
A grande maioria das investigações israelenses sobre alegações de abusos ou crimes de guerra cometidos pelos soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) durante a guerra em Gaza foram fechadas sem encontrar falhas ou mesmo deixadas sem resolução.
Os dados são do monitor de conflito Action on Armed Violence (AOAV) que, entre outros dados, listam como investigações não concluídas a morte de cerca de 112 palestinos na fila por farinha em Gaza em fevereiro de 2024; e um ataque aéreo que matou 45 em um acampamento na cidade de Rafah em maio de 2024.
Outro ataque que não teve sua investigação concluída envolve a morte de 31 palestinos em busca de comida em Rafah no último dia 1º de junho. Enquanto testemunhas dizem que os israelenses abriram fogo, a IDF afirmou que os relatórios eram “falsos”, para depois justificar ao jornal britânico The Guardian que a questão “estava sob revisão”.
De acordo com o jornal britânico, a AOAV encontrou relatos de 52 casos em que os militares israelenses dizem ter conduzido ou que investigariam casos envolvendo a morte de 1303 palestinos e 1880 feridos pelas forças da IDF em Gaza e na Cisjordânia entre outubro de 2023 e o fim de junho de 2025.
Um único caso gerou sete meses de prisão para um soldado israelense, envolvido no abuso agravado de presos palestinos, enquanto outros cinco casos terminaram com violações encontradas.
Dentre os 46 casos restantes, ou 88% do total, sete foram fechados sem qualquer achado de falha, e os outros 39 permanecem sob revisão ou sem nenhum resultado relatado.
Na visão da equipe da AOAV, as estatísticas indicam que Israel tenta criar um “padrão de impunidade” ao não encerrar ou encontrar os culpados na grande maioria dos casos que envolvem “acusações mais graves ou públicas” de irregularidades das forças militares.

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