16 de junho de 2026

Brasil sob Lula desafia tendência autoritária global e avança na democracia, revela estudo internacional

Relatório V-Dem 2025 revela que o país interrompeu processo de autocratização e é destaque mundial por fortalecer sua democracia liberal
Ricardo Stuckert

Enquanto potências globais escorregam rumo ao autoritarismo, o Brasil surpreende o mundo ao emergir como uma exceção democrática. Sob o terceiro mandato do presidente Lula (PT), o país deu um passo firme no sentido oposto ao da maioria das nações, fortalecendo a democracia liberal e evitando o colapso institucional, segundo o Relatório V-Dem 2025, produzido pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

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A pesquisa, considerada a mais abrangente do mundo sobre regimes políticos, contabiliza atualmente 88 países democráticos e 91 autocráticos. Pela primeira vez em mais de cinco décadas, mais pessoas vivem sob regimes autoritários. Ainda assim, o Brasil foi na contramão: conseguiu reverter parte da deterioração institucional vivida entre 2016 e 2022.

Apesar dos avanços, o relatório mostra que o Brasil ainda sente os efeitos da autocratização iniciada com o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e agravada durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). O país ocupa a 29ª posição global, com nota 0,71 (numa escala em que 1 representa democracia plena). A liderança mundial é da Dinamarca, com 0,88, enquanto o Chile, com 0,79, é o país mais democrático da América Latina. Já os Estados Unidos registraram queda, figurando na 25ª posição, com 0,75.

O Brasil enfrentou uma forte crise da democracia, mas conseguiu recuperar e não evoluir para um regime autoritário”, afirmou Tiago Fernandes, professor do Instituto Universitário de Lisboa (Iscte) e diretor do Centro Regional V-Dem Europa do Sul. As declarações estão na reportagem de Jair Rattner, publicada pelo portal Público.

O Brasil foi tema de quatro artigos científicos incluídos no relatório, sinal da relevância internacional do caso. O levantamento analisa mais de 600 indicadores e conta com a colaboração de 4.200 acadêmicos e especialistas, com base de dados que cobre 202 países desde o ano de 1789.

Pilares que evitaram o colapso democrático

Para Fernandes, a resistência democrática brasileira se apoiou em três eixos fundamentais. O primeiro foi a força da sociedade civil. “A primeira foi a força da sociedade civil, que conseguiu pôr gente na rua, em uma aliança entre vários grupos sociais distintos, para defender o Estado democrático de direito. Nos Estados Unidos, contra Donald Trump, não se vê gente na rua, a não ser episodicamente”, observou o pesquisador.

O segundo fator foi a atuação decisiva do sistema judicial, sobretudo no enfrentamento aos atos golpistas. “O Poder Judiciário conseguiu levar Bolsonaro a tribunal pela tentativa de golpe de Estado”, pontuou Fernandes, referindo-se aos processos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) e à responsabilização de militares e apoiadores envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O terceiro ponto foi a articulação política durante as eleições de 2022, que culminou na vitória de Lula. “Criou-se uma frente pró-democracia. Mesmo partidos do ‘centrão’, frequentemente associados à corrupção, romperam com Bolsonaro e passaram para o lado da democracia nas eleições de 2022”, explicou.

Desafios

Embora o Brasil seja hoje visto como um dos países que mais se distanciaram do autoritarismo, o discurso bolsonarista, ainda presente na oposição, acusa o Judiciário de governar com mão de ferro. “Trata-se de um discurso simplificado de ódio, facilitado por uma visão de mundo bipolar, entre nós e eles”, rebateu Fernandes.

Ele chamou atenção ainda para o fato de que o risco autoritário não está totalmente afastado: “Esse movimento autoritário pode voltar algum dia, apoiando outra personalidade política do tipo Bolsonaro”.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    26 de julho de 2025 7:44 pm

    Lula está numa sinuca de bico: de um lado as BigTechs, representadas por Trump; do outro o agora hiper pressionado sistema financeiro tradicional, vendo finalmente o poder escapando por entre os dedos, depois de dois séculos de domínio, inicialmente, parcial até o total com a queda do Muro de Berlim. E o Brasil como trunfo na disputa. E Lula presidente. Haverá terceira via?

  2. Rui Ribeiro

    26 de julho de 2025 10:51 pm

    Ordem de Moraes sobre acampamentos: Não se pode limitar direito fundamental, diz especialista, em matéria da CNN.

    E se o titular do direito fundamental o exercer de forma irregular?

    No estado de sítio, por acaso, o exercício de todos os direitos fundamentais estão garantidos ilimitadamente?

  3. Rui Ribeiro

    26 de julho de 2025 11:07 pm

    Porque todo Bolsomerdista é barraqueiro? Vai armar tua barraca lá na baixa da égua, seu idiota

  4. Rui Ribeiro

    27 de julho de 2025 12:00 pm

    Maria de Nazaré afirmou que Deus abate os poderosos de seus tronos e eleva os humildes.
    Não nos desesperemos. O Elon Musk já está destronado. Trump está em processo de destronação. Seguremos a Primavera entre os dentes

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