16 de junho de 2026

Por que a ofensiva de Trump ao Brasil é política, e não comercial?, por André Matheus

Trata-se de uma estratégia legal-orquestrada, um lawfare, o uso da lei como arma para fins políticos e geopolíticos, não econômicos
Foto: NATO/Flickr

Por André Matheus

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A abertura da investigação via Seção 301, somada à proposta de tarifa de 50 %, não podem ser vistas apenas como disputas comerciais, mas como uma estratégia legal-orquestrada, um lawfare, ou seja, o uso da lei como arma para fins políticos e geopolíticos, não econômicos.

Ferramenta jurídica para fins políticos

A Seção 301, que deveria tratar de questões comerciais objetivas, está sendo usada para punir o Brasil pela condução de processos internos como o julgamento de Bolsonaro, e por escolhas que não passam pela anuência de Washington, como sua inserção no BRICS e defesa do Estado de Direito.

Tarifa motivada por política, não comércio

Trump justificou a taxação de 50 % como resposta à “caça às bruxas” contra seu aliado Bolsonaro, e não como correção de desequilíbrio comercial, já que os EUA mantêm superávit com o Brasil.

Violação da soberania brasileira

Tentativa de intervir no funcionamento do Judiciário nacional e na autonomia diplomática com o argumento de proteger “direitos americanos” expõe interferência direta e pressão institucional.

Uso estratégico do direito como arma

Essa combinação de investigação formal, tarifas punitivas e retórica política se encaixa na definição clássica de lawfare, ou seja, uso da lei como instrumento de guerra para deslegitimar, pressionar e punir, sem disparos, mas com sanções econômicas e jurídicas.

O lawfare contra o Brasil

Quando a justiça comercial é reprogramada para perseguir politicamente adversários, influenciar processos judiciais internos e punir escolhas soberanas por meio de chantagem tarifária, isso ultrapassa uma simples disputa e se torna um ataque com roupagem legal.

O Brasil enfrenta, portanto, não apenas uma guerra comercial, mas uma ofensiva estratégica de lawfare que mira sua autonomia, seu sistema jurídico e sua inserção geopolítica independente.

André Luiz de Carvalho Matheus é vice-presidente da Comissão Especial de Estudos e Combate ao Lawfare da OAB/RJ, doutorando em direito (PUC-RIO), mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), advogado com atuação em liberdade de expressão, litígio estratégico e direito penal.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Paulo Dantas

    19 de julho de 2025 3:02 pm

    Seu Jair é desculpa, o objetivo é frear a atuaçào do Brasil contra o dolar como moeda mundial.

    Somos nós que mais tocamos neste assunto.

    Até o PIX entrou no história pois quebrou as pernas dos modos de pagamento da BigTechs.

    Se Lula sinalizar que vai deixar a questão do dolar queito Trump recua.

    Minha humilde opinião.

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