12 de junho de 2026

Brics terá declarações de IA, doenças socialmente determinadas e clima

Reunião de cúpula do bloco acontece neste domingo (6) e segunda-feira (7), no Rio de Janeiro
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

da Agência Brasil

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Brics terá declarações de IA, doenças socialmente determinadas e clima

por Vitor Abdala

Negociadores dos 11 países que compõem o Brics concluíram, nesta sexta-feira (4) conversas sobre alguns dos temas-chave da reunião de cúpula do grupo, que será realizada no domingo (6) e segunda-feira (7). As negociações avançaram em pelo menos três áreas importantes para os países: cooperação em saúde para eliminação de doenças socialmente determinadas, inteligência artificial (IA) e combate à mudança do clima.

As resoluções dos sherpas (negociadores dos países) serão encaminhadas para as lideranças políticas e devem resultar em declarações específicas sobre essas pautas. 

O Brasil busca, com essa cúpula, que acontece no Rio de Janeiro, “reequilibrar a agenda internacional, frequentemente centrada em disputas geopolíticas, para incluir prioridades como erradicação da pobreza, segurança alimentar e fortalecimento de sistemas de saúde”, segundo nota divulgada pela organização da cúpula.

“O esforço brasileiro é trazer estes temas para o centro da agenda desses grandes grupos. Na presidência a gente tem a possibilidade de fazer isso. Como fizemos no G20, com o lançamento da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, e agora fazemos com o lançamento da parceria para a eliminação das doenças que a gente chama as doenças da pobreza – tuberculose, hanseníase, malária, dengue, febre amarela”, afirmou o sherpa brasileiro, embaixador Mauricio Lyrio, que coordena os trabalhos de negociação.

Os negociadores também avançaram em outros temas, como institucionalidade e formalização de processos do grupo; a nova escala de presidência rotativa; e a forma de participação dos países parceiros, que com a recente entrada do Vietnã somam dez nações neste status.

COP30

As discussões em torno do clima focaram no financiamento climático. Na visão dos países do Sul Global, as nações mais ricas, que mais emitiram gases de efeito estufa, “precisam cooperar no financiamento da transição dos países que ainda não se desenvolveram plenamente”, disse Lyrio.

O Brasil espera ações concretas e ambiciosas em no combate à mudança do clima, uma vez que, em novembro deste ano, sediará, em Belém, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). 

A reunião desta semana dos sherpas foi a última para alinhavar negociações para a cúpula. Nas duas reuniões anteriores, realizadas em fevereiro e abril deste ano, já tinham avançado em outros temas, entre eles a Parceria Estratégica na Área Econômica e a incorporação de demandas sociais como o consenso de que o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) deve ser principal agente de financiamento da industrialização do Sul Global.

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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    6 de julho de 2025 9:17 am

    A cúpula do BRICS, que está sendo realizada no Brasil, divulgará a posição do bloco sobre a tecnologia de IA, e ela provavelmente será o oposto do que Donald Trump conseguiu fazer aprovar no Congresso dos EUA. É quase certo que a posição do BRICS será mais próxima da da Europa do que da dos EUA.
    Ao se tornar um ponto de divisão diplomática e atrito internacional, a tecnologia de IA evoluirá de forma muito diferente nos EUA do que no resto do mundo. Os norte-americanos, estando à frente da curva em IA agora, em breve ficarão isolados e incapazes de lucrar globalmente. Isso é bom.
    Os norte-americanos estão tão completamente à mercê do Vale do Silício hoje quanto estavam à mercê de Wall Street antes do colapso financeiro de 2008. Mas o mundo não será um paraíso para os príncipes da IA que são amigos de Donald Trump.
    Em 2008, o mundo financeiro estava quase totalmente alinhado com Wall Street. Não existe nada semelhante em relação à IA, e a Europa foi a primeira a divergir formalmente da posição norte-americana. Se as corporações de IAs e Big Techs norte-americanas quiserem lucrar fora dos EUA, elas terão que respeitar regras que odeiam. Caso contrário, o espaço econômico explorado pelos concorrentes das Big Techs norte-americanas será maior e mais lucrativo. Sanções econômicas e restrições ao acesso à tecnologia não funcionarão no contexto do isolamento dos EUA.
    A Guerra Fria da IA ​​já começou e, devido à sua natureza, ela não pode ser vencida pelos Estados Unidos. Os norte-americanos terão que se adaptar ao resto do mundo, e isso será muito doloroso para eles, que não estão acostumados a coexistir em igualdade de condições com outros povos e a respeitá-los. O mito fundador dos Estados Unidos, que faz os norte-americanos acreditarem que estão predestinados a liderar e a tirar vantagem da liderança, tornou-se o novo “fardo do homem branco” que os norte-americanos terão que suportar com prejuízo se não quiserem se livrar dele.

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