4 de junho de 2026

O que esperar do julgamento de Bolsonaro? Mestre em Direito Penal explica

Defesas vão tentar ressaltar fragilidade das acusações, porém intenção confessa de eliminar autoridades deu ensejo à tentativa de golpe de Estado
Lula Marques - Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou, na última sexta (15), as datas para o julgamento dos réus do “Núcleo 1” ou “Núcleo crucial” da Ação Penal 2668, que apura tentativa de golpe de Estado. Entre os réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode responder ainda por outros quatro crimes e ser condenado a até 43 anos de prisão.

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Para explicar como será a fase final do trâmite, o programa TVGGN 20H contou com a participação da advogada criminalista e mestre em Direito Penal Jacqueline Valles.

De acordo com a entrevistada, a partir do dia 2 de setembro, as defesas dos acusados vão tentar evidenciar a suposta fragilidade da denúncia, que seria insuficiente para livrar os envolvidos de sentença em regime fechado.

Os advogados dos réus devem tentar descredibilizar ainda a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

“A delação, no final, foi muito contestada até pelo acusador, falando: ‘Olha, você não veio, você não entregou tudo que você tinha’. Então, essa denúncia, essa delação, não pode servir de muito benéfica. Então, óbvio que a defesa já pega e fala o seguinte, bom, se ela não serve para o acusador e se beneficia com a delação, ela também não serve para acusar”, comenta a mestre em direito penal.

Entre os principais argumentos da defesa estará a suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ele é citado como uma das figuras mais atacadas pelo grupo investigado, o que, segundo os advogados, comprometeria sua imparcialidade.

Essas e outras preliminares — como falhas na construção da denúncia e abuso de medidas cautelares — foram apresentadas durante a instrução processual e devem ser reapresentadas nas alegações finais.

Prazos

Jacqueline ressaltou ainda que não há garantia de decisão unânime, e um pedido de vista pode adiar o julgamento por até 90 dias.

Se houver divergência entre os votos, a defesa poderá apresentar embargos de declaração (prazo de dois dias) e, posteriormente, embargos infringentes, caso haja pelo menos dois votos vencidos. Nesses casos, o processo pode ser julgado pela Corte ampliada.

Além disso, cada advogado terá direito à sustentação oral durante a sessão de julgamento, e o procurador-geral da República também se manifestará.

Sentenças

A advogada ainda esclareceu que, apesar de os réus serem julgados em um único processo, as sentenças serão individualizadas, levando em conta o grau de participação de cada um. “A pena-base sempre é regulada do mínimo para o máximo. Você faz uma pena-base e vai acrescendo conforme a participação daquela pessoa e o quanto ela prejudicou a sociedade”, explicou.

No caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, seu histórico e o teor de reprovação social das suas ações podem influenciar negativamente na dosimetria da pena. O discurso inflamado durante o 7 de setembro, considerado um ato de afronta ao STF, pode ser usado como agravante.

Divisão

A operação foi elogiada pela forma estratégica com que dividiu os investigados em grupos — financiadores, organizadores, executores diretos e grupos de orientação —, o que permitiu aprofundar a análise do Ministério Público. No entanto, a defesa critica o fato de que tiveram poucos dias para analisar documentos volumosos.

A acusação se baseia na existência de um plano articulado de ruptura institucional. Mesmo que alguns dos envolvidos afirmem que não colocaram as ideias em prática, a doutrina penal prevê punição para atos de tentativa e preparação, especialmente quando há elementos concretos de articulação.

“Quando ele fala: ‘Não, mas eu pensei em matar o presidente, o vice e o ministro Alexandre Moraes’. Tudo bem, você não fez nada, mas, de alguma maneira, impulsionou esse golpe sim. Então, quando ele faz esse plano Punhal Verde e Amarelo, você pode até escapar do ato de tentativa de homicídio, mas dá ensejo ao golpe sim”, afirmou a advogada.

Confira a entrevista na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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9 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    17 de agosto de 2025 6:03 pm

    Tenho para mim que seu Jair estará elegível.

    Alguma solução jurídica será usada.

    Mr. Trump não parece que vai perder força.

    __
    Nota, na última eleiçào votei no seu Luiz.

    1. Rui Ribeiro

      18 de agosto de 2025 8:14 am

      Mas na próxima, se o seu Jair estiver elegível…

      “Solução jurídica” para garantir a impunidade de criminosos?

      Mr. Trump tem a FORÇA, mas ele não exerce o PODER judiciário brasileiro. Ele pode até exigir que o processo contra o Netanyahu seja extinto e arquivado, pois U$rael é sustentado pelos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, que ajuda a sustentar os EUA.

      “Os Estados Unidos gastam bilhões de dólares por ano, muito mais do que qualquer outra nação, para proteger e apoiar Israel. Não vamos tolerar isso (o julgamento Netanyahu por corrupção)”. – Trump

      1. Paulo Dantas

        18 de agosto de 2025 12:41 pm

        Não me culpe estou vendo o histórico do STF.

        Quero estar errado.

        1. Rui Ribeiro

          19 de agosto de 2025 7:40 am

          Valeu, Paulo Dantas. Bom dia, Amigo. Tomara que hoje e sempre você seja felicíssimo.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de agosto de 2025 7:29 pm

    A condenação de seu Jair poderia ser evitada, se os defensores dele alegassem nulidade do processo por causa da seletividade penal: o PGR admite que as plataformas de internet foram essenciais para a divulgação e amplificação do cenário de golpe criado pelos golpistas. É evidente que os donos das plataformas de internet lucraram com ajuda dos golpistas (fazendo-os acreditar que o golpe era realmente possível). Mas o PGR não denunciou os donos delas como coautores do crime e o advogado do seu Jair preferiu não levantar essa questão em nenhum momento, para no mínimo obrigar o STF a decidir uma questão realmente delicada cujo resultado poderia alongar o processo dando ao caso uma visibilidade internacional maior do que ele conseguiu. Agora ele não pode mais fazer isso. A oportunidade foi perdida. Agora só resta a seu Jair encenar o papel de coitadinho doente perseguido, como se a doença fosse excludente retroativa de antijuridicidade (coisa que ela não é) ou pudesse impedir a condenação e o cumprimento da pena (o que não vai acontecer). Deixar de usar um argumento plausível contra a seletividade do PGR foi uma franqueada do seu Jair e ela será a última. Ele se acabou e ninguém irá sequer visita-lo na prisão.

  3. Rui Ribeiro

    18 de agosto de 2025 12:18 am

    Eu espero a condenação, com pena proporcional aos danos causados à sociedade

  4. Rui Ribeiro

    18 de agosto de 2025 8:07 am

    Põe o Neymar para consolar o Bostonaro e vice-versa.

    O que é pior, Neymar: 6 a 0 ou 7 a 1?

  5. ed.

    18 de agosto de 2025 2:25 pm

    O nome da bola é FUX, o “confiado” da Farsa-a-jato de Dallagnol e Moro.
    Dependerá dele a condenação definitiva de bozo e seus golpistas ainda neste outubro ou manter este histórico tumultuador perturbando a ordem eleitoral (e social) até perto das eleições de 2026.
    Que NÃO “fiat fux” …
    (em bom latim: “ne fux sit”).

  6. Rui Ribeiro

    19 de agosto de 2025 7:37 am

    Neymar não deve ir ao São Januário, sob pena de se desmanchar em lágrimas.

    Por falar em lágrima, me alembrei da canção do Black Sabbath, Symptom of the Universe, na qual consta que ‘electrifying enemy is drowning in his tears’.

    Dia 22 de julho é dia de uivar para a Lua independentemente da fase em que ela estiver, pois nesse dia perdemos o Ozzy e o mundo ficou sem graça. Rest in deep peace, Ozzy!

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