
Por Elias Tavares
A imagem de Bolsonaro com tornozeleira eletrônica dominou o debate político nacional. A fala de Lula sobre truco – “quando o cara truca, a gente tem que gritar seis” – caiu bem no palanque. Mas enquanto o país gira em torno de símbolos e narrativas, uma bomba real está prestes a explodir: em menos de 15 dias, começam a valer as sanções econômicas impostas por Donald Trump contra o Brasil.
É o maior ataque comercial de um aliado histórico desde a redemocratização. E até agora, o governo não apresentou um plano claro para conter os impactos. Nenhuma medida concreta foi divulgada.
Nenhuma articulação com o setor produtivo ganhou corpo. Nenhuma sinalização séria de resposta chegou ao radar da população.
“Não adianta gritar truco se o adversário já colocou 50% na mesa e você nem abriu o jogo.”
Essa frase resume bem o momento. Lula quer parecer firme, quer encarnar o negociador experiente, o jogador de baralho que conhece os atalhos da mesa. Mas o blefe só funciona quando há carta na mão e, neste caso, o adversário jogou primeiro e jogou pesado.
Do lado de lá, o bolsonarismo abriu mão de qualquer verniz nacionalista. Eduardo Bolsonaro agradeceu Trump publicamente. Jair Bolsonaro, agora monitorado por tornozeleira, aplaudiu a retaliação comercial como se fosse vitória pessoal. A oposição radical cruzou a linha: passou a atuar contra os interesses do país para salvar seu próprio projeto de poder.

Do lado do governo, a resposta tem sido ensaio. Há declarações, discursos e metáforas. Mas o tarifaço está assinado. O prazo está correndo. E o mercado, a indústria e o agronegócio seguem no escuro.
“Estamos vivendo um momento raro em que o inimigo externo unificou narrativas internas. Mas, se o governo não reagir com consistência, a oportunidade vira risco.”
É legítimo que o governo celebre a resposta institucional ao bolsonarismo. Mas seria um erro grave transformar a tornozeleira de Bolsonaro em cortina de fumaça para a ausência de política econômica. O estrago das tarifas será rápido, direto e profundo e o eleitorado cobra menos símbolos e mais soluções.
Se Lula quer mesmo jogar truco, está na hora de colocar as cartas na mesa. Porque, do contrário, quem perde o jogo não é só ele é o Brasil.
Elias Tavares é cientista político.
Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN.
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Sergio Navas
21 de julho de 2025 3:08 pmNão sou nenhum expert em tributação internacional, mas de forma rasa, acredito que essa briga não eh precipitada. Não há o que fazer contra a decisão do império, a não ser adotar a reciprocidade com sabedoria.
Talvez uma ótima oportunidade para taxar as exportações de matérias prima e insumos.
Quanto aos exportadores afetados, que busquem outros clientes.
Anônimo
21 de julho de 2025 3:08 pmNão sou nenhum expert em tributação internacional, mas de forma rasa, acredito que essa briga não eh precipitada. Não há o que fazer contra a decisão do império, a não ser adotar a reciprocidade com sabedoria.
Talvez uma ótima oportunidade para taxar as exportações de matérias prima e insumos.
Quanto aos exportadores afetados, que busquem outros clientes.
José Carvalho
21 de julho de 2025 6:01 pmOlhando as tarefas impostas pelo governo Trump para vários países , a observação feita sobre blefes deve ser medida. De fato, os déficits comerciais dos EUA em relação aos demais países entrou no radar, e está sendo discutido nessas idas e vindas no percentual e eventual efetivação das mesmas. O que se vê no caso do Brasil ultrapassa esse motivo. Ao colocar a subordinação da Soberania jurídica do País e do seu Sistema Judicial como uma précondição para existir negociação, extrapolando interesses específicos de grupos, não existe por parte dos EUA abertura para nenhum entendimento. O Brasil está sentado sozinho na mesa de negociação, aguardando uma atitude das autoridades estadunidenses. Não dá pra misturar assuntos de natureza particular com assuntos da ordem dos Estudos. Para o que pode ser conversado, o Brasil está buscando o entendimento. Não se trata de tempo, a questão é bem acima disso.