10 de junho de 2026

EUA ignoram oferta comercial brasileira e negociações seguem travadas a uma semana do prazo

Mesmo após sinalizações para concessões, Casa Branca não respondeu à oferta enviada pelo Brasil há dez dias. Impasse preocupa
ShutterStock

A pouco mais de uma semana do fim do prazo para negociações bilaterais, o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ainda não respondeu à proposta comercial apresentada pelo Brasil. Segundo apurou o jornalista Jamil Chade, do portal UOL, uma delegação brasileira enviou há cerca de dez dias uma oferta formal à Casa Branca com sugestões de reciprocidade comercial entre os dois países – mas até agora, não obteve qualquer retorno.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A ausência de resposta pegou de surpresa não apenas o governo Lula (PT), como também representantes do setor privado brasileiro, que apostavam na possibilidade de um entendimento com os EUA. O silêncio da administração Trump, no entanto, reforça o clima de incerteza e preocupação em Brasília, especialmente diante do prazo apertado: até 9 de julho, Washington deve definir se aceita ou não rever as tarifas impostas a diversos parceiros.

A proposta brasileira busca abrir caminho para uma relação de troca justa entre os mercados. Em um dos pontos centrais da negociação, o Brasil sinalizou a possibilidade de reduzir a tarifa de 18% sobre o etanol americano, uma das principais reclamações dos EUA. Em contrapartida, o Planalto pediu a abertura do mercado americano ao açúcar brasileiro.

Outro argumento apresentado pelo governo Lula é que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil, e, portanto, qualquer medida de reciprocidade deveria contemplar também os interesses dos exportadores brasileiros.

Ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) chegaram a tratar do assunto com interlocutores da administração Trump, sem progresso.

Tarifas e retaliações

Desde 2 de abril, o governo Trump passou a aplicar tarifas comerciais a dezenas de países, sob o argumento de que esses parceiros impõem barreiras injustas aos produtos americanos. No caso do Brasil, foi fixada uma tarifa de 10%, que pode chegar a percentuais mais altos em setores específicos como autopeças e aço.

Na ocasião, a Casa Branca afirmou que aceitaria negociar caso os países afetados oferecessem maior acesso a seus mercados para produtos dos Estados Unidos. Foi nessa brecha que o Brasil atuou, apresentando a proposta de entendimento, hoje ignorada.

Enquanto o Brasil permanece sem resposta, os EUA fecharam um acordo provisório com o Reino Unido. O pacto atendeu setores estratégicos para os americanos, como o de etanol e aeronaves — áreas em que o Brasil também tem fortes interesses.

Acompanhe as últimas notícias:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. AMBAR

    2 de julho de 2025 5:51 pm

    No silêncio, o país que aproveite as duas oportunidades de ouro: a de se livrar dos americanos e a de procurar novos e mais interessantes parceiros.
    Por outro lado, não podemos esquecer de que temos “colaboradores” interessadíssimos no nosso fracasso habitando aquele país, portanto esse silêncio não surpreende.

  2. José Carlos Batista de Araújo

    6 de julho de 2025 12:37 pm

    Acho que se livrar de parceiros ácidos que promove ambiente comercial hostil, é sem dúvida assegurar a soberania da nação. Pode até doer na carne. Mas, não negociar mais com um camarada desse, ficamos fortalecidos perante o mundo. O Brasil é uma potência em commodities, produzimos alimento e matéria prima para o mundo, está na hora de unirmos as nossas forças com as nações que precisam do Brasil e fortalecer como nunca, para que todo mundo também se livre da hostilidade.

Recomendados para você

Recomendados