10 de junho de 2026

O Brasil visto dos EUA e da Europa: tarifas, diplomacia e a geopolítica do Pix

Reação da imprensa dos Estados Unidos e da Europa ao Brasil expõe disputa comercial e sinaliza mudanças no equilíbrio de poder global
Unsplash

As principais manchetes internacionais entre esta quinta-feira (24) e o início desta sexta (25) retrataram o Brasil no centro de tensões econômicas e políticas globais. De um lado, os Estados Unidos avançam com tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, intensificando a disputa comercial com o governo Lula. De outro, a Europa discute os rumos do acordo Mercosul–União Europeia, em meio a divisões internas e críticas ao protecionismo norte-americano.

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Enquanto isso, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, começa a ganhar atenção como instrumento de desdolarização — e possível motivo oculto do endurecimento americano.

EUA impõem tarifas e ignoram diálogo, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou os Estados Unidos de ignorarem os esforços diplomáticos do Brasil para reverter as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. Segundo a AP News, Lula afirmou que seu governo realizou dez reuniões com representantes americanos e enviou uma carta formal em maio, sem qualquer resposta. “Não é assim que países amigos se tratam”, criticou Lula.

A fala veio após o vice-presidente Geraldo Alckmin classificar como “frutíferas” as conversas mantidas com Kenneth Lutnick, representante comercial da campanha de Trump, conforme noticiou a Reuters.

Pequenos produtores na linha de frente do impacto

A medida americana tem efeito direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente em regiões produtoras de laranja e café. De acordo com reportagem da Reuters, produtores citrícolas relatam risco de perda total da safra caso o mercado americano se feche.

Já a Al Jazeera destacou o impacto devastador para pequenos cafeicultores, responsáveis por dois terços da produção nacional, que podem perder competitividade e renda.

Em resposta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um programa de crédito emergencial para até 10 mil empresas afetadas, conforme informado pela Reuters. Segundo ele, o Brasil segue aberto ao diálogo, mas “não pode assistir passivamente ao desmonte de cadeias produtivas”.

Crise política entra na pauta internacional

As tensões comerciais se entrelaçam à crise institucional interna do Brasil. O The Rio Times, veículo alinhado à direita americana, publicou uma nota da embaixada dos EUA que acusa o ministro Alexandre de Moraes de ser “o coração pulsante da perseguição a Bolsonaro”, numa escalada retórica que expõe o uso político do comércio exterior.

Enquanto isso, a The Guardian destacou o congelamento de bens de Carlos Bolsonaro, parte da ofensiva do Supremo Tribunal Federal (STF) contra os envolvidos na tentativa de golpe de Estado que culminou nos ataques contra a capital federal de 8 de janeiro de 2023 — evento que, segundo analistas citados pelo jornal, influencia diretamente a retaliação tarifária de Washington.

Europa hesita no Mercosul, mas critica EUA

Na Europa, o Brasil aparece com menos intensidade nas manchetes, mas ainda ocupa posição estratégica no debate sobre o acordo comercial com o Mercosul. O site European Conservative relatou que líderes como Emmanuel Macron e Friedrich Merz defendem adiar ou reconfigurar o tratado, enquanto o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez criticou abertamente o protecionismo dos EUA e expressou apoio à integração com a América do Sul.

A crescente divisão entre os países-membros da União Europeia, motivada por pressões internas de agricultores, adiciona mais um grau de incerteza sobre o futuro do pacto.

O Pix no centro da desdolarização global

Um dos temas mais inesperados nas análises internacionais foi a ascensão do Pix como símbolo da resistência à hegemonia do dólar. Segundo a revista Foreign Policy, a popularização do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos — já em uso por mais de 80 países em desenvolvimento — é vista com preocupação por setores conservadores americanos.

A publicação sugere que a expansão do Pix, somada ao alinhamento do Brasil com iniciativas de desdolarização promovidas por China e Índia, pode ter acelerado a resposta agressiva dos EUA, sob pretexto de medidas comerciais.

Um Brasil em disputa

As diferentes leituras sobre o Brasil feitas por EUA e Europa refletem não apenas embates comerciais, mas também disputas políticas e estratégicas mais amplas. Ao mesmo tempo em que tenta proteger seus setores produtivos e manter o diálogo aberto, o governo brasileiro se vê envolvido num xadrez internacional em que economia, tecnologia e democracia estão cada vez mais entrelaçadas.

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

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  1. Carlos

    25 de julho de 2025 1:28 pm

    Bom, parece que o duble de representantes de negócios que habita o puxadinho (embaixada) dos eua abriu o jogo: “tarifas poderão ser negociadas por acesso a terra raras”.
    Talvez mais conversa fiada, mas preciso colocar a palavra que mais define a política de tarifas do trumpeistein:
    “Extorsão, queno contexto jurídico brasileiro, é o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer algo, com o objetivo de obter vantagem econômica indevida.

    Ah TRUMPESTEIN…

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