7 de junho de 2026

Os EUA se preparam para invadir países da América Latina

Segundo o The New York Times, foi concebida diretriz secreta, autorizando o Pentágono empregar força militar contra cartéis de drogas da AL.
Gage Skidmore - Flickr

O presidente norte-americano Donald Trump acaba de escalar mais uma vez sua ofensiva sobre a soberania de países. Segundo informações do The New York Times, agora em agosto foi concebida uma diretriz secreta, autorizando o Pentágono a empregar força militar contra organizações de cartéis de drogas latinoamericanas. Tempos atrás, foram formalmente caracterizadas como organizações terroristas. A lógica trumpiana é que esses grupos representariam uma ameaça existencial aos EUA.

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Recentemente, a presidente mexicana Cláudia Sheinbaum rejeitou qualquer possibilidade de intervenção unilateral dos EUA, considerando uma violação da soberania nacional. Além disso, há um histórico de intervenções militares contra cartéis de tráfico no México, com alta probabilidade de ineficácia no médio prazo. Em outros tempos, levou à fragmentação desses grupos criminosos e intensificação da violência. 

Os presidentes Felipe Calderón (2006-2012) e Enrique Peña Nieto (2012-2018), já empregaram forças militares em larga escala contra os cartéis. O resultado dessas campanhas foi uma “escalada acentuada da violência” e a “fragmentação” das grandes estruturas criminosas em facções menores e mais difíceis de combater. Essa fragmentação muitas vezes leva a um aumento da violência à medida que esses grupos menores disputam o controle e novos líderes emergem para preencher o vácuo criado pela eliminação de figuras de alto escalão. Algo muito similar na guerra de drogas no Rio de Janeiro.

Os cartéis já mostraram uma capacidade enorme de realocação e reconfiguração de suas operações, fazendo com que qualquer ataque militar seja minimizado em prazos muito curtos. Há igualmente a experiência desastrosa no Afeganistão.

Além disso, haverá uma contaminação diplomática, minando qualquer possibilidade de efetivar a cooperação em áreas cruciais, como inteligência e controle de fronteiras.

O álibi por trás dessa medida é a crescente crise do fentanil nos EUA. Trata-se de uma droga sintética altamente potente, responsável por um aumento alarmante de mortes por overdose. Já há 100 mil ocorrências desde 2021. Os cartéis mexicanos são vistos como a maior fonte dessa droga.

Drogas e terrorismo

No seu primeiro discurso ao congresso, depois de eleito, Trump anunciou que “era hora da América fazer guerra aos cartéis, já preparando o terreno para uma resposta militar. 

O primeiro passo foi a formalização da designação de oito grupos do crime organizado latinoamericano como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

Entraram na lista seis cartéis mexicanos proeminentes: Sinaloa, Jalisco Nova Geração, Golfo, Nordeste, La Nueva Familia Michoacana e United; Também a venezuelana Tren de Aragua e a salvadorenha MS-13.7. A designação de FTOs acarreta implicações imediatas e significativas. Ela ativa sanções e penalidades, proibindo indivíduos ou empresas sujeitas à jurisdição dos EUA de fornecer apoio material, incluindo finanças, a essas organizações.

Na mesma época, Elon Musk, então assessor especial da presidência dos EUA, afirmou, no X, que os grupos seriam “elegíveis para ataques de drones”.

A fundamentação legal

A peça legislativa central pára essa intervenção é a Autorização para o Uso da Força Militar (AUMF) de 2001, concedendo ao presidente  a autoridade para usar “toda força necessária e apropriada” contra os responsáveis pelo ataque de 11 de setembro de 2001. Depois disso, sucessivas administrações estenderam a aplicação da lei para além do Al-Qaeda e do Talibã, no Afeganistão, devido à omissão, no texto, dos locais de aplicação da lei.

Acabou atropelando a Resolução dos Poderes de Guerra, de 1973, que obrigava o presidente a notificar o Congresso dentro de 48 horas após o envio de forças armadas para ação militar, proibindo que essas forças permaneçam por mais de 60 dias, com um período adicional de mais 30 dias para retirada.

A definição dos cartéis como organização terrorista, permitiu o uso da AUMF em operações militares.

Grupo DesignadoPaís de OrigemObservações PrincipaisData da Designação (aproximada)
Cartel de SinaloaMéxicoUm dos maiores produtores de fentanil, com vasta presença global.Fevereiro de 2025
Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG)MéxicoConhecido por sua extrema violência e expansão territorial.Fevereiro de 2025
Cartel do GolfoMéxicoGrupo histórico com forte presença na fronteira EUA-México.Fevereiro de 2025
Cartel do NordesteMéxicoFacção dos Zetas, opera no nordeste do México.Fevereiro de 2025
La Nueva Familia MichoacanaMéxicoAtua principalmente no estado de Michoacán.Fevereiro de 2025
Cartéis UnidosMéxicoCoalizão de grupos menores em Michoacán.Fevereiro de 2025
Tren de AraguaVenezuelaGangue transnacional com operações na América Latina e EUA.Fevereiro de 2025
Mara Salvatrucha (MS-13)El SalvadorGangue transnacional com forte presença na América Central e EUA.Fevereiro de 2025

O Artigo 2 da Carta das Nações Unidas proíbe agressão, ameaças, a qualquer país. Trata-se da chamada norma peremptória. A ofensiva contra cartéis, em outros países, representa claramente uma violação dessa norma. Há a preocupação adicional com a segurança de civis, ou mesmo de suspeitos de atos criminosos que não representam uma ameaça iminente.

O cenário mais provável de ação envolve ataques de drones leves e esporádicos, concentrado em áreas remotas onde estão as sedes dos cartéis.

Mas há a possibilidade da abordagem de “choque e pavor”, semelhante às campanhas rápidas conduzidas pela primeira administração Trump contra a ISI. O objetivo seria sobrecarregar as forças dos cartéis e eliminar alvos de alto valor.

Esses alvos seriam:

  • Laboratórios de fabricação de fentanil: A destruição dessas instalações é vista como crucial para interromper o fluxo da droga mais letal para os EUA.2
  • Instalações de armazenamento controladas por cartéis: Locais onde drogas, precursores químicos ou armas são guardados seriam alvos para desorganizar as cadeias de suprimentos dos cartéis.2
  • Áreas onde líderes de alto escalão dos cartéis estão ativos: A eliminação ou captura de figuras-chave é uma tática para desarticular a liderança e o comando e controle dos cartéis.2
  • Sicários e comandantes de nível médio: Esses indivíduos são cruciais para a coordenação da logística e das operações de aplicação da lei dos cartéis, e sua neutralização poderia enfraquecer a capacidade operacional dos grupos.6
  • Depósitos de armas: A destruição de arsenais de armas visaria reduzir o poder de fogo dos cartéis.6

Relações EUA-México

Se isso ocorrer, essas operações destruiriam as relações diplomáticas entre Estados Unidos e México. Especialmente a ruptura na cooperação em segurança e contra narcóticos, com a interrupção do compartilhamento de informações e cooperação na extradição de membros dos cartéis. No passado, após a prisão de um Ministro, o México limitou as operações do DEA em seu território.

Haveria, também, problemas com os desafios logísticos já enfrentados por empresas norte-americanas que atuam no México. Além de comprometer toda a agenda de aproximação com a América Latina.

De qualquer modo, seria apenas mais um capítulo na história das intervenções dos EUA na América Latina.

Tabela 2: Intervenções Militares Históricas dos EUA na América Latina (Casos Selecionados e Resultados)

PaísAno(s)Evento/IntervençãoResultado/Observações
Cuba1898-1902Guerra Hispano-Americana; Ocupação dos EUAOs EUA estabelecem influência duradoura, mas geram ressentimento.
Cuba1906-09Derruba o Presidente eleito Palma; regime de ocupaçãoIntervenção para proteger interesses dos EUA, minando a soberania.
República Dominicana1916-24Ocupação dos EUAImpôs estabilidade, mas gerou resistência e nacionalismo.
República Dominicana1965Forças Armadas dos EUA ocupam Santo DomingoIntervenção para prevenir “segunda Cuba”, gerou críticas internacionais.
Guatemala1954Força armada organizada pela CIA derruba o Presidente ArbenzRestauração de regime pró-EUA, mas levou a décadas de conflito interno.
Haiti1915-34Ocupação dos EUAImpôs ordem, mas resultou em instabilidade política pós-retirada.
México1914Veracruz ocupada; EUA permite que rebeldes comprem armasIntervenção para proteger interesses, gerou tensões com o governo mexicano.
México1913Embaixador dos EUA organiza golpe contra MaderoApoio a ditador Porfirio Diaz, gerou instabilidade e ressentimento.
Nicarágua1912-25Fuzileiros navais dos EUA invadem e ocupam o paísImpôs governos pró-EUA, mas alimentou movimentos de resistência.
Panamá1903EUA envia navios de guerra para apoiar rebelião contra a ColômbiaGarantiu os direitos do Canal do Panamá, mas violou a soberania colombiana.
Granada1983Forças Armadas dos EUA ocupam a ilha; derrubam o governoIntervenção para proteger cidadãos dos EUA, mas condenada pela ONU

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. Carlos

    8 de agosto de 2025 7:14 pm

    Hoje quem pratica terrorismo no mundo são eua.
    Terrorismo tarifário

  2. Mopir

    9 de agosto de 2025 8:49 am

    É fato que o objetivo dos EUA é hegemonia e econômico… Mas também é fato que esses países perderam controle ou são controlados por essas organizações criminosas, que somente uma atuação internacional resolveria, mas com intenções humanitárias…. Não com essa escrescencia…

  3. José de Almeida Bispo

    9 de agosto de 2025 9:03 am

    Sei… GUERRA ÀS DROGAS, NÉ? ‘Tamo’ sabendo! Assim como da boiada, de bois. Obviamente, batendo as asinhas.

  4. J...MARCELO !!!

    9 de agosto de 2025 12:05 pm

    Na vdd já tinham invadido ontem com a Lavajato e o acobertamento da midia tradicional,destruiram as melhores empresas nacionais e milhões de empregos atropelando normas e regras em nome do combate a corrupção mas fazendo MUITA CORRUPÇÃO,os protagonistas daquele ARRASO TODO ainda estão ai atuando livre leve e soltos só esperando a oportunidade de assumir as rédeas de novo,ai vcs vão ver de vdd q não haverá perdão nenhum é uma situação bem diferente de agora ao qual empresas são protegidas,empregos gerados e cidadãos respeitados nos seus direitos e mesmo assim a midia tradicional não divulga os avanços são os meias dizias de bilionários mimados q CONVENCEM TODA UMA NAÇÃO q o caos fora e é bom,formam ZUMBIS contra si próprios,só resta a eles e seus funcionários do jogo sujo fazer tudo de novo,aquele modus operandi foi o ÁPICE e é o ápice de toda CONSPIRAÇÃO,vão querer repetir é SÓ O Q LHES RESTA o jogo imundo !!!

    1. wander nunes frota

      9 de janeiro de 2026 11:03 am

      É isso aí mesmo! Fizeram isso mesmo contra a PresidentA Dilma e a imprensa elitista acobertou qdo, por exemplo, fizeram espionagem contra a Dilma e a mesma imprensa subserviente de sempre não levou a frente o q devia ter sido feito pra desmascarar o governo Obama… O acordão tb envolveu o STF, essa imprensa fajuta, defensora somente de quem tem dinheiro, e os empresários da Faria Lima q nunca são culpados de porra alguma…

  5. Rui Ribeiro

    9 de agosto de 2025 5:05 pm

    Musk se prepara para sobreviver em Marte, pois novo estuda a possibilidade de viver no planeta.

    Não será vida, será sobrevivência

  6. Paulo Dantas

    9 de agosto de 2025 9:15 pm

    Os EUA ajudariam combatendo o tráfico de armas para estas quadrilhas.

    Será a destruição das FAs americanas, começarão a ser tentados com a grana do tráfico.

  7. José Flavio Junqueira Enout

    11 de agosto de 2025 5:39 pm

    Será que irão lançar drones em golpistas como a turma do boçal nato, uma vez que se dizem defensores da democracia no planeta?

  8. Tulio

    1 de outubro de 2025 8:03 am

    Se há produção é por que há consumo.
    Isso é regra desde a revolução industrial ou do nascimento do capitalismo.
    Nenhum negócio prospera sem consumidores.
    Isso vale pra todos os produtos fabricados pelo homem, inclusive as drogas tão consumidas pelos eleitores do Trump.

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