17 de junho de 2026

Projeto Brasil: uma Política Industrial para Arranjos Produtivos Digitais

A intenção é organizar pequenos fabricantes em torno de plataformas que permitam a articulação de todas as etapas da produção

Este conteúdo é parte do Projeto Brasil, uma plataforma de divulgação científica e políticas públicas, que enseja o debate para o desenvolvimento do país. Você também pode participar deste projeto, saiba mais aqui.

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Em meados dos anos 90, após a visita de um Ministro italiano na Folha, fiquei sabendo dos arranjos promovidos na região conhecida como Nova Itália, para organização de pequenos e médios produtores. Essas políticas municipais marcaram o início da recuperação da Itália, depois da destruição promovida pela operação Mãos Limpas.

Publiquei alguns artigos sobre o tema. Logo depois, fui procurado por Clóvis Carvalho, Ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso, querendo mais informações. Rapidamente foi organizada uma comitiva do governo que foi à Itália conhecer pessoalmente o programa.

O projeto é um passo adiante do modelo de Arranjos Produtivos Locais. A intenção é organizar pequenos fabricantes em torno de plataformas que permitam a articulação de todas as etapas da produção e a organização de associações, cooperativas ou empresas, fortalecendo sua posição para vendas próprias ou para negociar em melhores condições com as grandes plataformas.

As idéias iniciais foram lançadas no ano passado. A proposta abaixo foi montada com o apoio da Inteligência Artificial.

Cenário Atual

De acordo com o último balanço oficial do Ministério da Economia em 2021, o Brasil contava com 839 Arranjos Produtivos Locais (APLs), englobando diferentes setores em 2.580 municípios e gerando mais de 3 milhões de empregos (avisite.com.br).

Anteriormente, o Ministério do Desenvolvimento Regional (em 2014) registrou 677 APLs em 2.175 municípios (Serviços e Informações do Brasil), mas o dado mais atualizado é o de 2021, com 839 arranjos.

📊 Panorama da evolução

AnoNúmero de APLsMunicípios envolvidosSetoresEmpregos aproximados
20146772.175> 3 mi
20218392.58040> 3 mi

📈 Expansão por número e cobertura territorial

  • Em 2015, havia 669 APLs reconhecidos oficialmente em diversos setores (Jornais OpenEdition, FGV EAESP).
  • Dados mais recentes (Observatório APL/MDIC, 2022) indicam que o Brasil tinha 839 APLs, presentes em cerca de 2.580 municípios (Alice).

Tendência: aumento consistente, com crescimento de ~25% no número de APLs entre 2015 e 2022.

🌎 Distribuição regional dos APLs

De acordo com o mesmo estudo de 2022:

  • Nordeste lidera com 177 APLs
  • Sudeste conta com 130
  • Sul possui 38
  • Norte tem 27
  • Centro‑Oeste, 25
  • Outros dados complementares: 839 APLs no total (Alice)

Tendência: maior presença no Nordeste, com impulso em regiões menos industrializadas.

🏢 Crescimento de empresas e emprego

  • Em São Paulo, por exemplo, os APLs reúnem cerca de 30.000 empresas, empregando 500.000 pessoas (Agência Fapesp).
  • No setor agroregional, casos como APL de amendoim (Jaboticabal-SP) demonstram médias de 530 empresas e 32.000 empregos (Investe SP).

Tendência: consolidação de clusters produtivos com ampla geração de trabalho, especialmente em setores regionais.

📊 Considerações sobre dinamismo e inovação

  • APLs têm sido usados como instrumentos de inovação regional, principalmente em setores como agroecologia, tecnologia e economia criativa (Agência Fapesp, Alice).
  • Dados apontam melhoria de indicadores locais — exportações, PIB municipal, escolaridade — especialmente nas cidades com APLs entre 2005–2013, segundo a Confins (Jornais OpenEdition).

✅ Visão consolidada

Indicador20152022Crescimento
APLs reconhecidos669839+25%
Municípios abrangidos~2.175~2.580+18%
Principais regiõesSudeste > NENordeste > SudesteRedescentrado
Empresas nos clustersEx.: 30 mil SP
Empregos geradosEx.: 500 mil SP

Aqui estão os principais setores em crescimento dentro dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) no Brasil atualmente:

🚜 1. Agroindústria e Agronegócio

  • Número de APLs: mais de 84 em São Paulo, incluindo cadeias de soja, cana, amendoim, açúcar e álcool (OvoSite – O Portal do Ovo).
  • Exemplo regional: o APL de amendoim de Jaboticabal-SP reúne 530 empresas e gera cerca de 32 mil empregos (OvoSite – O Portal do Ovo).

🎨 2. Economia Criativa

  • Composta por audiovisual, design, moda, editorial e arte, o setor reúne mais de 2 milhões de empresas no país, movimentando R$ 110 bi (2,7% do PIB) (Wikipédia).
  • Articulações visíveis como o Porto Digital (Recife) e APLs de economia criativa (ex.: Vale do Rio Cuiabá) mostram avanço constante e inovação territorial (Serviços e Informações do Brasil).

💻 3. Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)

  • APLs de software e TIC em polos como Florianópolis, Joinville, Blumenau e São José dos Campos já contam com dezenas de empresas e centros tecnológicos como o PISO (Ribeirão Preto) (BNDES).
  • Foco em indústrias 4.0, hardwares, serviços digitais e cidades inteligentes — setores que têm se fortalecido nacionalmente.

🏥 4. Saúde e Biotecnologia

  • No Polo de Ribeirão Preto (SP), já existem cerca de 70 empresas produzindo equipamentos médicos, odontológicos, cosméticos e biotecnologia, empregando cerca de 2 500 pessoas (Wikipédia, Wikipédia).
  • Integração com USP e centro de testes (SUPERA), além de ações apoiadas por FIPASE, Sebrae e entidades industriais.

🛩️ 5. Eletroeletrônica e Aeroespacial

  • O Vale da Eletrônica (Santa Rita do Sapucaí-MG) une 150 empresas e emprega cerca de 10 000 pessoas, com foco em eletrônica, automação e TI (Wikipédia, Wikipédia).
  • Em São José dos Campos (SP), destacam-se APLs do cluster aeroespacial (23 000 empregos; U$ 7 bi/ano) e TIC Vale com 67 empresas (Wikipédia).

🏗️ 6. Construção, Móveis, Cerâmica, Metal-Mecânica, Calçados e Vestuário

  • Presença histórica de APLs em cerâmica, móveis, calçados (ex.: Criciúma, São João Batista-SC) e indústria metal-mecânica em regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste (BNDES).
  • Estáveis em termos de geração de emprego e renda, com potencial de ganho via design e inovação.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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