16 de junho de 2026

“O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, afirma Lula

Pronunciamento em rede nacional enfatiza defesa da soberania e aponta apoiadores de Trump como “traidores da Pátria”; veja íntegra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou pronunciamento em rede nacional nesta quinta-feira (17/07) onde defendeu a soberania brasileira e criticou a “chantagem inaceitável” feita pelos Estados Unidos.

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Ao falar da tarifação de 50% aos produtos brasileiros, Lula lembrou que foram feitas mais de 10 reuniões com o governo norte-americano, e uma proposta de negociação foi enviada em 16 de maio.

“Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, destacou o presidente.

Além de destacar as reuniões com representantes do setor produtivo, Lula reiterou o superávit de US$ 410 bilhões que os Estados Unidos possuem nas relações comerciais com o Brasil há mais de 15 anos e lembrou que não existem vencedores nas guerras tarifárias.

Lula também destacou as tentativas do governo Trump em interferir na soberania brasileira – como, por exemplo, nas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, destacou Lula.

“Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações”, afirmou. “Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro”.

Veja abaixo a íntegra do pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Minhas amigas e meus amigos,

Fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto. O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação.

Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.

Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional.

Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.

Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.

Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras.

No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.

Minhas amigas e meus amigos,

Estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.

Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.

Minhas amigas e meus amigos,

A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares.

O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030.

Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo.

Minhas amigas e meus amigos,

Quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior.

Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.

Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Minhas amigas e meus amigos,

Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações.

Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.

Muito obrigado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. +almeida

    18 de julho de 2025 11:05 am

    Imagino que Donald Trump planeja e executa toda essa política de provocar problemas para incomodar, ocupar e desestabilizar os países alvos espalhados pelo planeta. Indica fazer dessas maldades uma espécie de sinal maligno, que talvez induza mentes de simpatizantes a turbinar mentiras e alarmismo pelas redes sociais. Penso que também possa incentivar, de forma indireta e maliciosa, a revolta de seguidores fanáticos e insanos.
    Então, no caso brasileiro, que os setores de informações, de pesquisas e de investigações fiquem atentos à perigosa horda belicosa de plantão. Afinal, as perigosas tentativas de fragilizar, para eliminar, a democracia no Brasil, apesar de supostamente controladas, me parece estarem sendo afloradas diante do imenso desespero dos temem pela cobrança judicial, que se aproxima cada vez mais daqueles e daquelas que ainda muito devem e muito ainda tem a explicar.

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