10 de junho de 2026

Ministros: Ama(em), Com Fé e Orgulho, a Terra em que Nasceste, por Camillo Filho

Infelizmente, vivi para ver o que se passa hoje. Alguns “Brasileiros” pedindo que outrem venha para cá meter seus bedelhos, no judiciário
(Foto: Alan Marques/Folhapress) - Reprodução

Senhores Ministros: “Ama(em), Com Fé e Orgulho, a Terra em que Nasceste”

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por Camillo Filho

Sou um sexagenário. Fiz o ensino básico e médio entre 1970 e 1980. Cursei, na época, uma disciplina comumente chamada de EMC – Educação Moral e Cívica. Era ministrada no meu caso por padres jesuítas. Nela nos ensinavam os símbolos nacionais, a honestidade, a ética, enfim, uma forma de buscar o bem comum e a paz social. A preservação da cultura, dos hábitos, do respeito, ou seja, um identitarismo, a preservação da língua comum, o hino, o território, a bandeira, o brasão, o selo, a autodeterminação e a soberania.

Malgrado a época triste por questões geopolíticas e ideológicas, e uma transição mundial do pós guerra, aonde Russos e Norte-Americanos lutaram do mesmo lado em face de um inimigo comum, inimigo da humanidade, diga-se de passagem, época em que o Direito de Conquista ainda respirava sob aparelhos, não creio que o sentido de Pátria tenha se alterado tanto assim.

A música e a poesia Brasileiras, desde a proclamação da independência, “Antes que um aventureiro lance mão”, sempre se regozijou de nossa Pátria como pode ser visto em Canção do Exílio, Samba de Orly, e tantos outros em maior ou menor grau sempre pautadas no coração, no orgulho.

É evidente que não trato aqui de falar de governos, regimes, interesses internos, que balançam ao talante das ondas de ocasião. Porém, todos brasileiros. Acho quase impossível algum brasileiro não ter noção do que sejam Pátria e Soberania. E num recorte a frase de Nelson Rodrigues, um conservador crítico dos costumes, sobre a seleção brasileira: A Pátria de Chuteiras nos Pés!. Pelé, que dedicou o milésimo gol aos pobres, Sócrates da democracia Corintiana, e tantos outros de outros matizes que empunharam a nossa bandeira e, não, a Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha. A Seleção é exemplo prático de Pátria e Soberania, aonde antagônicos internos se unem com unhas e dentes para defender seu País. E olha que teve até técnico da seleção que foi substituído por suas convicções… A seleção trouxe a taça.

Nunca nesses sessenta e tantos anos vi um presidente da República bater continência à símbolo de outra Pátria. Nunca, em tempo algum, vi quem quer que seja, renegar sua origem em razão das de outrem, exceto por traição.

Somos um país livre, democrático, pluralista, respeitador da Autodeterminação dos Povos, desigual sim, mas solidário. Temos os nossos defeitos e muito a fazer com nosso desenvolvimento civilizatório. Não temos dissídios com ninguém. Temos opiniões e uma das mais respeitadas diplomacias do planeta, ainda que um tanto esquecida no orçamento, as eleições mais modernas e mais rápidas, o SUS, sem igual no mundo, o carnaval, a jabuticaba entre tantas outras características únicas. Está certo, temos várias contas internas acertar, com os negros, os povos originários e outras, mas qual Nação não tem? Somos independentes há pouco mais de 200 anos, ainda temos muito a crescer.

Mas, infelizmente, vivi para ver o que se passa hoje. Alguns “Brasileiros” pedindo que outrem venha para cá meter seus bedelhos, no judiciário, para que façam o que os outros querem, por compadrio, na economia, para que nossos empresários e por consequência toda a cadeia sofram por castigo do não atendimento aos interesses de terceiros, ao nosso Legislativo, para que valide a permissividade de empresas estrangeiras, querem um quintalzinho feioso do império. Isso tudo na maior sem cerimônia e com algum apoio desses “patriotas”. Não estudaram EMC, e se o fizeram, não deveriam ter sido aprovados. Nem a doutrina militar, que no nosso caso sempre foi nacionalista, com algumas exceções, aceita isso, mas se queda calada, e quem cala consente. Nem vou mencionar Prudente de Moraes, Getúlio e outros, nem a Petrobras, a CSN, o programa Nuclear, entre outros.

Mas acordo e me deparo com a revogação dos vistos de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, sob a alegação de “autoritarismo” e por “restrições à liberdade de expressão”. Engraçado, isso tudo aos berros do púlpito do congresso e sublinhado nos meios de comunicação e nas redes sociais. Seria cômico se não fosse trágico. Pode isso Arnaldo?

Me espanta o fato de terem sido aparentemente vistos de alguns, não dos onze. Ai não sei. As exceções não possuem vistos atualmente, ou existem razões para permanecerem aceitos? E olha que o nosso “boné” jamais será vermelho.

Aos “agraciados” com a medida lá de fora, me solidarizo e alinho-me com eles, no entanto, urge desses Magistrados excepcionados do título de persona non grata que “declinem” dessa “gentileza”, formal e explicitamente, se é que foi gentileza, para que não pairem dúvidas a respeito de seu lado. Afinal, até ovo tem lado, o de “dentro” e o de “fora”. Tenho na alma que o farão.

Afora isso, ou agimos com altivez e firmeza pois “animal arisco, domesticado esquece o risco”, ou veremos um palimpsesto da nossa história. Jamais fomos tão agredidos “no corpo, na alma e no coração”!. Aguardemos.

Camillo Filho é advogado.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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