Os perigos do nacionalismo conservador
por Gilberto Maringoni
Há uma mudança significativa na conjuntura: o governo saiu das cordas, colocou a direita (centrão e parte do empresariado e da mídia) e a extrema-direita contra a parede. Três eventos geraram a nova situação. Pela ordem são:
- A ofensiva tarifária de Donald Trump;
- A reação petista-governista à derrota na votação das alíquotas do IOF na Câmara, na linha do “pobres contra ricos”;
- A acachapante vitória de Edinho Silva, candidato de Lula, nas eleições internas do PT.
A exagerada elevação das tarifas nos EUA suscitou a reação “União nacional contra agressão externa”, impulsionada pelo governo federal. Ela mostra inegável força para a consolidação de uma ampla frente anti-imperialista. As pesquisas começam a mostrar não apenas a recuperação da popularidade do governo, como o rechaço popular à investida de Donald Trump e o desmantelamento do discurso da extrema-direita. O clã Bolsonaro e seus capangas Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. se enrolam num redemoinho sem fim. O empresariado e a mídia se descolam do extremismo e ensaiam uma aproximação em direção a Lula.
O governo caminha na direção correta num plano geral, apesar de um sério problema que pode comprometer a efetividade de sua ação. Tanto as intervenções do presidente quanto a ação governista trafegam no sentido de um nacionalismo sem povo. Há acordos com as classes dominantes (agronegócio, indústria, mundo financeiro e direita política) sem articulação na base da sociedade. Ou seja, depois de espancar os “super-ricos”, é apenas com eles que o Planalto busca conversar.
Não há pronunciamentos dirigidos às maiorias e nem agenda com entidades populares e de trabalhadores. Não há apelo à mobilização social.
Por enquanto tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, como nos versos do antigo sucesso da Blitz. O problema é que uma frente nesses moldes implica compromissos e seletividade de sacrifícios. Empresários terão quedas em seus ganhos, mas os trabalhadores podem amargar aumento de desemprego e de direitos diante do tsunami trumpista.
Tirar os setores populares de cena torna a frente instável e suscetível a qualquer chantagem por parte de quem até ontem perfilava-se com o fascismo. Ainda mais para uma composição que deve vertebrar os setores democráticos até as eleições de 2026.
Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.
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Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo
16 de julho de 2025 8:21 amCorretíssimo o artigo de Maringoni
Edivaldo Dias de Oliveira
16 de julho de 2025 12:47 pmPensei nisso ontem, quando li sobre a reunião do Geraldo com setores da industria e hoje parece que é com o agro. Não há uma agenda com as centrais e nem uma grita por parte delas, nesse sentido, como quem torce para não serem incomodadas.