A recente fala do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que o magistrado viola as leis dos Estados Unidos ao determinar bloqueios de plataformas digitais e, consequentemente, a liberdade de expressão, gerou forte reação no meio político e acadêmico.
Para a Doutora em Filosofia e Teoria Geral do Direito, Juliana Paula Magalhães, as falas representam uma tentativa de intervenção indevida na soberania nacional e de representar um avanço do autoritarismo de extrema-direita no cenário global, além de serem acintosas e absurdas.
Isso porque o ministro atuou estritamente dentro da legalidade ao coibir crimes cometidos por meio das redes sociais durante os atos antidemocráticos no Brasil.
“Internet não é terra sem lei. Moraes agiu como juiz do Supremo Tribunal Federal, aplicando a Constituição, e não como uma figura política”, destacou a entrevistada do programa TVGGN 20H da última terça-feira (9).
Isso porque o presidente norte-americano tentou personalizar a atuação de Moraes como se fosse um ataque pessoal, o que seria uma tentativa de deslegitimar o Judiciário e enfraquecer as instituições democráticas brasileiras.
Segundo a análise da doutora, os Estados Unidos, sob influência de Trump, estão flertando com o fascismo. O presidente estaria buscando se colocar como um “imperador global”, sancionando autoridades estrangeiras e tentando exportar a lógica autoritária para outras nações, como o Brasil.
Juliana também destaca a crise do capitalismo pós-fordista e sua relação com a ascensão da extrema-direita global. “O neoliberalismo vive um esgotamento, e isso gera instabilidade política, guerras e ataques à democracia”, afirmou.
Um exemplo citado foi o “cenário grotesco” de Benjamin Netanyahu indicando Trump ao Prêmio Nobel da Paz, enquanto promove ações militares brutais contra Gaza.
Brics
Diante da decadência da hegemonia americana, os Brics surgem como alternativa relevante no equilíbrio geopolítico. A ascensão da China e o fortalecimento das relações Sul-Sul são vistos como estratégicos para países como o Brasil.
“Lula entendeu esse cenário e tem buscado posicionar o Brasil como ator relevante nessa nova ordem internacional. Trump percebeu isso e atacou os Brics porque enxerga uma ameaça à hegemonia dos Estados Unidos”, analisa a doutora.
A entrevistada também abordou o desequilíbrio institucional brasileiro. A judicialização da política, a hipertrofia do STF como poder moderador e o papel do Centrão no Congresso foram destacados como entraves para uma democracia plena.
“Hoje, partidos funcionam como feudos, o orçamento público está capturado por interesses particulares e o Judiciário age mais por reação do que por protagonismo”, disse, destacando ainda que o Poder Judiciário, mesmo sendo estruturalmente conservador, teve papel relevante na contenção das tentativas golpistas.
Por fim, a entrevistada ressaltou a importância da comunicação direta com a população como uma das estratégias centrais para a esquerda reconquistar sua base social. A elite política e econômica, segundo ela, não é confiável, e a força transformadora está nas massas trabalhadoras.
“É fundamental escancarar a desigualdade e mostrar à classe trabalhadora por que o serviço público é importante, por que precisamos de justiça tributária, por que o SUS é um patrimônio. A comunicação deve ser clara, direta e pedagógica”, argumentou.
Em meio à crise institucional, econômica e democrática, a esperança, segundo Juliana, está na mobilização popular: “O caminho é buscar apoio no povo. Só assim conseguiremos romper o nó górdio que paralisa o país.”
Confira a entrevista na íntegra em:
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