Uma semana vigorando a taxa de 50% dos EUA aos produtos brasileiros, o governo Lula redireciona a estratégia e mostra disposição a Trump para um diálogo. Simultaneamente à nota divulgada pelo Ministério de Desenvolvimento e Indústria, o embaixador Mauro Vieira aproveita agenda nos EUA para destravar negociações das tarifas.
Neste domingo (27), em nota, o governo afirmava estar “aberto ao debate das questões comerciais”.
“Desde o anúncio das medidas unilaterais feito pelo governo norte-americano, o governo brasileiro, por orientação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem buscando negociação com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica.”
A manifestação defende a postura do presidente Lula: “a soberania do Brasil e o estado democrático de direito são inegociáveis”. “No entanto”, continua a nota, deixa claro que a abertura do Brasil ao diálogo “já é clara também para o governo norte-americano”.
“O Brasil e os Estados Unidos mantêm uma relação econômica robusta e de alto nível há mais de 200 anos. O governo brasileiro espera preservar e fortalecer essa parceria histórica, assegurando que ela continue a refletir a profundidade e a importância de nossos laços.”
Mas não é uma nota da Casa Civil ou do Itamaraty. A nota é do Ministério a cargo do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O objetivo é estratégico: a busca, agora, será por conversas setoriais. Ainda que trazendo o peso do nome do vice, é o Ministério responsável pelo comércio e indústria que tentará diálogo com o mesmo setor dos EUA.

Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira já tinha uma agenda em Nova York esta semana, para discutir junto aos demais países uma solução ao povo palestino com os ataques de Israel em Gaza, na ONU.
Não coincidentemente, Vieira sondou com interlocutores, uma semana antes, a possibilidade de encaixar conversas sobre o tarifaço. E foram representantes ministeriais que mostraram a disposição para essa conversa.
Assim, enquanto a nível presidencial, Donald Trump ainda esbravejará ataques políticos em sua rede social, e o presidente Lula continuará respondendo com a defesa da soberania brasileira, a nível ministerial se tentará, nestes próximos dias, uma solução concreta à crise do comércio bilateral.

Bernardo
28 de julho de 2025 3:04 pmA solução para a questão imposta pelo presidente “tramp” é a negociação como o Brasil tem proposto desde o início. Inclusive eventuais reciprocidades serão possíveis somente após esgotadas as negociações. Esse período deve ser utilizado também para a busca de alternativas de mercado confiáveis para os produtos brasileiros, o que aliás tem sido feito. Enquanto o laranjão for presidente dos EUA não haverá confiança em manter relações comerciais com aquele país. E o baque momentâneo não será como previsto pelos alarmistas de sempre ( Faria Lima e adjacências). Os EUA representam 12% das exportações, o que é representativo, mas o que exportamos pode ir para outros parceiros comerciais sérios e a dependência com os EUA pode diminuir na medida que países mais sérios sejam priorizados; países árabes, Rússia, Índia, Canadá, o continente africano, Austrália, Indonésia, Filipinas, além dos tradicionais da UE, Japão, Coreia, todo o Mercosul, México, enfim, muita oportunidades podem e devem ser trabalhadas.
Analista crítico
28 de julho de 2025 5:02 pmEsse trava diálogo tem um sentido dúbio (no sentido de encerrar ou de batalhar). Melhor substituir pra facilitar o entendimento.
Rui Ribeiro
28 de julho de 2025 8:16 pmTarcísio afirma que há quem busque dividir o país em meio ao tarifaço. Mas ele tá errado. O país tá dividido há muito tempo. Os Bolsomerdistas nao buscam dividir o Brasil, eles buscam subtraí-lo para entregá-lo de bandeja nas mãos dos EUA, em prejuízo da nossa população