10 de junho de 2026

Conferência busca dar voz aos excluídos em decisões globais

Evento na Espanha representa uma chance de promoção de políticas progressistas que busquem combater mudanças climáticas e desigualdade
Foto de Matt Collamer na Unsplash

O populismo de extrema direita, tensões geopolíticas e a indiferença com as questões climáticas afetaram a ordem multilateral, e uma conferência que começa na próxima segunda-feira na Espanha busca dar voz às comunidades há muito excluídas da tomada de decisões globais.

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A Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FfD4), de 30 de junho a 3 de julho em Sevilha, Espanha, representa uma oportunidade para a promoção e debate de “políticas progressistas ousadas que visem combater as mudanças climáticas, reduzir a pobreza e a desigualdade e reformar as regras de engajamento multilateral para fortalecer a democracia global”, segundo Kaushik Basu, principal assessor econômico do Governo da Índia e professor de Economia na Universidade Cornell.

Em artigo no Project Syndicate, Basu explica o chamado Compromisso de Sevilla, documento que aborda a situação das populações mais pobres do mundo em busca da união de governos e organizações da sociedade civil em torno desses objetivos compartilhados, que têm sido abafados pelo hipernacionalismo de muitas economias avançadas.

“O crescente número de migrantes tentando chegar a países mais ricos é um claro indicador da deterioração das condições em grande parte do mundo em desenvolvimento. Infelizmente, muitos dos que fogem de conflitos, pobreza e desastres climáticos não são recebidos com compaixão, mas sim com indiferença ou, cada vez mais, com hostilidade declarada”, explica o articulista.

Para evitar desastres impulsionados pela indiferença e apatia, Basu afirma que a próxima conferência “visa reacender um senso adormecido de responsabilidade compartilhada, essencial para enfrentar desafios que nenhum país pode enfrentar sozinho”.

“Após anos de crescente nacionalismo, fragmentação geopolítica e recuo da cooperação multilateral, a próxima conferência FfD4 poderá começar a curar um mundo fragmentado. Mas isso exigirá a revitalização da governança democrática, a restauração da dignidade de comunidades marginalizadas e a proteção dos direitos daqueles que herdarão o planeta depois que partirmos”, reitera o economista.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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