação dos herdeiros. E continuamos na praça, dando milho aos pombos…

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    27 de junho de 2025 8:30 am

    A derrubada do IOF só vem comprovar que estamos numa USUROCRACIA, o resto é blá blá bá, para delite da mídia porcoativa.

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